A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou, na segunda-feira (23), uma nova fase da Operação Caminhos do Cobre, mirando um grupo criminoso responsável pelo roubo de cabos de cobre subterrâneos que movimentou quase R$ 418 milhões ao longo de cinco anos, afetando diretamente empresas de telefonia, TV a cabo e concessionárias de serviços públicos em pelo menos quatro estados brasileiros.
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A operação
A ação foi conduzida pela Delegacia de Roubos e Furtos (DRF) e resultou no cumprimento de 42 mandados de busca e apreensão contra 31 alvos, com mais de R$ 500 mil apreendidos. As diligências ocorreram simultaneamente no Rio de Janeiro — incluindo os municípios de Nilópolis, Mesquita e Itaguaí —, além de São Paulo, Minas Gerais e Tocantins.

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Como o esquema funcionava
Segundo as investigações, a organização atuava com estrutura dividida em quatro núcleos:
- Estratégico — coordenação geral das ações
- Operacional — execução dos furtos e transporte do material
- Receptação — ferros-velhos e empresas de reciclagem para escoar o cobre
- Financeiro — movimentação e ocultação dos recursos obtidos
Os furtos aconteciam durante a madrugada, quando caminhões arrancavam os cabos subterrâneos enquanto motociclistas atuavam como batedores, bloqueando vias e monitorando a movimentação policial. Após o roubo, o material era fracionado e parte do cobre chegou a ser escondida em comunidades controladas por facções criminosas — prática que também foi identificada em outros estados, onde facções já chegaram a cortar fios e impor serviços próprios de internet à população.
Lavagem de dinheiro e notas frias
Para dar aparência de legalidade às transações, o grupo usava:
- Emissão de notas fiscais falsas para simular operações regulares
- Fragmentação dos valores em transferências bancárias sucessivas
- Empresas de fachada para ocultar a origem dos recursos
Só o principal investigado teria movimentado mais de R$ 97 milhões — valor incompatível com a renda declarada. Uma das empresas centrais no esquema registrou movimentação superior a R$ 90 milhões.
Impacto para o setor de telecomunicações
O roubo sistemático de cabos de cobre representa uma ameaça direta à infraestrutura de telecomunicações. Empresas de telefonia fixa, TV a cabo e operadoras de internet sofrem interrupções de serviço, prejuízos milionários e altos custos de reposição.
O cenário reforça a tendência de migração acelerada do cobre para a fibra óptica: uma empresa já abandonou oficialmente o cobre e está forçando operadoras a fazerem a transição, o que deve reduzir a exposição do setor a esse tipo de crime no longo prazo.
Balanço desde setembro de 2024
Desde o início da operação, os resultados acumulados são expressivos:
| Indicador | Resultado |
|---|---|
| Fiscalizações em ferros-velhos | +430 |
| Prisões realizadas | ~200 |
| Cobre e metais apreendidos | ~300 toneladas |
| Ativos financeiros bloqueados | ~R$ 240 milhões |












