SIM Swap pode ter sido usada para invadir celular de Moro

Prática consiste em transferir a linha telefônica para um chip SIM diferente do que está no celular do usuário.

A invasão aos celulares dos procuradores da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, entre eles Deltan Dallagnol, e do ex-juiz Sérgio Moro, atual ministro da Justiça, com o posterior vazamento das mensagens trocadas entre eles pode ter ocorrido por vários motivos. Entre as possibilidades apontadas pelo pesquisador sênior de segurança da Kaspersky Lab, Fabio Assolini, estão o acesso físico ao aparelho, exploração de uma vulnerabilidade crítica, prática de SIM Swap, engenharia social ou ataque ao protocolo SS7.

Não é incomum o usuário deixar om aparelho sozinho e isso, segundo o especialista, facilita o chamado evil maid, em que o invasor com acesso físico o altera de alguma forma indetectável, instalando um trojan-spy (programa que espiona a forma como a pessoa usa o celular) ou um RAT (trojan para acesso remoto), por exemplo, para que possa acessar posteriormente o dispositivo ou os dados nele contidos.


EXECUÇÃO DE CÓDIGO REMOTO

Outra possibilidade citada por Assolini é a exploração de uma vulnerabilidade crítica com RCE (execução de código remoto), como a que ocorreu no WhatsApp recentemente. Falhas de “dia zero” são usadas contra alvos específicos. “Inclusive alguns sites brasileiros chegaram a cogitar essa possibilidade em ataques aos membros do Ministério Público Federal. Porém, acho pouco provável que isso tenha sido usado aqui, por um motivo: falhas assim custam alguns milhões.”

Há ainda a probabilidade de um ataque explorando vulnerabilidade do SS7, protocolo de sinalização telefônica inicialmente usado por agências de espionagem — para espionar Dilma Roussef em 2014, por exemplo —, mas que hoje qualquer hacker com conhecimento e vontade poderia fazê-lo. “Já foi usado em fraude bancária na Europa e sem dúvida vai aparecer por aqui também. As vulnerabilidades no SS7 permitem a interceptação de instant messengers também”, diz Assolini.

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Assolini diz que é muito comum também o uso do chamado SIM Swap, que consiste em transferir a linha telefônica para um chip SIM diferente do que está no celular do usuário. Normalmente, o hacker conta com ajuda de algum insider (infliltrado) na operadora de telefonia que ativa o número em outro SIM card. Mas há um problema, segundo ele: o número e os programas de mensagens instantâneas param de funcionar no momento em que o SIM swap é realizado, assim a vítima se dá conta rapidamente.

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A engenharia social, em que o criminoso obtém o código OTP (one-time-password) ou token, que é enviado por SMS, possibilitando ativar a conta em outro aparelho, é outra forma de ataque apontada pelo especialista da Kaspersky.

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About Erivelto Tadeu
Jornalista com mais de 30 anos de experiência, exercendo as funções de repórter, redator, editor, especializado nos setores de tecnologia da informação, internet e telecomunicações.
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