A SpaceX entrou em conflito regulatório com a Amazon Leo ao protocolar uma queixa formal junto à FCC no dia 1º de abril de 2026. A empresa de Elon Musk, que busca avaliação de US$ 2 trilhões antes de um IPO histórico, alega que os lançamentos da Amazon Leo violam planos aprovados de mitigação de detritos orbitais, criando riscos de colisão no espaço.
A disputa envolve órbitas de baixa altitude (LEO), segmento central para serviços de internet via satélite que concorrem diretamente no mercado brasileiro e global. A reclamação aponta que a Amazon Leo inseriu satélites entre 50 e 90 km acima da altitude autorizada, acima dos 450 km, sem submeter qualquer plano revisado à FCC.
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Segundo a SpaceX, isso ocorreu em oito lançamentos distintos, contrariando o que a Amazon havia informado ao regulador: que a inserção ocorreria “próxima a 400 km de altitude”. A empresa contou ainda com a provedora de lançamentos Arianespace nas operações contestadas.
O episódio mais crítico foi o lançamento de 12 de fevereiro de 2026, com o foguete Ariane 6. A SpaceX afirma que a inserção dos satélites naquela altitude gerou riscos de colisão “não mitigáveis” com dezenas de espaçonaves operacionais.
Como consequência, somente os satélites Starlink precisaram realizar 30 manobras de desvio em poucas horas após o lançamento. A SpaceX exigiu que a Amazon adeque seus planos “antes de causar danos irreparáveis”.
AMAZON REBATE E APONTA CULPA DA STARLINK
Em resposta protocolada na FCC no dia 2 de abril, a Amazon Leo negou qualquer violação e afirmou ter sido transparente com o regulador. A empresa verificou sua postura de risco junto à SpaceNav, empresa do Colorado especializada em colisões entre satélites, confirmando estar dentro dos padrões da indústria.
A Amazon Leo argumentou que a raiz do problema está na própria SpaceX, que teria rebaixado milhares de satélites Starlink para órbitas na faixa dos 480 km. Essa altitude é justamente a que a Amazon Leo utiliza para inserção inicial de seus satélites, criando a sobreposição que originou o conflito. A rivalidade entre as duas empresas vai além do espaço: a Amazon estuda a compra da Globalstar para rivalizar ainda mais diretamente com a Starlink.
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CONTRADIÇÃO NO ARGUMENTO DA SPACEX
Um ponto que enfraquece a argumentação da SpaceX é que o próprio foguete Falcon 9 da empresa realizou três dos oito lançamentos contestados, em julho, agosto e outubro de 2025, todos na altitude de 460 km. A SpaceX não levantou objeções durante nenhum desses lançamentos.
“A SpaceX só começou a levantar as questões descritas em sua carta nos últimos meses”, afirmou a Amazon em sua resposta à FCC. A Amazon Leo também revelou que tentou propor uma solução negociada para manter seu cronograma enquanto endereçava as preocupações da rival.

Segundo a Amazon, a proposta foi rejeitada e a SpaceX não apresentou alternativas. “A SpaceX declinou esta proposta e não sugeriu soluções alternativas”, registrou a Amazon no documento enviado à FCC. A disputa expõe tensões crescentes entre as duas maiores apostas para internet via satélite, com impacto direto na conectividade de países como o Brasil.
RIVALIDADE E CONTEXTO DO MERCADO
A Starlink já conta com mais de 10.000 satélites em órbita baixa e mais de 10 milhões de clientes ativos, com presença consolidada no Brasil, especialmente em regiões rurais e remotas. A Amazon Leo planeja uma constelação de 3.236 satélites, mas em janeiro de 2026 havia colocado apenas 180 unidades em órbita.
A previsão é chegar a 700 satélites até julho de 2026. Para isso, a Amazon Leo pediu à FCC uma extensão de 24 meses para cumprir a meta de implantação da primeira metade de sua constelação, reconhecendo dificuldades no ritmo de lançamentos.












