Americana AT&T formaliza seu interesse pela Oi

Anderson Guimarães
5 min de leitura

Presidente da operadora americana confirmou que planeja investir em telecomunicações no Brasil, em troca do apoio de Jair Bolsonaro.

Acordo de negócios.
Imagem: Pixabay

As regras da Lei da TV paga estão prestes a serem modificadas. Um acordo do governo com os senadores da Comissão de Ciência e Tecnologia deve aprovar um relatório para a alteração, que inclui o fim da proibição para a propriedade cruzada nas TVs por assinatura.

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E quem seria a maior beneficiada nisso? A operadora AT&T, claro. Desde que comprou a Time Warner, a gigante americana encontrou barreiras no Brasil, justamente por conta da Lei da TV paga (também conhecida como Lei do SeAC) que proíbe uma empresa de comandar distribuidoras e produtoras de conteúdo. A companhia é dona da SKY e provavelmente teria que vende-la, se as decisões não fossem favoráveis.

Pelas regras, uma tele como a AT&T só pode possuir 50% de um grupo de mídia como a Warner, que também só poderia deter 30% de uma operadora.

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Entretanto, Randall Stephenson, presidente da AT&T, encontrou o presidente Jair Bolsonaro na última quarta-feira, 28. Na ocasião, o executivo confirmou que o Brasil é totalmente estratégico e afirmou que planeja investimentos em todos os segmentos das telecomunicações.

Com isso, ele sinalizou seu interesse pela Oi, caso um novo marco regulatório seja aprovado pelo Congresso ainda em 2019.

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No Brasil, todas as empresas de telecomunicações teriam dificuldades para arrematar a Oi. Os acionistas, inclusive, cogitam fatiar a empresa para venda.

Dividida ou não, a AT&T poderia adquiri-la. Seria uma boa oportunidade para a empresa recuperar os resultados negativos, se livrar da dívida e colaborar para que a americana reforce sua atuação no Brasil pela infraestrutura da tele.

Entretanto, os negócios precisam fluir, especialmente no governo. É por isso que o relatório de alteração na Lei do SeAC sofreu mudanças para agradar a oposição.

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A garantia de que a veiculação de programas na internet não seria tratada como serviços de TV foi retirada. Com isso, a aprovação deve ficar mais fácil, já que os opositores tentam impor aos serviços online o mesmo regime de cotas adotado na TV: programação local válida para todos os pacotes.

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O projeto retorna à comissão na próxima semana. O governo cogitou até mesmo uma retomada da medida provisória sobre o tema. A MP foi preparada pelas equipes de Paulo Guedes e Marcos Pontes, ministros da economia e do MCTIC. Ambos participaram da reunião com a AT&T.

Mas o presidente pode ter resistido a MP, que rompe o acordo de seus auxiliares com o Senado.

A aprovação da compra da Time Warner pela AT&T no Brasil foi um pedido de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, para Jair Bolsonaro, em prol da parceria estratégica estabelecida entre os dois países.

Com isso, a Anatel começou a ser pressionada para aprovar a operação de US$ 85 bilhões, que envolveu 18 países e só precisa do aval do Brasil para ser 100% concluída.

Há meses, a área técnica da agência chegou a recomendar que AT&T colocasse o controle da SKY para venda, mas a americana se recusou e argumentou que a sede da Time Warner fica nos Estados Unidos. Por isso a operação não poderia ser considerada propriedade cruzada.

Depois da visita do deputado Eduardo Bolsonaro na Anatel, indicado para a Embaixada Brasileira nos EUA, a entidade convocou uma reunião extraordinária para tratar o caso e dois conselheiros votaram a favor.

Entretanto, um pedido de vista pelo conselheiro Moisés Moreira adiou o processo. Agora, Leonardo Morais, presidente da Agência, pediu que o Congresso modifique a Lei do SeAC, só assim a Anatel terá tranquilidade para aprovar a operação da AT&T.

Será que o imbróglio envolvendo a SKY e AT&T pode terminar como uma solução para a Oi? Teremos a resposta sobre essa improvável situação nos próximos dias.

Com informações da Folha de S. Paulo

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