Imagem: Shutterstock/Reprodução

Briga entre governo e Discord pode custar R$ 500 mi à plataforma

A União exige que o aplicativo cumpra uma série de regras para proteção de usuários menores de idade.

Goodanderson Gomes
3 min de leitura

Após ser instado pela ANPD nas últimas semanas, o Discord agora foi levado à Justiça pelo governo federal. O motivo? Pressão para o cumprimento de normas de proteção para crianças e adolescentes.

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Em documento emitido em conjunto pela Advocacia-Geral da União (AGU) e pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) nessa quarta (26), a União “ameaçou” a plataforma com R$ 500 milhões em indenizações em caso de descumprimento de medidas impostas.

O governo tomou como base um entendimento emitido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2025. Nele, ficou estabelecido que as redes sociais são responsáveis por crimes que ocorram em seus domínios.

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Além disso, o Cyberlab, plataforma do MJSP, identificou cerca de 140 episódios graves no Discord Brasil entre 2025 e 2026, incluindo o caso da jovem Lívia, que acendeu a discussão recentemente.

O que está sendo exigido pelo governo?

ANPD, MJSP, STF e Advocacia-Geral da União exigem, basicamente, a consolidação de ações de controle dentro do Discord.

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Em geral, são elas:

  • Melhoria e aumento de ferramentas der controle parental;
  • Verificação de idade mais complexa;
  • Moderadores humanos, PT-BR e em quantidade suficiente;
  • Combate à instrumentalização de chantagem contra mulheres por meio de ameaças envolvendo conteúdo íntimo e crueldade com animais;
  • Canais de denúncia ativos;
  • Queda imediata de lives que retratem violência e abuso;
  • Impedimento de retorno para grupos outrora banidos.

Essas regras de controle visam resolver os principais gargalos do Discord na atualidade, que é o acesso indiscriminado de menores de idade à plataforma e a atuação aparentemente livre de grupos criminosos que utilizam o app para comunicação.

O que diz o Discord?

Recentemente noticiamos que a plataforma deu garantias de colaboração à Agência Nacional de Proteção de Dados, que suspendeu lives temporariamente. No entanto, o Discord ainda não emitiu posicionamento sobre as novas determinações do governo federal. Inclusive, há informações de que a empresa teria recuado em negociações iniciadas com a União após o caso Lívia.

Nos EUA, o Discord é tido como “mal cumpridor de ordens judiciais” e acusado de “agir deliberadamente” na criação de um ambiente propício à “predação e crianças”.

Autoridades norte-americanas reclamam, por exemplo, do ambiente fechado das lives na rede social, que são criptografadas e permitem o acesso de usuários anônimos.

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Ao que parece, para continuar funcionando no Brasil o app terá que abdicar de muitas dessas características, tornando-se totalmente transparente e seguro para menores.

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