A TIM Brasil não está entre as prioridades estratégicas da Poste Italiane, nova controladora da Telecom Italia. A declaração foi feita nesta terça-feira (27) pelo presidente-executivo do grupo italiano, Matteo Del Fante, durante uma conferência econômica realizada em Roma. Segundo ele, a operadora brasileira é lucrativa, mas não faz parte do núcleo do projeto que motivou a compra do antigo monopólio telefônico da Itália.
O motivo está no foco da Poste, conglomerado financeiro com participação do Estado italiano, que quer se tornar líder nacional em serviços digitais na Itália. Ao comentar o futuro da subsidiária, Del Fante indicou que ela terá uso tático nos próximos meses, sem detalhar quais medidas estão em estudo. A sinalização foi interpretada como uma abertura para uma possível venda da operação.
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O QUE A POSTE QUER COM A TELECOM ITALIA
A Poste Italiane detém hoje 87% da Telecom Italia, fatia ampliada recentemente por meio de uma oferta de aquisição que não atingiu 90% das ações. O movimento faz parte de um plano para formar uma empresa líder em serviços digitais no mercado italiano. De acordo com Del Fante, a integração permitirá que a Poste ofereça soluções de transformação digital para empresas, aproveitando a carteira de clientes corporativos com quem a TIM já mantém um relacionamento consolidado.
Nesse desenho, a operação no Brasil fica em segundo plano, apesar dos bons resultados financeiros. “Vamos usá-la taticamente ao longo dos próximos meses”, afirmou o executivo, sem dar mais detalhes sobre o que isso significa na prática. Um novo plano de negócios para a entidade combinada entre TIM e Poste deve ser apresentado no primeiro trimestre de 2027 e pode trazer mais clareza sobre o destino da subsidiária brasileira.

O PESO DA TIM BRASIL NO GRUPO
Mesmo fora do centro da estratégia italiana, a TIM Brasil, que passou a ser controlada indiretamente por uma estatal, segue como uma peça de peso nas contas da Telecom Italia. A operadora é a única subsidiária estrangeira do grupo e funciona como uma geradora de caixa, o que ajuda a explicar por que qualquer movimento envolvendo a unidade desperta tanta atenção do mercado. Veja os principais números que dimensionam a importância da operação brasileira:
- Participação: a Telecom Italia detém cerca de 68% da TIM Brasil
- Lucros: a unidade responde por quase metade dos lucros principais do grupo
- Valor de mercado: a fatia na operadora está avaliada em cerca de R$ 31,8 bilhões
- Presença internacional: é a única subsidiária fora da Itália
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MERCADO JÁ ESPECULA SOBRE VENDA
A fala de Del Fante reforça rumores que já circulavam no mercado sobre uma eventual venda da operação brasileira. O executivo, no entanto, não mencionou negociações nem detalhou quais medidas estão em análise. A reação dos investidores foi positiva: as ações ordinárias da TIM subiam 1,7% nesta terça-feira, cotadas a R$ 18,42, logo após a repercussão das declarações feitas em Roma.
Para o setor de telecomunicações brasileiro, a declaração abre um período de expectativa sobre o futuro da operadora. Até a divulgação do novo plano de negócios, previsto para o início de 2027, a tendência é que cada sinal vindo da Itália seja acompanhado de perto por investidores e concorrentes, já que uma eventual mudança de controle da TIM Brasil teria impacto direto no mercado nacional de telefonia.












