No Brasil profundo, em áreas distantes dos grandes centros, a conectividade 5G é usada para bem mais que apenas se conectar à internet aleatoriamente: serve, entre outras coisas, para levar mais saúde a populações carentes.
De acordo com o Ministério das Comunicações (MCom), tem crescido o número de consultas remotas, na modalidade de telemedicina, por meio da conexão 5G.
Nesse sentido, o órgão federal operacionaliza o projeto OpenCare 5G, que usa a internet móvel para promover consultas e exames remotos. Até o momento, foram contabilizadas mais de 900 encontros virtuais de pacientes em cidades no interior do Piauí com médicos em grandes metrópoles, como São Paulo.
Inovação para mudar realidades
O foco inicial do OpenCare 5G tem sido a cidade de Miguel Alves, no interior do Piauí, que conta com uma rede 5G exclusiva para telemedicina. O objetivo é garantir que os encontros virtuais tenham imagens de alta definição e funcionem sem interrupção.
Financiado pelo Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações (Funttel), o OpenCare 5G já recebeu R$ 7,3 milhões desde o ano passado. O projeto conta com a tecnologia Open RAN, que garante conexões móveis mais estáveis.
Em resposta a perguntas sobre o projeto, o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, destacou as complexidades do território brasileiro e a necessidade de se ter uma conexão de qualidade focada em iniciativas com o OpenCare 5G.
“A telemedicina precisa de conectividade para ser eficiente. O Brasil é um país geograficamente muito complexo, com regiões remotas e ribeirinhas, onde o acesso aos serviços básicos precisa chegar para todos”, disse.
Ainda segundo ele, o Ministério das Comunicações tem se empenhado em fomentar o acesso de populações carentes e interioranas a uma saúde de qualidade por meio da telemedicina.
“Temos apoiado inovações para reduzir as barreiras entre o atendimento médico de qualidade e pacientes que vivem longe dos grandes centros”, finalizou.
Consultas especializadas e completas
O MCom também detalhou que com a estabilidade do sinal e qualidade das chamadas de vídeo, as consultas feitas no âmbito do OpenCare 5G podem ter um grau a mais de complexidade.
Já foram realizados exames cardiológicos, ultrassonografias e outros procedimentos complexos, sem nenhuma interrupção e com elevadas taxas de sucesso.
Antes de aderir ao projeto, os médicos selecionados passaram por capacitações para realizar exames e consultas virtuais.
Outras regiões do Brasil também serão contempladas?
Conforme mencionado acima, nessa primeira fase do OpenCare 5G, os esforços estão concentrados na cidade de Miguel Alves, que tem 30 mil habitantes.
O MCom explica que a escolha do local se deu por sua semelhança com a maioria das cidades brasileiras, com grande população rural e infraestrutura urbana simples.
No entanto, a pasta não informou se e/ou quando o projeto vai chegar a outros lugares do país. De qualquer forma, é possível que, com o sucesso do OpenCare 5G, a iniciativa seja expandida e possa até mesmo ser integrada ao SUS como procedimento padrão.
* Com informações do Ministério das Comunicações












