25/02/2024

Relatório afirma que ‘X’ é a rede social com mais desinformação

Relatório em questão trata-se de uma avaliação sobre a relação das redes sociais com o compromisso combater desinformação sobre o clima.

Um novo relatório, intitulado “Clima da Desinformação,” foi publicado recentemente em Nova York. O relatório analisou as práticas das principais redes sociais na luta contra a proliferação de desinformação relacionada ao clima. Entre as cinco redes sociais pesquisadas, que incluíam Meta (que engloba Facebook e Instagram), Pinterest, YouTube, TikTok e Twitter (que agora é chamado de X), o Twitter/X foi classificado como o pior em termos de suas práticas.

Desinformação

O documento foi produzido pela Climate Action Against Disinformation (Ação Climática Contra a Desinformação – CAAD), com o objetivo de avaliar o progresso das grandes empresas de tecnologia nos últimos anos em relação ao enfrentamento da desinformação climática. O relatório também identificou essas empresas como “cúmplices” na disseminação da negação da crise climática.

Essa classificação coloca o Twitter/X, rede de Elon Musk, no centro das críticas por não ter implementado medidas eficazes para combater a desinformação climática. A CAAD busca destacar as lacunas existentes no esforço dessas empresas em lidar com um problema tão crucial como a desinformação relacionada ao clima.

Twitter/X no centro das críticas

Durante a Semana do Clima de Nova York, um documento crucial foi apresentado, trazendo à tona descobertas impactantes que lançam luz sobre a situação atual da disseminação de desinformação climática, de acordo com a Comissão de Conscientização sobre as Mudanças Climáticas (CCAD). As conclusões deste relatório revelam uma realidade alarmante no cenário das redes sociais:

  1. Pinterest se destaca como a plataforma de melhor desempenho quando se trata de suas políticas para mitigar a disseminação da desinformação climática, recebendo a maior pontuação entre as avaliadas. No entanto, mesmo com esse destaque, ainda há margem para melhorias em suas práticas.
  2. YouTube, Meta (anteriormente conhecida como Facebook) e TikTok demonstraram comprometimento em lidar com a desinformação climática, estabelecendo políticas para enfrentar esse problema. No entanto, a aplicação efetiva dessas políticas ainda é uma questão pendente.
  3. Em contraste, o Twitter/X registrou o pior desempenho, recebendo apenas um ponto em uma análise que abordou 21 quesitos. A plataforma carece de políticas claras para abordar a desinformação climática, não oferece mecanismos significativos de transparência pública e não apresenta evidências de efetiva aplicação de suas políticas.
  4. Surpreendentemente, nenhuma das plataformas examinadas oferece relatórios algorítmicos e a maioria delas não relata tendências relacionadas à desinformação climática, o que levanta questões sobre a visibilidade desses problemas.
  5. A análise não encontrou dados disponíveis que sugiram que as plataformas estejam efetivamente aplicando as políticas de combate à desinformação climática que já possuem em vigor, aumentando as preocupações quanto à eficácia dessas medidas.
  6. Além disso, a maioria das redes sociais não possui políticas claras para lidar com a prática conhecida como “lavagem verde”, que envolve a apresentação enganosa de empresas ou produtos como ambientalmente amigáveis.
  7. As avaliações abrangeram 21 critérios, incluindo transparência, monetização, privacidade, políticas de conteúdo e conformidade com as regras. Notavelmente, o único ponto positivo registrado para o Twitter foi referente à acessibilidade e clareza de sua política de privacidade para os usuários diários.

As mudanças recentes na rede social são apontadas como as culpadas

O relatório aponta que a baixa pontuação no combate à desinformação climática no Twitter está relacionada às mudanças feitas pela nova gestão após a aquisição por Elon Musk. Isso gerou incerteza sobre as políticas em vigor.

No segundo trimestre de 2022, o Twitter anunciou uma nova política de anúncios contra conteúdos negacionistas, mas não há dados suficientes para verificar sua eficácia. Além disso, o Twitter agora carece de um processo claro para denunciar conteúdo prejudicial desde a aquisição por Musk, que também resultou em demissões e falta de transparência.

O relatório aborda o desempenho das principais plataformas digitais em relação à abordagem da desinformação climática, identificando várias áreas em que essas plataformas precisam melhorar significativamente.

Embora algumas delas tenham mostrado progresso, o relatório ressalta que ainda há muito trabalho a ser feito. Notavelmente, nenhuma das plataformas analisadas fornece transparência adequada em relação aos algoritmos que impulsionam seu conteúdo ou compartilha dados sobre práticas enganosas de propaganda ambiental, conhecidas como “greenwashing”.

Entre as principais vulnerabilidades destacadas no relatório estão:

  1. Compromissos não cumpridos: Plataformas como YouTube, Meta (anteriormente Facebook) e TikTok comprometeram-se a combater notícias falsas relacionadas ao clima em suas plataformas, no entanto, pesquisas independentes sugerem que esses compromissos não estão sendo totalmente cumpridos.
  2. Falta de definições claras: Quatro das cinco plataformas analisadas não possuem políticas de moderação que incluem uma definição universal de desinformação climática. Isso pode levar a interpretações variadas e inadequadas da desinformação.
  3. Falta de uniformidade linguística: Nenhuma das plataformas demonstrou um esforço consistente na moderação de conteúdo falso relacionado ao clima em diferentes idiomas. Isso pode permitir que a desinformação se espalhe em diversas regiões linguísticas.
  4. Políticas de privacidade problemáticas: Quatro das cinco plataformas possuem políticas de privacidade que são difíceis de entender e que não impedem adequadamente a venda ou compartilhamento de dados pessoais, ou falham em ambos os aspectos.
  5. Falta de compartilhamento de tendências: Quatro das cinco plataformas não compartilham informações sobre as tendências relacionadas à desinformação climática. Isso dificulta o acompanhamento e a compreensão das correntes de desinformação em curso.
  6. Escassez de ferramentas educativas: Duas das cinco plataformas não oferecem ferramentas educativas para conscientização e informação sobre questões climáticas, o que poderia ajudar a combater a desinformação.
  7. Ineficácia de ferramentas existentes: O relatório também aponta que ferramentas como o Centro de Ciência Climática do Facebook foram consideradas insuficientes para combater a desinformação climática.

É importante observar que o CAAD (Centro de Ação e Análise sobre Desinformação Climática) recebe o apoio de mais de 50 organizações não governamentais (ONGs) dedicadas à ação ambiental em todo o mundo, incluindo nomes conhecidos como Greenpeace e Amigos da Terra Internacional. Isso destaca a importância do trabalho realizado pelo CAAD e a necessidade de um esforço coletivo para abordar a desinformação climática nas plataformas digitais.

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