Coronavírus: Vice-presidente da TIM defende máximo isolamento

Executivo afirma que os meios digitais são os aliados fundamentais durante a crise.

Imagem: TIM/Divulgação

Diante dos efeitos negativos da pandemia do coronavírus, principalmente na Itália e no Brasil, Mario Girasole, atual vice-presidente de Assuntos Regulatórios e Institucionais da TIM, publicou um artigo em que ele defende uma melhor articulação entre estados e o governo federal, bem como a disciplina da população em limitar movimentos e deslocamentos.

Nascido em Nápoles, na Itália, e tendo se tornado também cidadão brasileiro, em 2016, Mario afirma que o surto de Covid-19 expôs a fragilidade sanitária do mundo globalizado atual.


Em seu país de origem, a doença tem gerado centenas de mortes por dia e tem levado o sistema de saúde à beira do colapso. Estima-se que 10% dos italianos afetados são os próprios médicos e enfermeiros. Portanto, ele reafirma o que dizem as autoridades que o máximo isolamento é o maior instrumento de combate ao vírus.

Ele defende, ainda, que deve existir um equilíbrio entre informação, conscientização e pânico, na fala das autoridades.

Por exemplo, neste mês, um comunicado vazado falava sobre o fechamento da Lombardia, uma região na Itália Setentrional. O erro de comunicação gerou apreensão da população local, o que fez muita gente correr para trens na tentativa de sair da área, gerando aglomeração e deslocamentos em massa.

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Por isso, deve haver um maior diálogo entre o Governo Federal e os poderes locais, para não criar desorientação. Algo que o Brasil precisa tomar cuidado, salienta Girasole.

O vice-presidente da TIM falou da importância da tecnologia e as telecomunicações para manter as relações de trabalho ou estudo.

Ele aproveitou para defender o uso das redes para monitorar o deslocamento de pessoas, para estudar a movimentação do fluxo de pessoas conforme os governos adotam medidas restritivas. Tal sistema será utilizado na cidade do Rio de Janeiro, por meio de uma parceria entre a TIM com a prefeitura local.

“A certeza que temos é que essa crise passará e deixará legados importantes nas relações pessoais, de trabalho e de estudo”, diz o executivo.

Confira, a seguir, o artigo de Mario Girasole na íntegra.

As pernas do Covid-19 e as lições da Itália

O novo coronavírus não tem pernas; somos nós as pernas do vírus. A relação parece intuitiva, mas as consequências para evitar drasticamente o contágio das pessoas e tratar os doentes exigem aprendizado rápido, aplicação assertiva dessas lições e disciplina de todos em seguir as orientações das autoridades de Saúde.

Meu país, a Itália, está aprendendo a lidar com a doença, pagando ainda um preço altíssimo de centenas de mortes por dia e um sistema de saúde à beira do colapso. Cerca de 10% dos afetados são médicos e enfermeiros, um tributo enorme dessas categorias. O que de mais valioso podemos dividir com o mundo segue a comunidade científica: o máximo isolamento é o maior instrumento de combate ao vírus.

A pandemia expõe a fragilidade sanitária do mundo globalizado. Mas a doença, além de viajar no espaço, viaja também no tempo. Estarmos, no Brasil, a algumas semanas do que ocorre hoje na Itália. E isso é uma oportunidade de aprendizado para limitar o potencial impacto em milhões de vidas. Podemos mudar o futuro!

A comunicação pública não pode ultrapassar o equilíbrio entre informação, conscientização e pânico. Este mês, vazou um comunicado sobre o fechamento da Lombardia, a região na Itália Setentrional mais atingida, o que provocou corrida noturna aos trens para sair da área. Ou seja, um erro de comunicação gerou aglomeração e deslocamento em massa, efeito contrário ao desejado.

O combate à doença exige diálogo e coordenação entre ações do Governo e de poderes locais. A Itália não é um país federal e, mesmo assim, num primeiro momento, a desarticulação entre regiões e estado central criou desorientação da população. O Brasil tem que tomar ainda mais cuidado nesse sentido.

No Brasil, medidas importantes, como restrições a comércio, escolas, transportes e entretenimento, estão sendo definidas em um estágio muito anterior ao que aconteceu na Itália, o que é crucial para o controle futuro do contágio. Porém, as medidas serão eficazes somente com a disciplina da população em limitar movimentos e deslocamentos.

Nessa crise, as tecnologias e as telecomunicações são suporte fundamental para a manutenção das relações profissionais, de estudo e de trabalho. Na Itália e no Brasil, as operadoras se movimentaram para garantir a estabilidade da conectividade, a difusão eficaz das informações, a produtividade do trabalho remoto e a continuidade profícua dos estudos.

As redes de telecomunicações móveis permitem a análise dos fluxos agregados e anônimos de deslocamento de pessoas para o transporte público ou grandes eventos. Assim como ocorre na Itália, seria importante adaptar, no Brasil, essas ferramentas para estudar a resposta de taxa de movimentação do fluxo de pessoas às medidas restritivas adotadas pelos governos.

A certeza que temos é que essa crise passará e deixará legados importantes nas relações pessoais, de trabalho e de estudo. Além da vacina do Covid-19, teremos novos anticorpos de consciência coletiva do impacto das nossas ações individuais e para o uso racional de recursos escassos, a começar pelo do nosso tempo. Os meios digitais são os aliados fundamentais dessa evolução.

Mário Girasole, italiano e brasileiro, é vice-presidente da TIM Brasil

About Hemerson Brandão
Jornalista, gestor e produtor de conteúdo. São 8 anos trabalhando com blogs, revistas, agências e clientes corporativos. Apaixonado por ciência, tecnologia e exploração espacial.
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