Divulgação/Telefónica

Bilionário francês e Millicom compram Telefónica Chile por US$ 1,2 bi

Cristino Melo
5 min de leitura
Telefonica venezuela vivo
Divulgação/Telefónica

A Millicom se uniu ao bilionário francês Xavier Niel para adquirir a Telefónica Chile em uma operação avaliada em US$ 1,215 bilhão, concluída nesta terça-feira. O negócio acelera a estratégia de saída da operadora espanhola da América Latina hispânica e consolida a expansão regional da Millicom, que opera sob a marca Tigo.

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Estrutura da operação

A aquisição foi estruturada por meio de um veículo de investimento conjunto controlado em 51% pela NJJ Holding, empresa de Xavier Niel, e 49% pela Millicom. Apesar de ser acionista minoritária, a Millicom terá controle operacional total desde o primeiro dia. A estrutura permite que a companhia expanda sua presença na América do Sul sem comprometer seu balanço financeiro.

O acordo prevê uma opção de compra para a Millicom adquirir a participação da NJJ entre o quinto e sexto ano após o fechamento, com pagamento em dinheiro ou ações da Millicom, aplicando 10% de desconto sobre os múltiplos de negociação da empresa. Caso a Millicom não exerça a opção, a NJJ poderá comprar a participação da Millicom usando a mesma metodologia.

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Valores e pagamentos

ComponenteValor
Avaliação totalUS$ 1,215 bilhão
Dívida líquida€479 milhões (US$ 571 milhões)
Pagamento inicialUS$ 50 milhões
Pagamento diferidoUS$ 340 milhões
Earn-out potencialUS$ 150 milhões

A Telefónica receberá US$ 50 milhões iniciais e um pagamento diferido de US$ 340 milhões baseado nos resultados financeiros da operação chilena. Há ainda a possibilidade de um pagamento adicional de US$ 150 milhões vinculado a marcos específicos no mercado de telecomunicações do Chile.

“Esta transação reflete a abordagem disciplinada e pragmática da Millicom para criação de valor de longo prazo na América Latina”, afirmou Marcelo Benitez, CEO da Millicom. Segundo ele, a parceria com a NJJ permite combinar forças complementares preservando disciplina financeira, proteção do balanço e flexibilidade estratégica.

O mercado chileno

A Telefónica Chile é a terceira maior operadora móvel do país, com aproximadamente 5,4 milhões de clientes e cerca de 20% de participação de mercado. A empresa também detém quase 40% do mercado de banda larga em fibra óptica do Chile. Nos primeiros nove meses de 2025, a operação gerou receitas de €1,07 bilhão e EBITDA de €194 milhões.

Participação de mercado no Chile:

  • Entel: 35%
  • WOM: 25%
  • Telefónica Chile (Movistar): 20%
  • Claro: 19%

Com a aquisição, a Millicom passa a operar em dez mercados latino-americanos, competindo no Chile com Entel, WOM e Claro. A operadora promete aplicar seu playbook operacional para estabilizar e fortalecer o ativo, investindo em modernização de rede e serviços digitais.

Estratégia de saída da América Latina

Para a Telefónica, esta é a segunda saída importante da América Latina em menos de uma semana. Na quinta-feira passada, a empresa completou a venda de sua operação na Colômbia, também para a Millicom. O movimento está alinhado à estratégia do CEO Marc Murtra, que assumiu em janeiro de 2025, de reduzir a exposição em mercados hispânicos da região para focar em Espanha, Brasil, Alemanha e Reino Unido.

A venda para Millicom e NJJ preserva o número atual de players no mercado chileno, evitando consolidação que exigiria maior escrutínio regulatório. Esta estrutura permitiu que todas as partes concluíssem o negócio rapidamente – a transação foi assinada e fechada no mesmo dia do anúncio.

Outros interessados

Outros interessados haviam demonstrado interesse na Telefónica Chile. A America Movil, do México, chegou a considerar entrar no Chile em parceria com a Entel, ex-estatal, mas abandonou a ideia em dezembro. A operadora local WOM também teria apresentado oferta, segundo a imprensa chilena.

O que resta na América Latina

Da presença latino-americana da Telefónica, restam agora Brasil, México e Venezuela. O Brasil, mercado estratégico da companhia, não será vendido. Já para o México, relatórios de meados de 2024 indicavam negociações em andamento com várias partes interessadas. A Venezuela deve aguardar estabilização da situação política antes de qualquer movimentação.

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