A defesa de Jair Bolsonaro (PL) acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) para que um técnico da Claro possa entrar na residência do ex-presidente e fazer a manutenção do serviço de internet. O pedido foi endereçado ao ministro Alexandre de Moraes, que controla quem pode ou não entrar no imóvel em Brasília onde Bolsonaro cumpre prisão domiciliar desde março.
A visita técnica foi solicitada para esta quinta-feira (29), na janela entre 8h e 11h. Segundo os advogados, foi preciso pedir o agendamento formal porque a operadora só informa o nome e os dados do profissional quando ele já foi escalado e está a caminho do endereço, o que impede o envio antecipado da identificação às autoridades responsáveis pela custódia.
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COMO A DEFESA QUER LIBERAR O TÉCNICO
Para contornar a falta de informações prévias, os advogados apresentaram a Moraes um roteiro para o atendimento. A proposta é que a ordem de serviço siga o fluxo normal da operadora e que a identificação do técnico seja repassada ao Núcleo de Custódia da Polícia Militar (NCPM), responsável pela vigilância da casa, assim que a Claro liberar os dados.
ROTINA DAS OPERADORAS ESBARRA NA CUSTÓDIA
O caso mostra como a rotina do atendimento técnico das operadoras pode esbarrar nas exigências de um regime de custódia. No modelo descrito pela defesa, a Claro define quem fará o reparo apenas no dia do serviço, enquanto a casa do ex-presidente segue regras que exigem saber com antecedência quem vai cruzar o portão. O pedido não detalha qual falha afeta a conexão.
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POR QUE BOLSONARO ESTÁ PRESO
Bolsonaro foi condenado em setembro de 2025 pela Primeira Turma do STF a 27 anos e três meses de prisão no processo sobre a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Ele cumpria pena na Papudinha, em Brasília, mas foi internado em março de 2026 com pneumonia bacteriana nos dois pulmões e acabou transferido para a prisão domiciliar humanitária.
A domiciliar foi concedida por Moraes em 24 de março, inicialmente por 90 dias, e passou a valer em 27 de março, após a alta hospitalar. O prazo terminou em junho, mas o ministro manteve o regime, que inclui o uso de tornozeleira eletrônica e uma série de medidas cautelares. Entre elas está a proibição de usar redes sociais, inclusive por meio de terceiros.
POR QUE TODA VISITA PRECISA DE AVAL DO STF
Na prática, a casa funciona como extensão do sistema prisional, e cabe a Moraes, relator da execução penal, decidir quem entra. Advogados, médicos e fisioterapeutas têm acesso permanente, assim como alguns parentes liberados pelo ministro. As demais pessoas dependem de pedido formal e de autorização caso a caso, o que explica a necessidade de aval até para um conserto de internet.
Como funciona o acesso à casa de Bolsonaro:
- Acesso permanente: advogados, equipe médica, fisioterapeutas e familiares autorizados pelo ministro
- Com pedido prévio ao STF: aliados, amigos e qualquer prestador de serviço, como técnicos de operadoras
- Na chegada: vistoria feita pelos policiais, com celulares e eletrônicos retidos durante a visita
- Vetadas até o fim das eleições: visitas com finalidade político-eleitoral
As regras ficaram mais rígidas em julho de 2026, quando Moraes suspendeu todas as visitas por 30 dias após a divulgação de uma carta em que Bolsonaro pedia votos para o filho Flávio. O ministro também vetou encontros com finalidade político-eleitoral até o fim das eleições. Passado o prazo, as visitas voltaram, mas seguem dependendo de aval prévio e de vistoria feita pelos policiais.












