A SpaceX divulgou nesta semana um prospecto à SEC, regulador do mercado de capitais dos Estados Unidos, que revela pela primeira vez dados financeiros detalhados da Starlink, sua divisão de internet via satélite. O documento aponta que o serviço soma 10,3 milhões de assinantes e responde por 61% de toda a receita da companhia liderada por Elon Musk.
O levantamento foi motivado pelo processo de abertura de capital (IPO) da SpaceX na bolsa Nasdaq, protocolado em 20 de maio. Em 2025, a empresa registrou receita total de US$ 18,6 bilhões, crescimento de 33,2% em relação ao ano anterior. Mesmo assim, a companhia encerrou o período com prejuízo líquido de US$ 4,9 bilhões, revertendo o lucro de US$ 791 milhões registrado em 2024.
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STARLINK PUXA AS RECEITAS DA SPACEX
O desempenho financeiro da SpaceX em 2025 pode ser resumido nos seguintes números por divisão:
| Divisão | Receita (2025) | Lucro/Prejuízo operacional |
|---|---|---|
| Starlink (Conectividade) | US$ 11,4 bilhões | +US$ 4,42 bilhões |
| Espacial (lançamentos) | US$ 4 bilhões | -US$ 657 milhões |
| Inteligência Artificial | US$ 3,2 bilhões | -US$ 6,35 bilhões |
A Starlink foi a única divisão lucrativa, com Ebitda ajustado de US$ 7,1 bilhões — crescimento de 86,2% na comparação anual. No primeiro trimestre de 2026, a participação da conectividade na receita total avançou ainda mais, chegando a 69% do faturamento consolidado da SpaceX.
BASE DE ASSINANTES MAIS QUE DOBRA EM UM ANO
O crescimento da Starlink em número de clientes foi expressivo ao longo dos últimos anos. Ao fechar 2025, a operadora contava com 8,9 milhões de assinantes globais — mais do que o dobro dos 4,4 milhões de 2024. No primeiro trimestre de 2026, foram adicionados cerca de 1,4 milhão de novos acessos, levando a base a 10,3 milhões de clientes em março.

O documento entregue à SEC esclarece que a contagem refere-se a “service lines” — instâncias individuais de serviço associadas a um terminal —, não necessariamente a usuários únicos. Uma mesma pessoa ou empresa pode manter múltiplas linhas ativas, e os planos contemplados incluem os residenciais, de mobilidade (Roam) e empresariais, excluindo contratos governamentais e de aviação.
BRASIL É CITADO COMO FATOR DE RISCO
No campo dos fatores de risco, a SpaceX menciona explicitamente o Brasil. O documento lembra que, em agosto de 2024, a Starlink teve ativos financeiros bloqueados por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF) após uma disputa envolvendo a rede social X — na época, ainda um negócio separado de Elon Musk. A empresa alerta que situações semelhantes podem se repetir, sem garantia de recuperação dos valores.
Atualmente, a Starlink prepara conexão direta via satélite no celular no Brasil e conta com mais de 1 milhão de assinantes no país, segundo dados da própria empresa. Os registros junto à Anatel apontam base menor, de cerca de 704,7 mil clientes até março, em função de diferenças metodológicas na contabilização dos acessos.
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RECEITA POR USUÁRIO CAI MESMO COM CRESCIMENTO
Apesar do avanço da base, a receita média por usuário (ARPU) da Starlink segue em queda ano após ano:
- 2023: US$ 99 por assinante/mês
- 2024: US$ 91 por assinante/mês
- 2025: US$ 81 por assinante/mês
- 1º trimestre de 2026: US$ 66 por assinante/mês
A tendência reflete a expansão internacional e a oferta de planos mais acessíveis para mercados emergentes — movimento que inclusive resultou em reajuste de preços nos planos em algumas regiões. Para compensar a pressão sobre a margem, a SpaceX reduziu em 59% o custo médio de fabricação dos terminais desde 2022 e oferece velocidades medianas de 225 Mbps no horário de pico para usuários residenciais.












