Novos satélites da Viasat podem expandir oferta de internet no país

Em entrevista exclusiva, diretor-geral explica como o lançamento da constelação global ViaSat-3 pode beneficiar o Brasil.

Recém anunciado para o cargo de diretor-geral da operação brasileira da Viasat, Leandro Gaunszer será o responsável por liderar a expansão estratégica da empresa no país.

Em entrevista exclusiva para o Minha Operadora, Gaunszer explicou a intenção da empresa de oferecer opções de conectividade para todos os brasileiros. 

Atualmente, a Viasat oferece conectividade no país por meio do uso do satélite brasileiro SGDC-1, a partir de um acordo com a Telebras.

Apesar de ainda ser um serviço caro, ele é ainda a única opção para muitas populações não atendidas e sem acesso a serviços de conectividade de alta velocidade e confiabilidade.

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Porém, com o lançamento dos satélites da ViaSat-3, que contam com a tecnologia GEO, o diretor explica que a empresa terá uma constelação de três satélites com aproximadamente oito vezes a capacidade da frota atual em serviço, “fornecendo conectividade em uma cobertura global” e integrada para oferecer “conectividade de alta velocidade, segura e de alta qualidade para parceiros de todo o mundo”.

Ele prevê que a nova constelação fornecerá capacidade adicional que permitirá a companhia continuar a oferecer planos únicos em todo o Brasil.

Confira abaixo a entrevista com Leandro Gaunszer, da Viasat.

Qual a importância do serviço de banda larga via satélite?

Em países como o Brasil, de dimensões continentais, a tecnologia de satélite é fundamental para oferecer conectividade de forma eficiente pelos locais mais difíceis de alcançar do país, incluindo regiões que não são atendidas pelos outros meios de conectividade a banda larga, como por fibra. Com o SGDC-1, por exemplo, a Viasat hoje oferece planos de internet residencial projetados para os brasileiros em todos os municípios do país.

A banda larga via satélite ainda é um serviço caro quando comparado com outras tecnologias de conectividade, mas a única opção para muitos brasileiros residentes em áreas rurais. Quais são os principais fatores que acabam aumentando o custo desse tipo de serviço?

O valor de oferta de internet banda larga fixa teve uma redução nos últimos anos, graças à expansão de fibra. Entretanto, estas soluções de conectividade ainda são incapazes de alcançar e servir consumidores desconectados que residem em áreas rurais. Há uma quantidade finita de tráfego que a internet via satélite pode acomodar e estamos constantemente trabalhando para oferecer a melhor experiência ao cliente, assegurando que nossa rede seja otimizada para a demanda em qualquer momento. Além disso, a Viasat maximiza o valor que entregamos, oferecendo a nossos clientes a maior quantidade de dados a um custo específico. Isto também inclui o preço da antena e do modem Wi-Fi. Prevemos que a constelação ViaSat-3 fornecerá capacidade adicional que nos permitirá continuar a oferecer estes planos únicos em todo o Brasil.

Em paralelo, o setor contou com uma medida provisória em dezembro que reduziu a taxa de fiscalização de instalação (TFI) das antenas (Vsats) para receber os sinais de banda larga – de R$ 201 por unidade passou para R$ 26, por exemplo. Medidas como essa melhoram a competitividade do produto, levando em consideração que a tributação do setor de telecomunicações se encontra na faixa de 40% na banda larga fixa, de acordo com a União Internacional de Telecomunicações. Enquanto isso, a Viasat também explora outras linhas de negócio como o projeto piloto de Internet Comunitária, que oferece conectividade por meio de pacotes de dados ou por tempo de forma pré-paga.

Concepção artística de satélite da constelação ViaSat-3. Imagem: Boeing

O que poderia ser feito para tornar o serviço de internet via satélite mais acessível no Brasil?

Além dos fatores mencionados anteriormente, podemos citar alguns programas que já existem e que podem ser expandidos, como o GESAC, que leva conectividade para mais de 12 mil órgãos públicos em todo o país e conecta mais de 2,5 milhões de alunos no Brasil, por exemplo.

A Viasat já oferece o seu programa de Internet Comunitária em outros mercados como o mexicano e conta com testes piloto em andamento na América Central e outras regiões ao redor do mundo. Atualmente temos trabalhado com um projeto piloto no interior do estado de São Paulo e esperamos expandir oficialmente para mais lugares em todo o país.

É muito comum as pessoas dizerem que a internet via satélite não funciona em dias nublados ou com chuva. Isso é verdade ou apenas um mito?

A internet via satélite pode funcionar durante a chuva; no entanto, é verdade que por conta da transmissão de dados ocorrer na direção do céu, as ondas de rádio geradas pelo satélite são suscetíveis a interferências climáticas severas.

Entretanto, é necessária uma chuva muito forte, como de tempestades torrenciais, para provocar uma grave interrupção do serviço. Porém, a Viasat implementa medidas para mitigar a interrupção do serviço, como aumentar a potência, mudar a modulação do sinal, ou usar equipamentos de rede em solo para corrigir a operação automaticamente. E, apesar das eventuais interferências causadas por tempestades, considerando regiões que não são alcançadas por outros meios de conectividade, a internet via satélite é uma alternativa extremamente confiável e com comprovada atuação em outros mercados, como EUA e Europa.

Além do SGDC-1, a Viasat tem planos de utilizar outros satélites para prover conectividade para consumidores finais em solo brasileiro?

A empresa espera que a constelação global ViaSat-3, uma vez em serviço, forneça aproximadamente oito vezes a capacidade da atual frota de satélites da Viasat em serviço, com a capacidade de fornecer conectividade acessível em quase todo o mundo. Os satélites ViaSat-3 foram projetados para maior flexibilidade e podem alocar dinamicamente a capacidade por serviço, horário e geografia, permitindo à Viasat alocar a capacidade dos satélites para mercados onde a demanda e o retorno de banda são maiores. Assim podemos somar esforços com o satélite SGDC-1 da Telebras para nossas ofertas comerciais no território brasileiro.

Antena do projeto piloto do Wi-Fi Comunitário no interior de São Paulo. Imagem: Rafael Roncato/Divulgação

Quais são as oportunidades que você vê para a Viasat e para a indústria de satélites em geral com a chegada do 5G no Brasil?

A Viasat acredita que a tecnologia 5G é mais vantajosa em centros urbanos. Porém, mesmo outras tecnologias ainda mais estabelecidas no mercado brasileiro, como o 4G e a fibra óptica, ainda não são capazes de abranger o país inteiro. Por outro lado, a internet via satélite chega a lugares que a internet cabeada não chega, o que é importante quando pensamos que um em cada quatro brasileiros não têm acesso à internet, segundo a PNAD Contínua. 

O que a Viasat espera alcançar nos próximos anos com a parceria com a operadora SKY?

A parceria entre Viasat e SKY, e outras estabelecidas previamente, como com a Visiontec, está alinhada com o objetivo da Viasat em oferecer opções de conectividade para todos os brasileiros. A partir delas, ganhamos braços adicionais para distribuição dos nossos serviços, e com presença em todos os municípios onde oferecemos nossos serviços residenciais.

Perfil

Com mais de 20 anos de experiência na gestão estratégica de negócios, Leandro Gaunszer ocupou posições sênior nas áreas de Estratégia, Marketing e Transformação na Telefônica. Ele trabalhou na intersecção das comunicações e tecnologia entre os mercados residencial, B2B e atacadista dentro das operações latino-americanas e europeias do Grupo Telefônica.

About Hemerson Brandão
Jornalista, gestor e produtor de conteúdo. São 8 anos trabalhando com blogs, revistas, agências e clientes corporativos. Apaixonado por ciência, tecnologia e exploração espacial.
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