Imagem: Minha Operadora

Para brecar regionais, TIM, Claro e Vivo se opõem ao leilão da 700MHz

De qualquer forma, o pregão deve ser mantido, com o recebimento de lances previsto para essa quarta (15).

Goodanderson Gomes
5 min de leitura

Com a chegada do leilão das faixas de frequência de 700MHz restantes, marcado para hoje (15), cresce a tensão no setor de telecomunicações. TIM, Claro e Vivo passaram a atuar de forma mais direta para tentar barrar o certame, mas, ao que parece, sem sucesso.

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O motivo é claro: pelas regras definidas, operadoras regionais largam na frente. E isso pode mudar o equilíbrio competitivo em mercados hoje dominados pelas três gigantes.

Na prática, empresas como Brisanet e Unifique podem sair do processo com uma posição muito mais robusta. Inclusive em regiões consideradas estratégicas, como grandes centros urbanos.

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Diante desse cenário, a disputa saiu do campo técnico e avançou para o Judiciário. Ainda assim, ao menos por enquanto, a Anatel conseguiu manter o leilão de pé.

O objeto da disputa

No centro da discussão estão cinco lotes da faixa de 700 MHz devolvidos pela Winity em 2021. Trata-se de um espectro altamente valioso, justamente por permitir ampla cobertura com menor necessidade de infraestrutura.

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Diferentemente da faixa de 3,5 GHz, voltada ao tráfego intenso de dados, a de 700 MHz é ideal para expandir sinal em áreas rurais, rodovias e regiões mais complexas. Ou seja, ela funciona como complemento estratégico para as redes móveis.

É justamente com base nessa complementaridade que surge a controvérsia. O edital dá prioridade, na primeira rodada, às operadoras que adquiriram frequências de 3,5 GHz no leilão de 2021.

Na prática, isso favorece Brisanet e Unifique, que herdaram ou adquiriram esses direitos. Já TIM, Claro e Vivo, que já possuem 700 MHz, só podem entrar se sobrar espectro, o que reduz bastante seu espaço na disputa.

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Associações vão à Justiça

A reação veio em bloco. Associações do setor recorreram à Justiça para tentar suspender ou rever o leilão.

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No caso da Acel e da Conexis, o foco está na transferência de licenças. Segundo as entidades, empresas vencedoras do leilão de 2021 não poderiam repassar esses direitos antes de cumprir integralmente suas obrigações.

Esse ponto ganhou força com o caso da antiga Ligga, que vendeu ativos ao consórcio Amazônia 5G, posteriormente assumido pela Unifique. A operação foi autorizada pela Anatel, mas passou a ser contestada judicialmente.

Já a TelComp segue outra linha. Para a associação, o problema está no próprio modelo do edital, que favoreceria um grupo restrito de operadoras e comprometeria a igualdade da disputa.

Em comum, todas as ações tentam frear um movimento que pode fortalecer novos concorrentes em mercados hoje concentrados.

Leilão mantido, concorrência à vista

Apesar da pressão, a Anatel conseguiu evitar, até agora, quatro tentativas de suspensão do leilão. Com isso, o cronograma segue intacto.

As propostas estão previstas para serem enviadas até esta quarta, 15 de abril, com abertura dos lances marcada para o próximo dia 30. Ou seja, ao menos no curto prazo, a estratégia judicial das grandes teles não travou o processo.

Na prática, isso mantém viva a possibilidade de um redesenho competitivo no setor. Caso as regionais ampliem sua presença, o mercado pode ganhar novos protagonistas.

Vale destacar que esse avanço não se limitaria a áreas periféricas. Pelo contrário: a disputa envolve também regiões de maior valor, o que explica a reação de TIM, Claro, Vivo e outras empresas que orbitam o mercado.

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O que muda para os clientes?

No curto prazo, o impacto direto tende a ser limitado. Afinal, o leilão é apenas o início de um processo que ainda envolve implantação de rede e expansão gradual.

Ainda assim, os efeitos potenciais são relevantes. A faixa de 700 MHz permite ampliar cobertura de forma mais eficiente, especialmente em áreas onde o sinal ainda é instável.

Além disso, um ambiente mais competitivo tende a pressionar o mercado. Isso pode se traduzir em melhores ofertas, expansão de cobertura e maior qualidade de serviço.

Em outras palavras, embora o embate seja travado entre empresas e reguladores, seus efeitos certamente chegarão ao consumidor, sobretudo onde a concorrência ainda é mais limitada.

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