A TV 3.0 deve estrear comercialmente no Brasil antes da Copa do Mundo de 2026, mas de forma restrita: por ora, apenas Rio de Janeiro e São Paulo estão confirmados para receber o sinal da nova geração da televisão aberta antes do início do torneio, em 11 de junho. A confirmação veio durante evento realizado na Anatel na segunda-feira, 9 de março, que homenageou participantes do processo de desligamento da TV analógica no país.
A estreia da seleção brasileira está prevista para 13 de junho, e a expectativa é que as transmissões da TV 3.0 já estejam ativas nas duas principais praças de mídia do país até lá. Há pressão para que Brasília também integre esse primeiro grupo, mas a logística para incluir a capital federal ainda é incerta. A aposta mais realista é que Brasília receba o sinal em algum momento do segundo semestre de 2026.
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GLOBO LIDERA, DEMAIS EMISSORAS AVALIAM
Segundo representantes de emissoras privadas presentes ao evento da Anatel, a Globo é a única emissora que se comprometeu publicamente a transmitir em TV 3.0 antes da Copa. As demais ainda avaliam viabilidade antes de bater o martelo:
- Logística: adequação de torres e transmissores nas praças prioritárias
- Financeiro: custo de antecipação das transmissões sem garantia de retorno imediato
- Demanda: ausência de um programa governamental de incentivo à distribuição de conversores ou subsídios à indústria de equipamentos — especialmente improvável em ano eleitoral
As emissoras públicas, porém, também terão transmissão em TV 3.0 até junho. Canais como TV Brasil, TV Câmara, TV Senado e TV Justiça terão posições garantidas no catálogo DTV+, o aplicativo central da nova televisão. O Gov.br será o primeiro serviço acessível pela tela inicial, permitindo que a população utilize serviços públicos direto pela TV.
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HERANÇA DO 4G FINANCIA A NOVA TV
Um dado que chamou atenção no evento é que recursos do leilão da faixa de 700 MHz — destinados originalmente ao financiamento do 4G — ainda irrigam a implantação da TV 3.0. O conselheiro Octávio Pieranti, atual presidente do Gired, destacou que o fundo começou com cerca de R$ 3,5 bilhões em obrigações das operadoras móveis e gerou sobras que financiaram etapas além das originalmente previstas.
“O Gired começou com aproximadamente R$ 3,5 bilhões. E havia dúvidas se seriam suficientes. Mas não só concluímos a fase um, como sobraram recursos e aí veio a fase dois. E mais recentemente a fase três”, afirmou Pieranti.
Ao longo dos anos, esses recursos foram aplicados em:
- Distribuição de 14 milhões de kits conversores para famílias de baixa renda (desde 2016)
- Instalação de antenas transmissoras em 1.568 municípios com menos de 30 mil habitantes
- Financiamento de um trecho da infovia fluvial Santarém-Manaus, na Amazônia
- Custeio, via leilões reversos, da instalação de antenas 4G em pequenos distritos sem cobertura
A última sobra estimada é de R$ 40 milhões, já com destino definido: metade vai para novas ERBs 4G em pequenos distritos, e a outra metade para a radiodifusão — incluindo R$ 5 milhões para o desenvolvimento de aplicativos para a TV 3.0.
O QUE É A TV 3.0 E O QUE MUDA PARA O TELESPECTADOR
A TV 3.0 é a evolução da televisão digital brasileira, com base no padrão ATSC 3.0. Ela unifica o sinal gratuito de antena com a internet e transforma a experiência do telespectador. Confira o que muda na prática:
| Recurso | TV Digital atual | TV 3.0 |
|---|---|---|
| Qualidade de imagem | HD (720p) | 4K e 8K |
| Áudio | Estéreo/surround básico | Áudio imersivo |
| Interatividade | Limitada (Ginga) | Apps, votações, compras na tela |
| Publicidade | Genérica | Segmentada por perfil |
| Acessibilidade | Legendas básicas | Recursos avançados integrados |
| Alertas de emergência | Não disponível | Sim |
| Integração com internet | Não | Sim |
A regulamentação foi assinada pelo presidente Lula em agosto de 2025. A expansão para todo o território nacional deve levar até 15 anos, em processo gradual — bem diferente do ritmo do desligamento da TV analógica, que foi concluído no fim do ano passado com atraso no Rio Grande do Sul por conta das enchentes de 2024. Os testes da TV 3.0 em Brasília começaram em fevereiro e marcam uma nova fase da TV aberta no Brasil.












