A Claro avançou na disputa com a Vivo pela liderança da banda larga em São Paulo depois que o Cade aprovou, sem restrições, a compra da Desktop por R$ 4 bilhões. A decisão saiu pela Superintendência-Geral do órgão antitruste e libera a operação celebrada oficialmente em março deste ano para expandir a rede de fibra óptica, que afasta as sinalizações iniciais de dificuldades para o negócio.
A aquisição envolve 73% da provedora, fatia equivalente a 84 milhões de ações ordinárias, e considera R$ 2,4 bilhões em ativos mais R$ 1,6 bilhão de dívida líquida assumida pela compradora. Numa segunda etapa, a operadora deverá lançar uma oferta para comprar os 27% dos papéis que seguem negociados na bolsa e fechar o capital da companhia paulista.
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SOBREPOSIÇÃO EM 198 MUNICÍPIOS
O parecer da Superintendência-Geral identificou que as duas empresas atuam simultaneamente em 198 municípios paulistas, com a maior sobreposição concentrada no mercado de banda larga fixa. Em boa parte dessas cidades, as participações somadas ficarão bastante significativas, mas o órgão considerou reduzida a probabilidade de exercício unilateral de poder de mercado. Estes foram os pontos que sustentaram o aval sem condicionantes:
- Condições de entrada, rivalidade e contestabilidade suficientes para mitigar os riscos concorrenciais, nas palavras do próprio parecer
- Presença de infraestrutura de redes capaz de sustentar a disputa nas praças afetadas
- Atuação de concorrentes locais e nacionais nos mesmos municípios
- Possibilidade de entrada de novos competidores nesses mercados
- Incentivo econômico da compradora para desocupar, de forma gradual, as estruturas que se tornarem redundantes

NÚMEROS DA DISPUTA EM SÃO PAULO
A fotografia atual do mercado paulista ajuda a explicar o tamanho do interesse da operadora pela provedora de Sumaré. Somadas as bases das duas empresas, a Claro passa a responder por cerca de 36% da banda larga fixa no estado, e em parte das cidades atendidas a soma das duas redes ultrapassa metade das conexões. Veja como estão distribuídos os clientes em São Paulo:
| Empresa | Clientes | Participação |
|---|---|---|
| Vivo | 4,9 milhões | 31% |
| Claro | 4,5 milhões | 28,3% |
| Desktop | 1,2 milhão | 7,6% |
ANATEL E A VIRADA DE POSIÇÃO
O Cade não foi o único órgão a se debruçar sobre a transação. A Anatel aprovou a compra da Desktop pela Claro em maio, ao conceder anuência prévia ao negócio, mas a sinalização inicial da agência havia sido bem diferente do desfecho. Veja como o caso caminhou desde os primeiros sinais da negociação até a aprovação sem restrições do órgão antitruste:
- Outubro de 2025: vazam as primeiras notícias da negociação e uma análise preliminar da Anatel aponta efeitos negativos sobre o mercado e sobre a entrada de novos competidores
- Março de 2026: a transação é celebrada oficialmente por R$ 4 bilhões, com 73% das ações da provedora
- Maio de 2026: a agência reguladora concede anuência prévia e reverte a sinalização inicial
- Aprovação do Cade: a Superintendência-Geral libera a compra sem qualquer restrição
- Próxima etapa: transferência de controle das autorizações de serviço na Anatel
Mesmo com o sinal verde do órgão antitruste, a conclusão do negócio ainda depende do trâmite final na agência reguladora, responsável por analisar a transferência de controle das autorizações de serviço. É a última etapa antes que a operadora possa integrar de fato a estrutura da provedora à sua operação no estado e começar a colher os ganhos previstos com a fusão das redes.
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DE SUMARÉ PARA O GRUPO CLARO
Fundada em 1997, em Sumaré, no interior paulista, a Desktop cresceu como provedora de internet voltada a clientes residenciais e empresas. A companhia opera redes próprias de fibra óptica, tecnologia que transmite dados em velocidades mais altas e com maior estabilidade, e marca presença também em cidades pequenas e médias, onde disputa clientes com grandes grupos e provedores regionais.
O salto de porte veio em 2020, com o aporte da gestora americana HIG Capital, que buscava acelerar o crescimento do negócio, e em 2021, quando a empresa abriu capital na bolsa. As conversas com a Claro corriam desde o fim de 2025. Antes disso, a provedora chegou a negociar com a Vivo, mas as tratativas não avançaram por falta de acordo sobre o valor da transação.
Os vendedores são o fundo de investimento Makalu Brasil Partners, controlado pela HIG Capital, e um grupo de pessoas físicas, entre elas o fundador da empresa, Denio Alves Lindo. Com 1,2 milhão de clientes espalhados por 198 cidades paulistas, a Desktop entrega à Claro uma base relevante justamente na região mais disputada da banda larga fixa em todo o país.












