A fusão entre Claro e Desktop resultará em participação superior a 50% do mercado de banda larga fixa em 71 municípios paulistas, segundo formulário de notificação apresentado ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Os dados são baseados nos acessos de Serviço de Comunicação Multimídia (SCM) registrados na Anatel em dezembro de 2025.
A operação envolve a aquisição, pela Claro NXT Telecomunicações, de ações ordinárias equivalentes a aproximadamente 73,01% do capital social da Desktop, provedora paulista especializada em internet banda larga por fibra óptica com acessos de SCM em 198 municípios do estado de São Paulo. A análise concorrencial foi acionada após constatação de sobreposição geográfica significativa entre as duas empresas.
Leia mais:
- 70% da energia gasta pela TIM é de produção própria, diz operadora
- Caos total: satélite da Embratel falha e trava os aeroportos em SP
- Programa Jovem Aprendiz da Vivo está com 350 oportunidades abertas
SOBREPOSIÇÃO EM 198 MUNICÍPIOS
Para mapear os impactos da operação, Claro e Desktop adotaram o critério mais conservador na delimitação das áreas de sobreposição: consideraram como concorrentes diretas todas as localidades onde ambas registram algum acesso de banda larga fixa. Embora a Claro declare cobertura ou presença comercial em 181 municípios paulistas, a operadora também registra acessos residuais em outros 464 municípios do estado, sem infraestrutura própria.
Com essa metodologia, o Cade identificou sobreposição horizontal em 198 municípios paulistas no mercado de SCM. Desse total, 81 municípios foram enquadrados pelas empresas para análise pelo rito sumário, por apresentarem participação combinada inferior a 20% ou inferior a 50% com variação de índice de concentração abaixo de 200 pontos. Os outros 117 municípios seguirão o rito ordinário, mais detalhado.

OS 71 MUNICÍPIOS DE MAIOR CONCENTRAÇÃO
Dentro dos 117 casos submetidos ao rito ordinário, 71 municípios terão participação conjunta de Claro e Desktop superior a 50% dos acessos de banda larga fixa. As maiores concentrações ocorrem em cidades do interior paulista, com destaque para Nova Europa (96,12%), Ibaté (95,57%), Borebi (93,21%) e Gavião Peixoto (92,70%). Veja abaixo as dez cidades com maior participação combinada:
| Cidade | Participação combinada |
|---|---|
| Nova Europa | 96,12% |
| Ibaté | 95,57% |
| Borebi | 93,21% |
| Gavião Peixoto | 92,70% |
| Igaratá | 91,07% |
| Santa Lúcia | 89,60% |
| Cristais Paulista | 87,18% |
| Motuca | 86,40% |
| Jaborandi | 84,71% |
| Macatuba | 84,07% |
Apesar dos altos percentuais, a população combinada dessas dez cidades é de cerca de 105 mil habitantes, segundo levantamento junto ao IBGE. A maior delas, Ibaté, tem aproximadamente 33 mil moradores, o que relativiza o alcance demográfico das concentrações mais extremas.
Quer acompanhar tudo em primeira mão sobre o mundo das telecomunicações? Siga o Minha Operadora no Canal no WhatsApp, Instagram, Facebook, X e YouTube e não perca nenhuma atualização, alerta, promoção ou polêmica do setor!
O QUE ARGUMENTAM AS EMPRESAS
No documento enviado ao Cade, Claro e Desktop defendem que a operação não deve criar nem fortalecer posição dominante no mercado. As empresas argumentam que a rivalidade será mantida tanto por grandes prestadoras quanto por provedores regionais, e que os mercados locais de banda larga fixa seguem contestáveis por novos entrantes ou competidores já presentes.
As companhias também alertam para um possível efeito de superestimação das participações de mercado em alguns municípios, atribuído à subnotificação de acessos por provedores de pequeno porte nas bases públicas da Anatel. Segundo o formulário, esse fator pode distorcer para cima a fatia calculada para Claro e Desktop em certas localidades.
PRÓXIMOS PASSOS DA APROVAÇÃO
A decisão final sobre a operação caberá ao Cade, que avaliará os efeitos competitivos da fusão no mercado de banda larga fixa em São Paulo por meio do rito ordinário nos 117 municípios identificados. Paralelamente, a operação já passou pela Anatel, que autorizou a transferência de controle societário da Desktop por envolver empresa detentora de autorização para prestação de serviços de telecomunicações no país.












