A SpaceX criticou duramente um plano da Comissão Europeia para a distribuição do espectro de satélites na Europa, alertando que a proposta atual pode afetar diretamente a conectividade de dispositivos móveis no continente nos próximos anos. A empresa de Elon Musk afirmou que as novas regras prejudicam companhias de fora da União Europeia, como a própria SpaceX, em benefício direto de operadoras locais do setor de telecomunicações via satélite.
Segundo a agência Bloomberg, que teve acesso a um posicionamento oficial da SpaceX, a Comissão Europeia quer reservar apenas um terço da faixa de 2GHz para empresas sediadas fora do bloco europeu, mantendo o restante reservado para companhias dentro da própria União Europeia, o que na prática limitaria a expansão do serviço Starlink na região e o acesso de operadoras estrangeiras ao mercado de satélites do continente.
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PARCERIAS E EXPANSÃO NA EUROPA
A SpaceX já construiu uma presença relevante na Europa nos últimos anos, firmando parcerias estratégicas para oferecer o serviço Starlink Direct to Device, conhecido como D2D, diretamente a clientes de operadoras parceiras em diversos países do continente. A nova proposta da Comissão Europeia é vista pela companhia como uma ameaça direta a esses planos de expansão, pelos seguintes motivos apontados no documento citado pela Bloomberg.
- Parceiros europeus: acordos com Deutsche Telekom (Alemanha) e Orange (França) para levar o Starlink D2D a clientes dessas operadoras.
- Divisão do espectro: a proposta separaria a faixa de 2GHz em partes consideradas “praticamente inutilizáveis” para operações comerciais em larga escala.
- Normas internacionais: a SpaceX afirma que o plano é inconsistente com regras internacionais de telecomunicações.
- Obrigações da Europa: segundo a empresa, a proposta não respeita as obrigações internacionais do bloco nem a realidade econômica do setor de satélites.

PREOCUPAÇÃO COM A CONECTIVIDADE NA UCRÂNIA
Outro ponto de atrito entre a SpaceX e a Comissão Europeia envolve a intenção do bloco de reservar frequências específicas para a constelação europeia de satélites IRIS2, voltada à soberania tecnológica do continente. Para a SpaceX, a proposta traz os seguintes riscos à conectividade via satélite, especialmente para a Ucrânia, país que depende do Starlink durante o conflito com a Rússia desde 2022.
Starlink concentra 61% da receita da SpaceX com 10,3 mi de clientes
- Risco para usuários europeus: cidadãos do continente podem ficar sem acesso a serviços diretos de satélite para celulares em áreas remotas.
- Interferência global: novas operações de satélite na Europa podem gerar interferência em escala internacional.
- Serviços de emergência: a interferência citada pela SpaceX inclui risco a serviços de emergência, como os utilizados atualmente na Ucrânia.
- Reserva para o IRIS2: parte do espectro ficaria reservada à constelação europeia, reduzindo o espaço disponível para concorrentes como o Starlink.
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O QUE DIZ A COMISSÃO EUROPEIA
Ao apresentar o plano de distribuição do espectro de satélites para o setor europeu de telecomunicações, a vice-presidente executiva da Comissão Europeia, Henna Virkkunen, defendeu a proposta com base em argumentos ligados à competitividade, à segurança e à soberania tecnológica do continente europeu, listados a seguir com mais detalhes sobre cada ponto.
- Diversificação de fornecedores: reservar parte do espectro a operadoras locais incentivaria a entrada de novas empresas no setor europeu de satélites.
- Competitividade europeia: a faixa de 2GHz é considerada essencial para reforçar a posição da Europa frente à concorrência internacional no setor espacial.
- Segurança e soberania: o plano se conecta à estratégia de soberania tecnológica do bloco, reduzindo a dependência de operadoras estrangeiras.
- Conectividade em áreas remotas: o espectro reservado garantiria conexão via satélite em regiões onde redes terrestres tradicionais não chegam.












