O uso de eSIM para conexão durante viagens internacionais avança rapidamente ao redor do mundo, mas o desempenho da tecnologia varia de forma significativa entre operadoras e destinos, segundo levantamento divulgado nesta semana. É o que aponta um novo estudo da Ookla, empresa especializada em testes e métricas de rede, que analisou dados globais do segundo trimestre de 2026.
De acordo com o levantamento, os eSIMs de viagem já representam 3,4% de toda a atividade de roaming internacional no mundo, alta em relação aos 2,7% registrados um ano antes. O crescimento das marcas voltadas a turistas superou a expansão geral do roaming no período, que ficou em 12%, segundo dados coletados até o fim de junho de 2026 pela própria Ookla.
A Ookla não revelou o ritmo exato de expansão do setor, mas afirmou que a atividade medida entre eSIMs de viagem de marcas conhecidas cresceu em ritmo de dois dígitos nos doze meses encerrados em junho de 2026. Esse avanço superou com folga a alta geral do roaming, evidenciando o apetite crescente dos viajantes por conectividade instantânea fora do país de origem, sem depender de chip físico.
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MERCADO EM EXPANSÃO
O estudo cita mais de 50 marcas de eSIM voltadas ao varejo, operando sobre uma quantidade menor de redes ao redor do mundo. Entre os nomes mencionados estão Holafly, CMLink, Airalo e Saily. A Airalo se declarou o primeiro unicórnio do mercado em julho do ano passado, após rodada de investimento de US$ 220 milhões liderada pela CVC, que avaliou a empresa em US$ 1 bilhão.
Já a Holafly, apontada pela Ookla como sua principal concorrente, anunciou em setembro ter ultrapassado US$ 500 milhões em receita acumulada. O crescimento do setor é impulsionado pelo aumento de smartphones compatíveis com eSIM, com a Apple como principal responsável por essa popularização, além da entrada de plataformas de viagem e empresas de fintech no mercado de conectividade.

COMO FUNCIONA O ROTEAMENTO
Apesar da popularização crescente, escolher um bom provedor de eSIM pode ser um desafio real para o consumidor final. Isso acontece porque o desempenho da conexão depende diretamente de decisões tomadas na camada de atacado da rede, algo completamente invisível para o viajante comum no momento da compra do plano de dados, mesmo entre marcas bem conhecidas do mercado.
Segundo a Ookla, dois turistas parados na mesma rua, conectados à mesma rede local, podem registrar tempos de resposta com diferença de até dez vezes, por conta de acordos comerciais de atacado dos quais nem sequer têm conhecimento. Entre os principais provedores de atacado que orquestram esses acordos ao redor do mundo estão:
- Hutchison (Áustria e Hong Kong)
- China Mobile Hong Kong
- KPN
- Orange
- Singtel
- Telna
- Webbing
- Transatel
- Proximus
- BICS
- Plus (Polônia)
- Sky (Reino Unido)
A pesquisa também mostrou que as marcas de eSIM trocam de fornecedor de atacado com frequência. Veja o que mudou no segundo trimestre deste ano:
| Marca | Mudança no 2º trimestre |
|---|---|
| Airalo | Aumentou uso da KPN e passou a operar também com a Telna |
| Holafly | Concentrou a operação na rede da Hutchison na Áustria |
| Ambas | Reduziram o uso da operadora francesa Orange |
DIFERENÇA DE ATÉ DEZ VEZES
O ponto decisivo para o desempenho final, no entanto, é o local exato onde o tráfego do eSIM sai para a internet global. Algumas operadoras adotam um modelo de saída única e centralizada, enquanto outras distribuem esse tráfego por núcleos regionais espalhados pelo mundo, o que tende a reduzir bastante a latência percebida pelo usuário final durante a viagem.
A chamada saída local verdadeira, quando o tráfego deixa a rede já dentro do próprio país visitado, ainda é rara, mas oferece a menor latência possível ao usuário. A Ookla citou o exemplo da rede japonesa Au, da KDDI, onde a latência média com roteamento local ficou em 54 milissegundos, contra 543 milissegundos quando o tráfego passava por Madri, mesmo com condições de rede idênticas.
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O QUE OBSERVAR NA HORA DE ESCOLHER
Para quem quer aproveitar o crescimento do mercado de eSIM sem abrir mão da qualidade da conexão, a Ookla recomenda observar alguns pontos antes de escolher um plano de viagem:
- Prefira operadoras com saída local: planos que utilizam saída local de atacado no destino tendem a ter a menor latência possível.
- Evite modelos de hub único: núcleos distribuídos e saídas regionais superam visivelmente as redes que concentram todo o tráfego em um único ponto.
- Pesquise sobre a rede visitada: operadoras que vendem eSIMs próprios com egresso local costumam superar boa parte do mercado em capacidade de resposta.
- Ponto de saída importa mais que a marca: o melhor eSIM de viagem para um destino específico é sempre aquele cuja porta de saída para a internet fica mais próxima do local visitado pelo turista.












