
A NTT Data, em parceria com a Sumitomo e a JA Mitsui Leasing, anunciou nesta semana a criação da joint venture Intra-Asia Marine Networks para construir o I-AM Cable, um novo cabo submarino de US$ 1 bilhão que ligará o Japão à Malásia e Singapura até 2029. O projeto visa fortalecer a conectividade regional e garantir segurança estratégica ao evitar rotas congestionadas no Mar da China Meridional, utilizando tecnologia de ponta para suportar a crescente demanda por inteligência artificial e serviços digitais avançados de grandes operadoras.
A infraestrutura digital tornou-se o alicerce fundamental da economia global moderna, sendo atualmente responsável por quase 99% de todas as transferências de dados internacionais entre os continentes. Ao estabelecer essa nova rota submarina, as empresas parceiras buscam oferecer uma alternativa robusta e resiliente contra desastres naturais frequentes na região. Além disso, o projeto consolida o papel estratégico do Japão como um centro de dados vital na Ásia, conectando de forma eficiente o ecossistema tecnológico do continente com os Estados Unidos e o mercado global.
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Detalhes da Rota e Conectividade Regional
O planejamento detalhado do I-AM Cable estabelece um caminho estratégico para garantir que o fluxo de dados entre os principais polos econômicos da Ásia ocorra de maneira ininterrupta e segura. Abaixo, destacamos os principais pontos geográficos e as ramificações que compõem a estrutura desta nova infraestrutura de rede internacional:
- Ponto de partida no Japão com três estações de aterrissagem: Chiba, Mie e Fukuoka;
- Conexão direta ligando o território japonês à Malásia e a Singapura pelo leito oceânico;
- Extensão total aproximada de 8.100 quilômetros cruzando pontos estratégicos do mar;
- Conectividade adicional planejada para mercados da Coreia do Sul, Filipinas e Taiwan;
- Fukuoka atuará como hub internacional coordenado com novos clusters de data centers.

A escolha de Fukuoka como um dos pontos de conexão não foi por acaso, já que a cidade está sendo desenvolvida para se tornar um hub de comunicações internacionais de destaque no oeste japonês. Esse movimento está em total coordenação com o surgimento de novos clusters de data centers de grande escala na região. Com isso, os parceiros esperam não apenas melhorar a velocidade de tráfego, mas também contribuir para a revitalização regional e fortalecer a competitividade internacional das nações envolvidas diretamente no projeto.
Inovação Tecnológica e Capacidade Massiva
Um dos grandes diferenciais técnicos deste novo Cabo Submarino é a utilização da funcionalidade Wavelength Selective Switch, conhecida pela sigla WSS no setor. Essa tecnologia permite que a largura de banda de cada rota individual seja ajustada de forma remota, conferindo à rede uma flexibilidade essencial para lidar com as flutuações constantes nas demandas de tráfego de dados. Assim, as operadoras de telecomunicações conseguem responder rapidamente às necessidades em evolução de seus principais clientes corporativos globais.
Além do sistema WSS, o projeto adotará a tecnologia de Multiplexação por Divisão Espacial (SDM), permitindo a acomodação de até 16 pares de fibras ópticas por cabo (totalizando 32 núcleos). Essa combinação tecnológica resultará em uma capacidade total de design de aproximadamente 320 Terabits por segundo (Tbps). Essa escala de largura de banda é projetada para atender especificamente às gigantes globais de tecnologia e operadoras que lidam com volumes massivos de dados gerados por novas aplicações de inteligência artificial.
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Geopolítica e Segurança de Infraestrutura
A decisão de traçar uma rota que desvia deliberadamente do Mar da China Meridional é vista por analistas de mercado como uma manobra estratégica de segurança e soberania digital. Embora a região seja geograficamente mais direta, ela é hoje extremamente congestionada e está sob forte influência política e militar da China. Ao buscar caminhos alternativos, os construtores deste projeto evitam possíveis tensões governamentais e interrupções físicas, garantindo que o fluxo de informações críticas entre o Japão e a Ásia não sofra qualquer interferência.





