Reprodução/ChatGPT

SpaceX acusa Amazon Leo de criar riscos de colisão

Cristino Melo
5 min de leitura

A SpaceX entrou em conflito regulatório com a Amazon Leo ao protocolar uma queixa formal junto à FCC no dia 1º de abril de 2026. A empresa de Elon Musk, que busca avaliação de US$ 2 trilhões antes de um IPO histórico, alega que os lançamentos da Amazon Leo violam planos aprovados de mitigação de detritos orbitais, criando riscos de colisão no espaço.

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A disputa envolve órbitas de baixa altitude (LEO), segmento central para serviços de internet via satélite que concorrem diretamente no mercado brasileiro e global. A reclamação aponta que a Amazon Leo inseriu satélites entre 50 e 90 km acima da altitude autorizada, acima dos 450 km, sem submeter qualquer plano revisado à FCC.

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Segundo a SpaceX, isso ocorreu em oito lançamentos distintos, contrariando o que a Amazon havia informado ao regulador: que a inserção ocorreria “próxima a 400 km de altitude”. A empresa contou ainda com a provedora de lançamentos Arianespace nas operações contestadas.

O episódio mais crítico foi o lançamento de 12 de fevereiro de 2026, com o foguete Ariane 6. A SpaceX afirma que a inserção dos satélites naquela altitude gerou riscos de colisão “não mitigáveis” com dezenas de espaçonaves operacionais.

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Como consequência, somente os satélites Starlink precisaram realizar 30 manobras de desvio em poucas horas após o lançamento. A SpaceX exigiu que a Amazon adeque seus planos “antes de causar danos irreparáveis”.

Em resposta protocolada na FCC no dia 2 de abril, a Amazon Leo negou qualquer violação e afirmou ter sido transparente com o regulador. A empresa verificou sua postura de risco junto à SpaceNav, empresa do Colorado especializada em colisões entre satélites, confirmando estar dentro dos padrões da indústria.

A Amazon Leo argumentou que a raiz do problema está na própria SpaceX, que teria rebaixado milhares de satélites Starlink para órbitas na faixa dos 480 km. Essa altitude é justamente a que a Amazon Leo utiliza para inserção inicial de seus satélites, criando a sobreposição que originou o conflito. A rivalidade entre as duas empresas vai além do espaço: a Amazon estuda a compra da Globalstar para rivalizar ainda mais diretamente com a Starlink.

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Amazon Leo Starlink internet satélite
Divulgação/Amazon

CONTRADIÇÃO NO ARGUMENTO DA SPACEX

Um ponto que enfraquece a argumentação da SpaceX é que o próprio foguete Falcon 9 da empresa realizou três dos oito lançamentos contestados, em julho, agosto e outubro de 2025, todos na altitude de 460 km. A SpaceX não levantou objeções durante nenhum desses lançamentos.

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“A SpaceX só começou a levantar as questões descritas em sua carta nos últimos meses”, afirmou a Amazon em sua resposta à FCC. A Amazon Leo também revelou que tentou propor uma solução negociada para manter seu cronograma enquanto endereçava as preocupações da rival.

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Segundo a Amazon, a proposta foi rejeitada e a SpaceX não apresentou alternativas. “A SpaceX declinou esta proposta e não sugeriu soluções alternativas”, registrou a Amazon no documento enviado à FCC. A disputa expõe tensões crescentes entre as duas maiores apostas para internet via satélite, com impacto direto na conectividade de países como o Brasil.

RIVALIDADE E CONTEXTO DO MERCADO

A Starlink já conta com mais de 10.000 satélites em órbita baixa e mais de 10 milhões de clientes ativos, com presença consolidada no Brasil, especialmente em regiões rurais e remotas. A Amazon Leo planeja uma constelação de 3.236 satélites, mas em janeiro de 2026 havia colocado apenas 180 unidades em órbita.

A previsão é chegar a 700 satélites até julho de 2026. Para isso, a Amazon Leo pediu à FCC uma extensão de 24 meses para cumprir a meta de implantação da primeira metade de sua constelação, reconhecendo dificuldades no ritmo de lançamentos.

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