
Pela primeira vez desde 2019, a Alphabet retomou o posto de segunda empresa mais valiosa dos Estados Unidos, superando a Apple em valor de mercado.
A mudança no ranking ocorreu na última quarta-feira (7), quando a controladora do Google encerrou o pregão com uma capitalização de US$ 3,88 trilhões, cifra alcançada após uma valorização de mais de 2% nas ações da empresa. No mesmo dia, a Apple foi avaliada em US$ 3,84 trilhões, acumulando perdas de mais de 4% nos cinco pregões anteriores.
O novo cenário coloca a Alphabet atrás apenas da Nvidia, que lidera com uma capitalização superior a US$ 4,6 trilhões, consolidando-se no topo das gigantes de tecnologia norte-americanas.
Investimentos em IA impulsionam valorização da Alphabet
Boa parte do avanço recente da Alphabet no mercado financeiro está ligada à sua atuação no setor de inteligência artificial (IA). Em 2025, a empresa lançou o Gemini 3, versão mais recente de seu modelo de linguagem, que foi bem recebido por analistas do setor. O movimento reforçou a percepção de que o Google está entre os líderes globais na corrida pela IA generativa.
Outro fator decisivo foi o desenvolvimento dos chips TPUs (Tensor Processing Units), com a sétima geração, batizada de Ironwood, apresentada no fim do ano passado.
A tecnologia própria tem sido posicionada como alternativa às soluções da Nvidia e já atraiu a atenção de empresas como Anthropic e Meta, potenciais parceiras em infraestrutura de data centers.
De acordo com analistas da D.A. Davidson, os negócios relacionados a IA e à divisão DeepMind poderiam, juntos, atingir um valor de mercado próximo a US$ 1 trilhão em caso de desmembramento estratégico.
Nuvem em alta e novos contratos bilionários
A atuação da Alphabet no setor de computação em nuvem também teve papel relevante no desempenho das ações.
Segundo o CEO Sundar Pichai, o Google Cloud fechou, até o terceiro trimestre de 2025, mais contratos acima de US$ 1 bilhão do que nos dois anos anteriores somados.
O executivo destacou a crescente demanda por soluções corporativas baseadas em IA como motor desse crescimento.
Apple desacelera e enfrenta desconfiança do mercado
Enquanto a Alphabet conquista novos marcos, a Apple tem enfrentado um momento de incerteza.
A companhia ainda não apresentou uma estratégia clara para o mercado de inteligência artificial, e a nova versão da assistente Siri, prometida para 2025, foi adiada para este ano. A ausência da marca na disputa por protagonismo no segmento de IA vem sendo criticada por analistas e investidores.
Nesta semana, o banco Raymond James rebaixou a recomendação para os papéis da Apple, citando expectativas limitadas de ganhos para 2026. A movimentação refletiu diretamente nas ações, que registraram queda em sequência ao longo dos últimos dias.
Perspectivas
A virada de posição entre Alphabet e Apple representa mais do que uma mudança temporária de números: indica uma nova fase de disputa entre gigantes da tecnologia, com a inteligência artificial no centro da transformação.
À medida que empresas como o Google intensificam seus investimentos em inovação e infraestrutura, o setor de tecnologia sinaliza um reposicionamento onde o diferencial competitivo está cada vez mais atrelado à capacidade de entrega em IA e nuvem.
Para a Alphabet, o momento é de valorização e consolidação estratégica. Já para a Apple, o cenário exige respostas rápidas e uma reconfiguração de prioridades.





