A Amazon está em negociações para adquirir a Globalstar, empresa americana de telecomunicações via satélite, em um acordo avaliado em cerca de US$ 9 bilhões. As conversas foram reveladas pelo Financial Times no início de abril de 2026 e têm como objetivo fortalecer a rede de satélites de órbita baixa (LEO) da gigante do e-commerce, que busca rivalizar diretamente com a Starlink, da SpaceX, no mercado global de internet via satélite, incluindo o Brasil.
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O QUE ESTÁ EM JOGO NAS NEGOCIAÇÕES
As negociações ainda estão em andamento e envolvem pontos complexos que precisam ser resolvidos entre as partes. Os principais entraves incluem:
- Participação acionária da Apple: a empresa detém 20% da Globalstar, adquirida por meio de um investimento de US$ 1,5 bilhão realizado em 2024, o que exige negociações paralelas com a fabricante do iPhone
- Serviço Direct-to-Device (D2D): a Apple usa a infraestrutura da Globalstar para oferecer envio de mensagens de emergência via satélite nos iPhones, permitindo contato com serviços de socorro mesmo sem cobertura celular
- Valuation do negócio: o acordo pode ser avaliado em até US$ 9 bilhões, mas as partes ainda discutem os termos finais, e as negociações podem não resultar em acordo
GLOBALSTAR E OS PLANOS DE EXPANSÃO ESPACIAL DA AMAZON
Do ponto de vista da Amazon, a aquisição da Globalstar representaria um salto significativo em seus planos de conectividade espacial. O Amazon Leo prevê uma constelação de 3.236 satélites para atender clientes residenciais e empresariais. Ao incorporar a Globalstar, a Amazon ganharia acesso imediato a ativos operacionais, espectro de radiofrequência e, principalmente, à relação estratégica com a Apple.
Veja como as duas redes se comparam atualmente:
| Amazon Leo | Globalstar | |
|---|---|---|
| Satélites em operação | 180 (jan/2026) | 24 |
| Meta de expansão | 700 até jul/2026 | 48 (plataforma C-3) |
| Constelação total planejada | 3.236 satélites | 54 (C-3 + reservas) |
| Foco principal | Residencial e empresarial | D2D e IoT (Apple) |
Vale lembrar que o Amazon Leo já havia pedido à FCC uma extensão de 24 meses para o lançamento dos primeiros 1.618 satélites, sinalizando que o cronograma original estava pressionado. A incorporação dos ativos da Globalstar poderia aliviar parte dessa pressão competitiva.
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A DISPUTA COM A SPACEX E O CONTEXTO DO SETOR
A corrida pela Globalstar reflete uma batalha estratégica mais ampla no setor espacial. Em outubro de 2025, a Bloomberg já havia reportado que a empresa explorava uma venda e havia mantido conversas iniciais com a SpaceX e outros potenciais compradores. A SpaceX opera a Starlink com mais de 9.500 satélites em órbita e seria a principal rival da Amazon nesse mercado. Uma eventual compra pela Amazon bloquearia um ativo estratégico importante para o concorrente de Elon Musk.

DESEMPENHO FINANCEIRO DA GLOBALSTAR
A Globalstar encerrou 2025 com resultados sólidos, apesar de registrar prejuízo no último trimestre:
- Receita anual 2025: US$ 273 milhões, crescimento de 9% em relação a 2024
- Receita no Q4 2025: US$ 72 milhões, sendo US$ 67,4 milhões de receita de serviços
- Prejuízo líquido no Q4: US$ 11,6 milhões
- Projeção para 2026: entre US$ 280 milhões e US$ 305 milhões
As ações da Globalstar dispararam mais de 24% após a divulgação das negociações com a Amazon, atingindo a máxima em 18 anos e acumulando alta de 231% nos últimos 12 meses.












