Um protocolo de intenções assinado entre BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) e a prefeitura de Curitiba deve ser o pontapé inicial para o enterramento de fios aéreos na capital paranaense.
O acordo, assinado nessa terça-feira (25), prevê a destinação e R$ 1,2 bilhão para a realocação de 120 km de fios e cabos de telecom e energia, que passarão a estar no subsolo curitibano.
Segundo as partes, o dinheiro será oriundo de uma PPP (Parceria Público-Privada), que vai envolver prefeitura, BNDES e empresas interessadas.
Como se dará a execução do projeto?
Antes de qualquer coisa, vale reforçar que o que foi acordado entre BNDES e prefeitura de Curitiba é um protocolo de intenções. Ou seja, não há nada em andamento, pelo menos não ainda.
Contudo, sabe-se que a intenção é iniciar as obras pelo centro da capital, preferencialmente em ruas já pavimentadas. Além disso, o foco está em áreas movimentadas e com elementos históricos, geralmente muito frequentadas por turistas.
O fechamento do acordo é também um pontapé inicial para o início de uma rodada de conversas entre governo municipal e empresas, tanto concessionárias de energia elétrica quanto empresas de telecom, como provedoras de internet via fibra óptica. O objetivo é fechar consensos e planos de ação para de fato iniciar o enterramento dos cabos e fios.
Nesse processo, serão analisadas ainda as atribuições da Anatel e da Aneel, agências reguladoras às quais respondem as empresas afetadas pela mudança.
Curitiba como cidade modelo
Outro ponto abordado tanto pelo prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel, quanto pelo presidente do BNDES, Aluízo Mercadante, é a intenção de fazer da cidade um modelo para implementação de projetos como esse.
“Enterrar a fiação é caro e urgente. O preço que as cidades estão pagando é alto, como São Paulo, onde a população fica três, quatro dias sem internet por conta de eventos climáticos. Esse ano temos o El Niño. Precisamos de um plano diretor, uma política que fomente essa iniciativa, assim como foi feito com o setor de saneamento. Então a ideia é envolver Itaipu, BNDES, Governo Federal e Curitiba para que a capital paranaense possa inspirar outras cidades a fazer o mesmo”, comentou Mercadante.
Eduardo Pimentel, por sua vez, destacou a importância do projeto como um vetor de transformação para a cidade, tanto em termos de estética quanto de segurança e infraestrutura.
“Esse protocolo é o primeiro passo para iniciarmos o projeto de enterramento de fios na capital, que tem como objetivo reduzir riscos de acidentes, incêndios e furtos, proteger essas estruturas contra eventos climáticos, evitando apagões e interrupções de funcionamento, além de requalificar a paisagem e a acessibilidade urbana”, disse o mandatário.
Vale mencionar, porém, que a capital do Paraná não é a primeira cidade brasileira a ter um projeto para enterramento da fiação aérea.
Recentemente noticiamos que um projeto parecido começou a ser implementado em Recife, visando a revitalização do Recife Antigo, área com forte apelo turístico na capital pernambucana.












