Início5GOperadoras questionam cálculo da Anatel para precificação das licenças 5G

Operadoras questionam cálculo da Anatel para precificação das licenças 5G

Levantamento das teles aponta que as frequências estão custando proporcionalmente mais do que na Alemanha, França e Itália.

Ilustração do 5G
Reprodução: Braver

As operadoras de telecomunicações estão questionando a precificação das licenças do 5G no Brasil, que devem custar cerca de R$ 35 bilhões.

Por isso, as teles irão enviar um levantamento para o Tribunal de Contas da União (TCU) mostrando que as frequências estão custando, proporcionalmente, mais no país do que na França, Alemanha e Itália, ficando atrás apenas dos Estados Unidos.

O cálculo foi realizando pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Neste momento, o edital do 5G está sendo apreciado pelo TCU que avalia se há alguma ilegalidade ou se alguma regra é contrária ao interesse público.

Na última quinta-feira, 6, o ministro das Comunicações, Fábio Faria, disse que esse processo de avaliação deve atrasar o leilão do 5G para julho. Anteriormente, a pasta acreditava que a licitação ocorreria até o final de junho.


O cálculo do valor das licenças do 5G, feito pela Anatel, é realizado com base no provável faturamento das empresas ao longo de 20 anos.

Geralmente, a previsão leva em consideração as receitas geradas pelo consumidor final, pessoas físicas e empresas, mas com o 5G, outros negócios passam a ser considerados, como automação industrial e a internet das coisas.

Nos Estados Unidos, as operadoras Verizon, AT&T e T-Mobile desembolsaram US$ 85 bilhões por 350 MHz de frequência, o que dá uma média de R$ 245 milhões por MHz. O faturamento conjunto anual das três empresas foi de US$ 210 bilhões e a receita média por cliente foi de US$ 37.

Na Alemanha Telekom Deutschland, Vodafone Germany e Telefónica Germany pagaram, em média US$ 18,7 milhões por MHz e faturaram US$ 23,2 bilhões em um ano.

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Já na Itália, cada MHz custou US$ 6 milhões e as receitas das quatro operadoras (Iliad, Telecom Italia, Vodafone Italia e Wind Tree) foi de US$ 15,7 bilhões. Tanto na Alemanha quanto na Itália, o gasto médio de cada cliente foi de US$ 14.

Por fim, o gasto médio por cliente no Brasil foi de US$ 4, enquanto a receita conjunta de Vivo, TIM, Claro Oi e Algar Telecom foi de US$ 12,4 bilhões. Vale destacar que o gasto estimado das licenças será de US$ 6,4 bilhões, o que representa cerca da metade do faturamento anual do setor.

Nesse sentido, por aqui, cada MHz sairia por US$ 1,7 milhão, levando em consideração a faixa 26 GHz, que não foi considerada comercialmente viável nos outros países.

Em caso de ausência de interessados nessa faixa no Brasil, o preço médio do MHz passaria para US$ 12,5 milhões, de acordo com as operadoras.

Levando em conta a média de outros países, o preço é considerado razoável, no entanto, as teles brasileiras alegam que levarão muito mais tempo para a amortização, de acordo com o gasto médio por cliente.

Ainda de acordo com as operadoras, isso seria como repetir o erro cometido pala Anatel no cálculo das frequências 4G, que se mostrou menos rentável do que o previsto.

Com informações de Folha de S.Paulo.

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