
Nesta quarta-feira (14), o empresário Nelson Tanure, figura central na criação da Ligga e conhecido pela venda da Intelig para a TIM Brasil, foi alvo de uma operação da Polícia Federal que investiga fraudes financeiras no Banco Master, tendo seu celular apreendido no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, sob suspeita de integrar um esquema de gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro que teria movimentado bilhões de reais ilegalmente no sistema financeiro nacional.
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O histórico de Nelson Tanure nas telecomunicações
No setor de telecomunicações, Nelson Tanure exerce grande influência por décadas, tendo sido responsável por movimentações que alteraram o mapa das operadoras no país. Um de seus negócios de maior impacto foi a aquisição da operadora Intelig por apenas R$ 10 milhões, que posteriormente foi revendida para a TIM por aproximadamente R$ 650 milhões. Além disso, o empresário liderou a criação do Grupo Ligga, consolidado a partir da compra de ativos estratégicos da Copel Telecom e da Sercomtel.
Sua atuação no segmento de tecnologia também incluiu uma participação direta na Oi em 2016, em meio a um dos maiores processos de recuperação judicial do país. Tanure construiu uma trajetória marcada pela compra e reestruturação de companhias em setores estratégicos como energia, petróleo, saúde e mídia. Ele é conhecido por investir em ativos desvalorizados e empresas em crise, aplicando uma estratégia de renegociação de dívidas para valorizar as companhias antes de possíveis vendas.
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Detalhes da operação da Polícia Federal e do caso Banco Master
A operação deflagrada pela Polícia Federal nesta semana mira um suposto esquema bilionário de fraudes no Banco Master. Tanure foi abordado pelos agentes federais no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, enquanto se preparava para um voo nacional com destino a Curitiba. Sem oferecer qualquer resistência, o empresário entregou seu aparelho celular e os documentos solicitados. A ação faz parte da segunda fase da investigação, que resultou no bloqueio de bens que superam R$ 5,7 bilhões.
As investigações da PF buscam desarticular uma suposta organização criminosa envolvida em gestão fraudulenta, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro. O foco central é a concessão de créditos fictícios pelo Banco Master, cujas fraudes podem atingir o montante de R$ 12 bilhões, segundo estimativas da corporação. No ano passado, Tanure já havia sido alvo de apurações que questionavam se ele seria o verdadeiro controlador oculto da instituição financeira, mesmo sem aparecer oficialmente como o proprietário.
Perfil empresarial e outras controvérsias no mercado
Nelson Tanure nasceu em Salvador em 1951 e formou-se em Administração pela UFBA. Iniciou sua carreira na empresa imobiliária do pai e, desde os anos 80, foca em reestruturações profundas. Recentemente, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) reabriu investigações sobre a compra da Alliança Saúde, focando em prazos legais supostamente extrapolados pelo investidor. Além disso, o Ministério Público Federal apresentou denúncia criminal por suposto uso de informação privilegiada no processo de compra da Gafisa.
O estilo de gestão de Tanure é frequentemente descrito como agressivo e baseado no uso intensivo de alavancagem financeira. Embora consiga resultados expressivos na recuperação de ativos em dificuldades, como visto na transformação da antiga HRT na atual PRIO, seus métodos geram constantes debates sobre governança corporativa. A estratégia de comprar barato empresas em colapso tornou-se sua marca registrada. No último ano, ele chegou a negociar o controle da petroquímica Braskem, mas acabou desistindo do projeto.
O portal Minha Operadora entrou em contato com as assessorias de imprensa da TIM Brasil e da Ligga para solicitar um posicionamento oficial sobre a operação da Polícia Federal que envolve o empresário Nelson Tanure. Até o momento desta publicação, não houve um retorno por parte das companhias. O espaço segue aberto e esta matéria será atualizada assim que um posicionamento for enviado.





