Divulgação/Amazon

Amazon adquire Globalstar e desafia Starlink com satélites

Cristino Melo
5 min de leitura

A Amazon anunciou nesta terça-feira (14), a aquisição da Globalstar em um acordo avaliado em US$ 11,57 bilhões. O negócio marca uma virada estratégica da gigante do e-commerce no mercado de conectividade via satélite, colocando-a diretamente em rota de colisão com a Starlink, de Elon Musk, líder atual do setor. A empresa já vinha sinalizando interesse na compra da Globalstar nas últimas semanas, segundo informações que circulavam no mercado.

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O negócio permite à Amazon incorporar serviços de comunicação direta com dispositivos, o chamado Direct-to-Device (D2D), à sua constelação de órbita baixa, o Amazon Leo. Com isso, a empresa poderá oferecer cobertura móvel em áreas sem acesso a redes celulares terrestres, atendendo consumidores, empresas e governos ao redor do mundo, incluindo regiões remotas e de difícil acesso.

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PARCERIA COM A APPLE

O anúncio também revelou um acordo entre Amazon e Apple para que o Amazon Leo passe a fornecer conectividade via satélite a modelos atuais e futuros de iPhone e Apple Watch. A integração mantém funcionalidades que os usuários Apple já utilizam desde o iPhone 14, quando a Globalstar começou a alimentar o recurso Emergency SOS via satélite. Com a aquisição, essa parceria é transferida à Amazon e expandida para novos serviços.

Os recursos que continuarão disponíveis e serão aprimorados com a nova parceria incluem:

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  • Emergency SOS via satélite — envio de alertas de emergência mesmo sem sinal de celular
  • Messages via satélite — troca de mensagens com contatos fora da área de cobertura
  • Find My — compartilhamento de localização em tempo real
  • Roadside Assistance — solicitação de assistência em estradas remotas

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O QUE A AMAZON GANHA COM A COMPRA

Ao adquirir a Globalstar, a Amazon passa a incorporar cerca de 30 satélites em órbita baixa, toda a infraestrutura operacional da empresa e seu espectro de radiofrequência com autorizações globais para serviços móveis via satélite. Esses ativos são considerados estratégicos, pois viabilizam a oferta de serviços D2D em escala mundial sem a necessidade de construir do zero uma base espectral regulatória, processo que leva anos em cada país.

A combinação dos recursos da Globalstar com a constelação do Amazon Leo deve resultar em uma rede híbrida integrada, capaz de oferecer conectividade contínua para uso pessoal, corporativo, operações governamentais e logística. O modelo também é visto como solução para fechar lacunas de cobertura em áreas rurais e periféricas, contribuindo para a redução da exclusão digital em escala global.

Amazon leo antena
Divulgação/Amazon

Apesar da movimentação agressiva, a Amazon ainda enfrenta um desafio operacional considerável. A empresa tem atualmente cerca de 200 satélites em órbita no Amazon Leo e precisa cumprir uma exigência regulatória americana de ter 1.600 unidades em órbita até julho de 2026. A empresa chegou a pedir à FCC, equivalente à Anatel nos EUA, uma prorrogação desse prazo.

A Starlink já conta com aproximadamente 10.000 satélites em operação e atende mais de 9 milhões de usuários globalmente. Veja como as duas redes se comparam hoje:

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Amazon Leo + GlobalstarStarlink
Satélites em órbita~230~10.000
Usuários ativosEm expansão+9 milhões
Direct-to-DevicePrevisto para 2028Disponível
Parceria com fabricanteApple (iPhone/Watch)Motorola, T-Mobile
Meta de satélites+3.200 até 2029Em expansão contínua

TERMOS DO NEGÓCIO E PRÓXIMOS PASSOS

Pelos termos do acordo, acionistas da Globalstar poderão optar por receber US$ 90 por ação em dinheiro ou ações da Amazon, com mecanismos de ajuste e limitação do pagamento em caixa a no máximo 40% do total das ações. O valor total da transação ainda pode sofrer redução de até US$ 110 milhões caso a Globalstar não cumpra determinadas metas operacionais relacionadas à implantação de novos satélites.

A transação já conta com aprovação de acionistas que representam cerca de 58% do poder de voto da Globalstar e deve ser concluída ao longo de 2027, sujeita a aprovações regulatórias em diferentes jurisdições.

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