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150 anos do telefone: de Bell ao 5G, como o Brasil evoluiu nas telecom

Cristino Melo
7 min de leitura

telefone completa 150 anos nesta terça-feira, 10 de março de 2026. Foi nessa mesma data, em 1876, que o inventor britânico naturalizado norte-americano Alexander Graham Bell realizou, em Boston, nos Estados Unidos, a primeira ligação telefônica da história — chamando seu assistente Thomas Watson em outro cômodo com a frase: “Senhor Watson, venha aqui. Preciso vê-lo.” A data passou a ser celebrada como o Dia do Telefone e marca o início de uma revolução nas telecomunicações que ressoa até hoje.

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A INVENÇÃO QUE MUDOU O MUNDO

Três dias antes da ligação histórica, Bell havia obtido a patente da invenção, após uma acirrada disputa com outros inventores, entre eles o italiano Antonio Meucci. A chegada do telefone ao Brasil seguiu um caminho rápido para a época:

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  • Junho de 1876 — O imperador Dom Pedro II experimenta pessoalmente o aparelho durante uma exposição internacional em Filadélfia e teria exclamado: “Meu Deus, isto fala!”
  • 1877 — A tecnologia chega ao Brasil com a instalação de um dos primeiros aparelhos do país no Palácio Imperial da Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro — onde hoje funciona o Museu Nacional
Graham Bell telefone
Reprodução/History

DO PRIVILÉGIO À UNIVERSALIZAÇÃO

Por mais de um século após sua chegada ao Brasil, o telefone permaneceu como artigo de luxo. Possuir uma linha fixa era considerado um ativo patrimonial, muitas vezes declarado no Imposto de Renda, e as filas de espera por uma linha podiam durar anos. Em 1980, com 121 milhões de habitantes, o Brasil contava com apenas cerca de 4,8 milhões de linhas telefônicas ativas.

A virada estrutural veio em 1997, com marcos que transformaram definitivamente o setor:

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  • Lei Geral de Telecomunicações (LGT) — reformulou o setor, abriu o mercado à concorrência e criou as bases para a privatização do sistema Telebrás
  • Criação da Anatel — o Estado deixou de ser o provedor direto dos serviços para se tornar regulador e fiscalizador
  • Fundo de Universalização (Fust) — instrumento criado para ampliar o acesso à população, com projetos de conectividade em escolas e áreas rurais

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COMO A TECNOLOGIA EVOLUIU GERAÇÃO A GERAÇÃO

Da linha fixa ao 5G, cada geração tecnológica ampliou radicalmente o que é possível fazer com um telefone:

TecnologiaPeríodoImpacto para o usuário
Telefonia fixaSéc. XIX – XXComunicação de voz à distância entre residências, empresas e governos
2G / 3GFinal dos anos 1990 e anos 2000Popularização do celular, SMS e primeiros acessos à internet móvel
4GAnos 2010Uso massivo de apps, redes sociais e streaming de vídeo no celular
5GAnos 2020Internet das Coisas, cidades inteligentes e automação industrial

O BRASIL NO CENTRO DO 5G MUNDIAL

Hoje, o contraste com 1876 é impressionante. O Brasil conta com cerca de 20 milhões de assinantes de telefonia fixa e aproximadamente 270 milhões de acessos em telefonia móvel. Segundo o conselheiro da Anatel Octavio Pieranti, o telefone deixou de ser apenas um aparelho de voz para se tornar o principal terminal de acesso a serviços digitais.

“Estamos em uma realidade bem diferente daquela de 150 anos atrás. Hoje, o telefone está presente no nosso dia a dia para um número muito maior de funções. Acessamos bancos, redes sociais, aplicativos de mensagens e muito mais”, afirmou Pieranti.

Os números do 5G no Brasil, em fevereiro de 2026, mostram um avanço que supera as projeções iniciais do leilão realizado em 2021:

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  • 58 milhões de linhas 5G ativas, representando cerca de 21,5% da base móvel nacional
  • +2.000 municípios cobertos pelo sinal de quinta geração
  • 65% da população brasileira já tem acesso ao 5G
  • 3º lugar mundial em velocidade média de download no 5G, segundo a Opensignal (2025), atrás apenas de Coreia do Sul e Singapura
  • Top 50 global em velocidade de download, segundo o Speedtest Global Index da Ookla — saindo de posições próximas à 80ª em 2022

O FUTURO: 6G E INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

O próximo capítulo já está sendo escrito. O conselheiro Octavio Pieranti traça o calendário esperado para o 6G no Brasil:

  1. 2027–2028 — Fase de normatização internacional do 6G
  2. 2029–2030 — Primeiros projetos experimentais e início da implementação mais ampla
  3. A partir de 2030 — Chegada do 6G ao mercado, com o Brasil partindo em posição favorável por já acumular experiência com redes 5G standalone (SA)

Além do 6G, a inteligência artificial promete aprofundar o papel do celular como hub central da vida digital. “O aparelho celular tende a se consolidar como o principal receptor e porta de acesso a todo tipo de serviço — desde serviços de governo até a transmissão de conteúdos audiovisuais”, projetou Pieranti.

Cento e cinquenta anos separam a frase de Bell à Thomas Watson do smartphone no bolso de cada brasileiro. A distância tecnológica é abissal; a essência, a mesma: conectar pessoas. E o Brasil, de espectador no Palácio Imperial à terceira posição no 5G mundial, transformou-se em protagonista dessa revolução.

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