Retrospectiva 2020: os destaques das Telecomunicações

Anderson Guimarães
14 min de leitura

Venda da Oi Móvel, união de operadoras, streaming cada vez mais forte… quais foram os fatos relevantes em um ano marcado pela pandemia?

Imagem: Montagem com comercial das principais operadoras (Oi, TIM, Claro e Vivo)
Imagem: Montagem com comercial das principais operadoras (Oi, TIM, Claro e Vivo)

Relembrar 2020 não é uma tarefa fácil, afinal, são muitos acontecimentos e, provavelmente, um ano diferente do que todos imaginavam.

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Tudo por causa de uma grande e indesejada protagonista: a pandemia do coronavírus.

Enquanto a doença assolava o mundo, diversos setores precisaram se reinventar para lidar com o grande buraco econômico que crescia, cada vez mais. Nas telecomunicações não foi diferente.

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Mas, o “baile seguiu” e as questões que não foram tão gravemente afetadas pela pandemia tiveram a esperada (e às vezes surpreendente) continuidade.

Aqui, vamos aos destaques de 2020 pela análise do Minha Operadora:

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O protagonismo da PANDEMIA…

Entre os fatos marcantes do ano, é impossível não a enxergar como uma catalisadora de muitos eventos nas telecomunicações.

A reclusão domiciliar, aos poucos, se mostrou frutífera para o setor, que viu a demanda pelas conexões de banda larga crescer, principalmente as que possuem tecnologia de fibra óptica.

Entretanto, nem tudo são flores. Afinal, atividades de trabalho, educação, lazer e comunicação estavam concentradas na internet.

O lucro saía na mesma proporção que entrava. Gastos com infraestrutura se mostraram ainda mais necessários para as operadoras e uma preocupação surgiu: a sobrecarga.

Nessa parte, até mesmo as plataformas de streaming entraram em ação e diminuíram a qualidade dos vídeos para não comprometer as conexões. O movimento financeiro permanecia complexo.

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Se a demanda cresceu por um lado, diminuiu de outro. Afinal, pontos físicos de recargas foram fechados e as lojas oficiais deixaram de vender também smartphones e planos, já que não estavam em operação.

Portanto, não deixou de ser um momento complexo e desafiador, com o ponto positivo de ter mostrado o quanto as telecomunicações são necessárias.

A inédita UNIÃO

União das operadoras. Imagem: Divulgação
União das operadoras. Imagem: Divulgação

Em meio a tantas dificuldades, as operadoras enxergaram uma saída: dar as mãos. Claro, Vivo, Oi, TIM e SKY se uniram em uma ação inédita.

Juntas, as empresas pensaram em ações para diminuição do impacto da pandemia.

Entre elas: bônus de internet no celular, canais liberados na TV por assinatura e até mesmo uma maior tolerância para inadimplentes.

No entanto, não demorou até que as antigas disputas de mercado voltassem a reinar no mundo das telecomunicações.

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A Oi deu a volta por cima?

Em 2019, havia uma certeza sobre a Oi: a operadora estava disposta a se reestruturar e se tornar uma “empresa de fibra”.

Contudo, as dívidas ainda se faziam presentes, além dos efeitos do defasado serviço de cobre e a tão comentada recuperação judicial. Fatores que faziam os consumidores desacreditarem da marca.

Muitos juravam que não havia outra saída a não ser uma venda na totalidade, mas os executivos, comandados pelo CEO Rodrigo Abreu, se mostraram mais estratégicos do que muitos imaginavam.

Um plano sólido surgiu e o grupo foi dividido em cinco unidades: torres, data center, TV por assinatura, telefonia móvel e fibra óptica.

Dessas, apenas a última restaria, apesar de ter seu controle acionário ofertado. Foi a estratégia da operadora para financiar o futuro de sua operação e continuar com a oferta de banda larga via fibra óptica, em expressivo crescimento.

E fechamos 2020 com a Oi Móvel vendida para Claro, TIM e Vivo, em uma divisão estratégica. Mas, falta a aprovação do CADE e da Anatel.

Ativos de torres e data center também já foram vendidos. As jogadas estratégicas reverteram o cenário de “desacreditada” da Oi, até mesmo na Bolsa de Valores.

Para o futuro, vamos descobrir se a estratégia será suficiente para sustentar a futura operação do grupo.

RELEMBRE MATÉRIAS ESPECIAIS DO MINHA OPERADORA:

–> EXCLUSIVO: Saiba detalhes sobre a fibra de 5ª geração da Oi

–> Globoplay não descarta mais parcerias internacionais

–> Operadoras móveis virtuais: valem a pena?

–> Aeiou: por que uma operadora de baixo custo deu errado?

E o 5G, Bolsonaro?

Presidente Jair Bolsonaro. Imagem: Palácio do Planalto (Flickr)
Presidente Jair Bolsonaro. Imagem: Palácio do Planalto (Flickr)

Um dos temas mais afetados pela pandemia foi o 5G. Muitos aguardavam por um leilão de frequências ainda em 2020, mas o novo coronavírus veio para atrasar todo o processo.

No entanto, outro debate roubou o protagonismo na questão do 5G e vem diretamente da guerra comercial entre China e Estados Unidos.

A proximidade entre os presidentes Jair Bolsonaro e Donald Trump fez com que os Estados Unidos pressionassem o Brasil para banir a chinesa Huawei do fornecimento de equipamentos para a nova conectividade.

Ao longo do ano, o debate acirrou com representantes do Governo Federal em posicionamentos contra e a favor, além de especialistas da área.

Quando as operadoras entraram em cena, o imbróglio ficou ainda maior, já que um possível banimento provocaria uma substituição dos equipamentos do 3G/4G por parte das teles, que são clientes da Huawei.

Obviamente seria um processo de alto custo, com chances de atrapalhar até mesmo a futura aquisição de frequências do 5G.

Por fim, a vitória de Joe Biden diminuiu a pressão, apesar de uma possibilidade de continuação.

Um diálogo entre o governo e as operadoras prometeu um leilão de viés técnico e não ideológico. Agora, nos resta aguardar para ver o desenrolar dessa história, assim como a decisão do presidente Jair Bolsonaro sobre a Huawei.

5G DSS

Primeira demonstração da Claro para o 5G DSS. Imagem: Reprodução YouTube
Primeira demonstração da Claro para o 5G DSS. Imagem: Reprodução YouTube

Não tem 5G, mas tem “5G DSS”! A Claro foi a primeira a anunciar a tecnologia, que utiliza a frequência do 4G para prover uma experiência de quinta geração.

A velocidade obviamente não é a mesma, mas atinge aproximadamente 500 Mbps – ao menos é a promessa.

Com a ação da operadora, Vivo e Oi também embarcaram na tecnologia e a disponibilizaram para seus clientes em determinadas regiões.

Já a TIM, apesar de explorar o “5G DSS” para criar uma banda larga móvel, denunciou a Claro por anunciar a “primeira rede 5G do Brasil” e chamou a conectividade de “marketing”, pela voz de seu presidente.

TIM Beta na berlinda!

O pré-pago premium e queridinho da TIM, que há anos carrega uma poderosa base de clientes, parou no tempo!

A situação ficou ainda mais complexa quando a operadora anunciou um aumento em janeiro, mas o plano ganhou WhatsApp ilimitado, novos serviços (Skeelo e Babbel) e o reajuste demorou a ser aplicado.

Agora, em dezembro, ganhou uma renovação total e extinguiu as cobranças diárias e semanais, assim como o Deezer.

Mesmo com reações contrárias, o TIM Beta segue com muitos gigas para quem precisa de internet móvel por um preço mais acessível que os planos pós-pagos.

Pré-pago voltou a ser estratégico?

Parceria da TIM com o C6 Bank
Parceria da TIM com o C6 Bank. Imagem: Divulgação

No balanço financeiro das operadoras, era comum vê-las comunicar sobre o constante incentivo a migração de pré-pagos para o pós-pagos.

Afinal, era uma maneira de fidelizar clientes e dar uma maior frequência nas receitas de telefonia móvel.

Mas, todas parecem ter encontrado uma maneira de “fidelizar” consumidores, mesmo que eles estejam no pré-pago.

A saída foram os planos diários, semanais e mensais, com frequentes renovações.

A própria TIM explorou sua parceria com o C6 Bank e também criou o programa de benefícios TIM + Vantagens para deixar pré-pagos ainda mais fidelizados ao consumo.

Ficou a conclusão de que o setor voltou a ser constantemente movimentado de ofertas.

Streaming e IPTV X TV por assinatura

Anúncio do DirecTV Go
Anúncio do DirecTV Go. Imagem: Divulgação

Na questão do streaming e da TV por assinatura, o “baile seguiu”!

Plataformas como Netflix, Amazon Prime Vídeo e Globoplay ficaram ainda mais fortes durante a pandemia do coronavírus, que aumentou a procura por serviços de entretenimento.

A TV por assinatura também teve seu momento de alta, principalmente na audiência dos canais fechados, mas continua em declínio.

A decisão da Anatel, que deu vitória à FOX e permitiu que a empresa vendesse canais on-line, deu vida ao mercado das IPTVs legalizadas.

Com o fim de ano, acompanhamos o surgimento da Pluto TV, que é totalmente gratuita, assim como o retorno da marca DirecTV, com o serviço DirecTV Go.

Por último e não menos importante, o Disney+ chegou ao Brasil com a promessa de entregar produtos de peso e bater de frente com outros players do mercado.

É um mercado que se transforma na medida que o consumidor busca opções mais flexíveis de consumo.

Fim da novela: SKY e Warner nas mãos da AT&T

Outra relevante mudança no mercado de entretenimento e telecomunicações foi a aprovação da compra da Warner no Brasil.

A norte-americana AT&T ficou pendente na Anatel durante anos, já que controlava a SKY no Brasil e comprou a WarnerMedia.

Na prática, a aquisição esbarrava na Lei do SeAC (Serviço de Acesso Condicionado), também conhecida como Lei da TV por assinatura, que proíbe uma corporação de controlar empresas de distribuição (SKY) e produção (Warner), ao mesmo tempo.

O argumento utilizado para derrubar o bloqueio foi que a WarnerMedia não era sediada no Brasil.

Mas, até a Anatel aceitar, até mesmo a família do presidente Jair Bolsonaro opinou sobre a questão e pressionou a aprovação da compra.

Falou-se até mesmo em mudar a Lei da TV por assinatura, considerada defasada.

A vez dos regionais e as redes neutras

Para finalizar, destacamos a participação cada vez mais expressiva dos provedores regionais no mercado de banda larga fixa.

A liderança veio em 2019, mas o ano de 2020 mostrou o quanto essas prestadoras se tornaram estratégicas, com reflexos até mesmo na Bolsa de Valores.

Deixamos aqui menções honrosas ao ambicioso projeto da Brisanet, que criou até mesmo franquia para cobrir o Nordeste de fibra óptica e a bilionária venda da Copel Telecom, por R$ 2,4 bilhões.

Agora, quem corre atrás de conquistar a liderança é a Oi, que fará da fibra óptica seu principal produto.

Mas, as grandes operadoras pensam nas redes neutras como estratégica. Vivo e TIM também planejam as suas, sem falar na própria empresa de infraestrutura da Oi, a InfraCo.

O que esperar de 2021?

Na TV por assinatura, a espera é uma por uma transformação. Afinal, não há mais cenário para insistir em um modelo tão defasado de negócio quanto o empacotamento.

As operadoras vão se render ao formato das IPTVs ou será mais um ano de patinação em meio a uma gigante perda de espaço para o digital?

A fibra óptica continuará sendo a “menina dos olhos” para o mercado, que provavelmente está em uma disputa ainda maior, mas também mais flexível, com a chegada das redes neutras.

Já a telefonia móvel precisa e deve se preparar para o 5G, cuja expectativa é por um ano de avanços em relação ao tema.

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