A corrida pela internet via satélite ganhou mais um competidor. A startup francesa Univity anunciou nesta quinta-feira (23) a captação de €27 milhões em uma rodada Série A para avançar no desenvolvimento de sua constelação de satélites chamada uniSky, voltada para órbita muito baixa (VLEO, na sigla em inglês). O objetivo da empresa é oferecer conectividade de alta velocidade e baixa latência diretamente às operadoras de telecomunicações, posicionando a Europa como protagonista em um mercado hoje dominado por gigantes americanas.
Leia mais:
- Os 10 melhores celulares à prova d’água em 2026
- Apple anuncia Tim Cook fora do cargo e confirma novo CEO para 2026
- Irã prende estrangeiros por importar Starlink
A Univity foi fundada em 2022 e planeja lançar uma frota de até 3.400 satélites a cerca de 375 km de altitude. O aporte foi liderado pelo clube de investimento francês Blast, com participação do fundo Expansion, criado por ex-funcionários do banco digital Revolut, e do programa Deeptech 2030, um fundo de €5 bilhões gerido pelo banco estatal francês Bpifrance. Esse investimento se soma aos €31 milhões concedidos pelo Centro Nacional de Estudos Espaciais da França (CNES) em setembro de 2025.
COMO A TECNOLOGIA FUNCIONA
Os principais diferenciais técnicos da Univity em relação aos concorrentes são:
- Órbita VLEO (375 km de altitude): operar mais perto da Terra reduz a latência e melhora o desempenho do sinal, especialmente para dispositivos pequenos como smartphones. A Starlink, por comparação, opera a cerca de 550 km.
- Espectro 5G das operadoras terrestres: os satélites utilizam as frequências 5G que as operadoras já licenciaram, eliminando a necessidade de antenas especiais ou hardware proprietário.
- Compatibilidade 5G NTN (Non-Terrestrial Network): a tecnologia integra redes satelitais e terrestres de forma nativa, algo cada vez mais buscado pelas operadoras ao redor do mundo.
- Conectividade direta para smartphones: semelhante ao modelo da AST SpaceMobile, os satélites se conectam a dispositivos não modificados usando as bandas de frequência das próprias operadoras.

MODELO B2B: INFRAESTRUTURA PARA OPERADORAS
Diferentemente da Starlink, que vende seus serviços diretamente ao consumidor final, a Univity adota um modelo B2B de infraestrutura grossista (wholesale). Na prática, a startup não competirá com as operadoras tradicionais, mas sim será fornecedora delas, oferecendo a base espacial para que empresas como Vivo, Claro ou TIM possam expandir suas redes 5G para regiões remotas sem precisar lançar seus próprios satélites. É, em essência, o equivalente às torres de celular no espaço.
| Característica | Starlink / Amazon Kuiper | Univity |
|---|---|---|
| Público-alvo | Consumidor final e empresas | Operadoras de telecomunicações |
| Integração | Requer hardware próprio (antena) | Usa o espectro 5G das operadoras |
| Altitude | LEO (550 km+) | VLEO (~375 km) |
| Origem | EUA | Europa (França) |
| Modelo de negócio | B2C e B2B | B2B wholesale |
Charles Delfieux, CEO e fundador da Univity, resume a proposta: “Estamos construindo a infraestrutura espacial de referência para operadoras de telecomunicações, cobrindo toda a gama de necessidades de conectividade, desde banda larga de ultra-alta velocidade até conectividade direta para smartphones. A convergência entre redes terrestres e espaciais é inevitável.” Com isso, a empresa mira não apenas eficiência técnica, mas também a soberania digital europeia, reduzindo a dependência do continente de soluções americanas ou chinesas para comunicações críticas.
Quer acompanhar tudo em primeira mão sobre o mundo das telecomunicações? Siga o Minha Operadora no Canal no WhatsApp, Instagram, Facebook, X e YouTube e não perca nenhuma atualização, alerta, promoção ou polêmica do setor!
PROGRAMA UNISHAPE E PRÓXIMOS PASSOS
Os recursos da Série A serão destinados ao programa de demonstração tecnológica chamado uniShape, desenvolvido em parceria com o CNES. A iniciativa prevê a montagem, integração, teste e operação em órbita de dois satélites VLEO 5G, com o objetivo de validar um serviço completo de ponta a ponta, incluindo a conectividade direta para smartphones. Segundo a empresa, se bem-sucedido, o demonstrador será uma primeira mundial em conectividade 5G NTN baseada em VLEO.
O cronograma prevê que a fase de operação dos satélites demonstradores ocorra entre abril de 2026 e fevereiro de 2028, quando a Univity espera estar pronta para escala industrial e comercial. O mercado de internet via satélite está cada vez mais disputado: além da Starlink e do Amazon Kuiper, há ainda a AST SpaceMobile, a Lynk Global e o consórcio europeu IRIS2, coordenado pela UE com empresas como SES, Eutelsat, Airbus, Thales e Deutsche Telekom. Nesse cenário, a capacidade de oferecer conectividade competitiva a preços acessíveis e com integração nativa a redes 5G será o verdadeiro teste da Univity.












