A Anatel abriu, nesta sexta-feira (27), a Consulta Pública nº 9 para receber contribuições sobre o pedido da Starlink de ampliação das faixas de frequências autorizadas no Brasil. A solicitação foi protocolizada pela empresa Starlink Brazil Holding LTDA., representante legal da operadora de satélites Space Exploration Holdings LLC, de Elon Musk. O objetivo é permitir que a constelação utilize novas bandas de espectro para melhorar a capacidade e a qualidade do serviço de internet via satélite no país.
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Quais frequências estão em jogo
O processo trata da alteração do Direito de Exploração de Satélite Estrangeiro do sistema Starlink para incluir novas faixas nas bandas Ku, Ka, Q e V. Abaixo, as frequências solicitadas:
| Tipo de enlace | Faixas solicitadas (GHz) |
|---|---|
| Subida (uplink) | 12,70–13,25 / 13,75–14,00 / 14,50–14,80 / 15,43–15,63 / 29,10–29,50 / 47,20–50,20 / 50,40–51,40 |
| Descida (downlink) | 17,70–17,80 / 18,60–18,80 / 19,30–20,20 / 37,50–39,50 / 40,00–42,50 |
A Anatel destacou que o sistema Starlink é classificado como de grande porte, “composto por mais de mil satélites” não geoestacionários. Em abril de 2025, a agência já havia aprovado a ampliação da constelação para até 7.500 novos satélites operando no país, além de já ter autorizado a inclusão de novas frequências em processos anteriores.
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O que a consulta pública busca
Segundo a Anatel, a Consulta Pública nº 9 tem como objetivo coletar manifestações para “promover a ampla e justa competição” e garantir o acesso por diferentes agentes econômicos ao mercado. A agência solicita especificamente contribuições sobre dois pontos:
- Limites e condições que possam se aplicar ao Direito de Exploração de Satélite a ser conferido, respeitando o arcabouço regulatório vigente
- Adequação das faixas solicitadas às aplicações que a Starlink pretende desenvolver no Brasil
As contribuições devem ser enviadas exclusivamente pelo sistema Participa Anatel, disponível em sistemas.anatel.gov.br/participa, até o dia 9 de março de 2026. O prazo é de dez dias corridos a partir da publicação no Diário Oficial da União, edição 39, seção 1, página 14. Após análise pela agência, as manifestações permanecerão disponíveis ao público na plataforma.
Brasil, segundo maior mercado da Starlink
O Brasil é peça-chave na estratégia de crescimento da Starlink. Em janeiro de 2026, a empresa anunciou ter alcançado a marca de 1 milhão de assinantes ativos no país, consolidando o Brasil como o segundo maior mercado da companhia no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.
Esse crescimento reforça a justificativa técnica do pedido de novas faixas. Com mais usuários e a chegada da geração V3 de satélites, a Starlink precisa de mais espectro para manter a qualidade do serviço. O presidente da Anatel já sinalizou que o Brasil pode liderar o uso da Starlink diretamente em celulares, tornando a ampliação ainda mais estratégica.
AST SpaceMobile também entra no radar da Anatel
Também nesta sexta-feira (27), a Anatel publicou a Consulta Pública nº 8, relativa ao pedido de direito de exploração da AST SpaceMobile nas faixas de 1.995 a 2.010 MHz (subida) e 2.185 a 2.200 MHz (descida) na Banda S. Diferentemente do caso da Starlink, a SpaceMobile solicita o início de operações no Brasil — não uma ampliação de licença já existente.
A agência destacou que a convivência entre sistemas móveis por satélite em uma mesma faixa pode ser complexa, especialmente com o uso de antenas não direcionais. O cenário reforça um movimento mais amplo de internacionalização do mercado de satélites no Brasil: além da SpaceMobile, a rival chinesa SpaceSail também ganhou prazo recente para iniciar operações no país, ampliando a disputa pelo espectro disponível. O prazo para envio de contribuições para ambas as consultas é o mesmo: 9 de março de 2026.












