
A Globo planeja lançar o aplicativo Globopop, focado em vídeos curtos, para concorrer com redes sociais globais no mercado móvel brasileiro até junho deste ano, buscando consolidar sua estratégia digital e publicitária antes da Copa do Mundo de 2026. O projeto, desenvolvido internamente, oferecerá conteúdo gratuito e vertical para atrair o público que consome mídia via smartphones, respondendo à necessidade de deter o controle sobre dados e audiência em um cenário dominado por empresas estrangeiras.
A nova plataforma não será apenas um repositório de vídeos, mas um ecossistema completo de entretenimento algorítmico. A ideia é que o serviço reúna produções originais da emissora, materiais exclusivos dos bastidores e as chamadas “novelinhas” verticais, que já contam com a participação de nomes como Jade Picon e Gustavo Mioto. Esse movimento mostra que a empresa reconhece que o formato vertical não é apenas uma tendência passageira, mas uma nova linguagem narrativa essencial.
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Monetização e mercado publicitário
No aspecto financeiro, o Globopop será totalmente sustentado por publicidade, garantindo o acesso gratuito para toda a base de usuários. A emissora pretende comercializar pacotes integrados que permitam que grandes marcas apareçam em espaços exclusivos, aproveitando a audiência de programas consolidados como o Big Brother Brasil. Essa integração comercial visa oferecer aos anunciantes uma entrega muito mais precisa e segmentada do que na televisão tradicional, gerando maior valor.

Para suportar essa infraestrutura digital pesada e garantir a fluidez dos conteúdos verticais, a empresa tem investido em parcerias tecnológicas locais. Recentemente, foi divulgado que a Globo passa a hospedar conteúdo na Magalu Cloud, um passo importante para otimizar a latência e a distribuição de mídia em território nacional. Essa estratégia técnica é fundamental para que o novo aplicativo suporte milhões de acessos simultâneos sem gargalos de rede.
Controle de dados e soberania digital
Ao criar sua própria rede de vídeos curtos, o grupo de mídia busca resolver um problema crítico: a dependência de plataformas como Google e Meta. Atualmente, boa parte dos dados de comportamento dos brasileiros está em mãos estrangeiras. Com o Globopop, a empresa passa a ter acesso direto a métricas valiosas sobre o que o jovem consome, como interage e o que prefere, permitindo ajustes rápidos na produção de conteúdo e na oferta de patrocínios nativos de forma independente.
O lançamento programado para o primeiro semestre não é coincidência, já que o evento futebolístico de 2026 servirá como o grande motor de tração para o aplicativo. A expectativa de engajamento é alta, especialmente porque a GE TV confirma transmissão da Copa do Mundo 2026, criando um ecossistema digital onde o torcedor poderá consumir tanto as partidas quanto os conteúdos rápidos e virais dentro das plataformas do grupo, gerando um ciclo contínuo de atenção.
Novas narrativas e entretenimento
O conselho de administração da companhia identificou o enorme potencial publicitário desse segmento após o sucesso dos resumos produzidos pelo Gshow. A iniciativa ainda é um projeto em estudo, conforme informado pela assessoria do grupo, mas o planejamento interno já está em estágio avançado. O objetivo da empresa é oferecer uma mistura de vídeos que viralizam nas redes sociais com conteúdo original produzido pela própria emissora, garantindo diversidade e relevância.
Atualmente, os conteúdos verticais produzidos pela casa são distribuídos de forma fragmentada no Globoplay e em redes de terceiros. A centralização no novo app permitirá que a narrativa das “novelinhas” ganhe mais força. Segundo fontes do setor, a plataforma também pretende aproveitar o conteúdo das tramas verticais, apelidadas de “novelinhas”, disponibilizando momentos exclusivos para atrair e engajar os usuários do novo aplicativo, criando um hábito de consumo móvel duradouro.





