
A Claro registrou nesta terça-feira (10), um crescimento de 6,1% na receita líquida do quarto trimestre de 2025, impulsionada pelo avanço expressivo dos serviços móveis e estratégias agressivas de portabilidade, visando consolidar sua liderança e rentabilidade no mercado brasileiro de telecomunicações. O balanço financeiro detalhado reforça a solidez da companhia, que conseguiu expandir sua base de clientes e aumentar o faturamento médio por usuário no encerramento do último ano fiscal.
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Resultados Financeiros e Eficiência Operacional
No consolidado de 2025, a receita líquida da companhia atingiu o patamar de R$ 51,8 bilhões, representando uma evolução de 5,9% na comparação com o ano anterior. O lucro operacional também apresentou números robustos, com o EBITDA do quarto trimestre somando R$ 6,03 bilhões, uma alta de 6,6% frente ao mesmo período de 2024. A margem EBITDA encerrou o ano em 45,1%, evidenciando uma gestão focada na eficiência de custos e na maximização do retorno sobre os investimentos realizados em infraestrutura de rede.
🔎 ênfase: EBITDA é a sigla para Lucro antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização. É um indicador essencial para medir a eficiência operacional e a geração de caixa de uma empresa, desconsiderando efeitos financeiros.
| Indicador (R$ Milhões) | 4T25 | 4T24 | Var. % | 12M 2025 | 12M 2024 | Var. % |
| Receita Líquida Total | 13.411 | 12.642 | 6,1% | 51.812 | 48.915 | 5,9% |
| Receita Móvel | 7.234 | 6.722 | 7,6% | 28.215 | 26.035 | 8,4% |
| EBITDA | 6.030 | 5.655 | 6,6% | 23.387 | 21.753 | 7,5% |
| Margem EBITDA | 45,0% | 44,7% | 0,3 p.p | 45,1% | 44,5% | 0,6 p.p |
Domínio no Segmento Móvel e Conectividade 5G
O segmento móvel foi o grande motor da Claro no trimestre, gerando uma receita de R$ 7,2 bilhões, um avanço de 7,6%. Esse resultado foi sustentado pela liderança contínua em portabilidade numérica, com um saldo positivo de 775 mil linhas no ano, e pela migração acelerada de clientes para planos mais robustos. A operadora encerrou 2025 com 89,5 milhões de clientes móveis, dos quais 58,4 milhões pertencem ao segmento pós-pago, que oferece maior fidelidade e margens superiores para a operação.
🔎 ARPU: Sigla para Average Revenue Per User, ou Receita Média por Usuário. Este índice indica quanto cada cliente gasta, em média, com os serviços da operadora, sendo um termômetro vital de rentabilidade.
Na tecnologia 5G, a empresa manteve sua posição de destaque ao contabilizar 20,7 milhões de clientes em 2025, o que lhe garante uma participação de mercado de 35,6%. O aumento de 5,9% no ARPU móvel reflete justamente essa transição tecnológica, com usuários consumindo mais dados e serviços de valor agregado. A estratégia de focar no pós-pago, que já representa 65,3% da base total, mostra-se acertada para manter o crescimento sustentável da receita em um mercado altamente competitivo.
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Serviços Residenciais e a Recuperação da TV Paga
No mercado residencial, a operadora registrou 112,5 mil adições líquidas em banda larga fixa apenas no quarto trimestre. Com uma participação de mercado de 19,7%, a empresa lidera o setor nacional, destacando-se especialmente nas velocidades acima de 500 Mbps, onde detém 23% de share. A receita de banda larga residencial cresceu 2,6%, impulsionada pelo aumento da base e pela oferta de soluções de conectividade premium, como o Wi-Fi 6, que melhora a experiência do usuário final.
🔎 Adições Líquidas: Refere-se ao saldo real de crescimento da base de clientes em um período, calculado subtraindo-se o número de cancelamentos (churn) do total de novas vendas realizadas.
Um dos marcos mais surpreendentes do relatório foi o desempenho da TV por assinatura. Pela primeira vez em dez anos, a Claro registrou adições líquidas positivas nesse segmento durante o quarto trimestre de 2025. A companhia, que detém 46,6% de participação no mercado de TV paga, atribui esse sucesso à sua estratégia de convergência e ao novo portfólio que incorpora plataformas de streaming diretamente na interface do decodificador, aumentando a retenção de clientes.

Mercado Corporativo e Inovação Tecnológica
O braço corporativo, operado pela Claro Empresas, também apresentou resultados sólidos com foco em soluções digitais inovadoras. Durante o ano, a vertical de B2B destacou-se com serviços de Cloud, Segurança Digital, IoT (Internet das Coisas) e aplicações baseadas em inteligência artificial. A operadora utilizou eventos como a Futurecom para demonstrar o potencial do network slicing no 5G, permitindo redes dedicadas e personalizadas para diferentes setores da indústria brasileira.
🔎 B2B: Abreviação de Business to Business. Refere-se ao modelo de negócio onde o cliente final é outra empresa, englobando serviços de conectividade corporativa e soluções tecnológicas complexas.
Além das soluções digitais, a infraestrutura da empresa foi testada em grandes eventos de visibilidade internacional. Pelo 19º ano consecutivo, a operadora foi a fornecedora oficial de telecomunicações do GP de São Paulo de Fórmula 1, utilizando uma malha de fibra óptica de alta performance e redes Wi-Fi de última geração para atender à demanda extrema de dados da organização e do público presente no autódromo, reforçando sua capacidade técnica superior.
Estrutura de Capital e Cenário Regulatório
No campo regulatório, dezembro de 2025 foi um mês decisivo com a adaptação dos contratos de concessão da telefonia fixa para o regime de autorização. Esta mudança permitiu o encerramento de litígios históricos e liberou a empresa de obrigações ligadas aos bens reversíveis, em troca de novos compromissos de investimento em conectividade. Essa modernização regulatória oferece maior segurança jurídica e flexibilidade para que a companhia direcione seus recursos para tecnologias de ponta.
🔎 Debêntures: São títulos de dívida emitidos por empresas para captar recursos no mercado de capitais. Quem compra uma debênture torna-se credor da empresa em troca de uma remuneração por juros.
Para suportar esse ciclo de expansão, a Claro S.A. emitiu R$ 3 bilhões em debêntures de infraestrutura em janeiro de 2026, com prazo de dez anos. Os recursos serão utilizados para manutenção e expansão das redes, garantindo que a operadora mantenha seu ritmo de crescimento. Com uma estrutura de capital otimizada e resultados operacionais em alta, a empresa inicia 2026 posicionada como uma das protagonistas da transformação digital no Brasil.












