Imagem: Reuters/Reprodução

SpaceSail, rival chinesa da Starlink, ganha prazo para entrar no Brasil

Na decisão de outorgar a empresa, a Anatel estabeleceu o prazo de dois anos para implantação de atividades no país.

Goodanderson Gomes
4 min de leitura
Imagem: Reuters/Reprodução

Depois de um período de análise, a Anatel aprovou a entrada do sistema espacial chinês SpaceSail no Brasil e estabeleceu um prazo de até dois anos para que a empresa inicie a oferta de internet via satélite no país. 

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A autorização foi concedida pelo Conselho Diretor da agência e prevê que, caso o projeto não comece a operar dentro do período estipulado, o aval poderá ser revisto ou até cancelado.

A decisão insere um novo competidor no mercado brasileiro de conectividade por órbita baixa, hoje liderado pela Starlink, de Elon Musk. Em uma matéria recente, já haviamos noticiado essa possibilidade.

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O movimento ocorre em um momento de expansão acelerada da banda larga satelital, especialmente em regiões remotas e áreas com baixa cobertura de redes terrestres.

Autorização parcial e metas técnicas

Embora o pedido original previsse uma constelação maior, a Anatel autorizou inicialmente a operação de até 324 satélites não geoestacionários, metade do volume solicitado. A exploração do sistema está autorizada até 31 de julho de 2031.

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Para que a operação seja considerada efetivamente iniciada, pelo menos 10% dos satélites aprovados deverão estar em órbita e em condições de funcionamento. O SpaceSail atuará em faixas de frequência como Ku e Q/V, utilizando satélites em órbita baixa (LEO), a cerca de 1.160 quilômetros de altitude.

A proposta é oferecer internet via satélite para usuários residenciais, atender aplicações de internet das coisas (IoT) e fornecer capacidade de backhaul para redes móveis.

Exigências regulatórias e coordenação internacional

A autorização também impõe obrigações regulatórias. A empresa deverá apresentar à Anatel o parecer definitivo da União Internacional de Telecomunicações (UIT) sobre limites de interferência. 

Caso haja restrições técnicas ou necessidade de ajustes, o uso das frequências poderá ser condicionado a novas adequações.

Além disso, a operadora terá de enviar relatórios anuais à agência, detalhando a implantação da infraestrutura e a evolução da cobertura. 

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A Anatel entendeu que não seria necessária consulta pública para o pedido, uma vez que o projeto não se enquadra como megaconstelação, uma classificação atribuída a sistemas com mais de mil satélites.

Com a aprovação do SpaceSail, o Brasil passa a contar com 15 sistemas não geoestacionários autorizados.

Mercado em expansão e aumento da concorrência

Os dados mais recentes indicam que a internet via satélite soma mais de 806 mil acessos no Brasil, número significativamente superior aos cerca de 190 mil registrados em 2018. Ainda assim, o segmento representa aproximadamente 1,5% do total de conexões de banda larga fixa no país.

A entrada de novos operadores, como o SpaceSail, tende a intensificar a concorrência com a Starlink e demais empresas que atuam com constelações de órbita baixa. 

Especialistas do setor avaliam que o aumento da competição pode ampliar a oferta de cobertura em regiões isoladas e estimular disputas por preço e qualidade de serviço.

Nos próximos dois anos, o avanço do cronograma de implantação será determinante para consolidar o projeto chinês no mercado brasileiro. 

Caso cumpra as exigências regulatórias e técnicas dentro do prazo, o SpaceSail poderá se tornar mais um ator relevante na corrida pela expansão da internet via satélite no país.

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