
O governo da Colômbia oficializou, por meio do Decreto 1481 de 30 de dezembro de 2025, a venda de sua participação de 32,5% na Movistar (Colombia Telecomunicaciones – Coltel), eliminando o último grande obstáculo para que a empresa luxemburguesa Millicom assuma o controle total da operadora e consolide sua fusão com a Tigo no mercado colombiano.
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Venda em duas etapas
A decisão foi tomada pelo Ministério da Fazenda colombiano, que estabeleceu o preço de 772,38 pesos por ação para um total de 1.108 milhões de ações. Com essa transação, o governo espera arrecadar cerca de 850 bilhões de pesos colombianos, aproximadamente 228 milhões de dólares, recursos que serão destinados ao orçamento nacional para financiar programas de investimento social e outras prioridades estatais. O processo de venda será realizado conforme estabelece a Lei 226 de 1995:
- Primeira etapa: Com duração mínima de dois meses a partir da publicação do edital, as ações serão oferecidas exclusivamente a trabalhadores, ex-funcionários, aposentados, sindicatos, associações de empregados e cooperativas vinculadas à empresa, em condições preferenciais.
- Segunda etapa: Após o encerramento da fase inicial, as ações não adquiridas serão disponibilizadas ao público geral e investidores estrangeiros. Embora o processo seja aberto, a Millicom é a principal candidata a adquirir o pacote acionário restante, já que a empresa manifestou interesse em comprar a participação pelo mesmo valor acordado com a Telefónica.
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Investimento bilionário da Millicom
A Millicom está investindo pesadamente para consolidar sua presença no mercado colombiano de telecomunicações. A empresa luxemburguesa já fechou acordos estratégicos com a Telefónica e a EPM. O investimento total ultrapassará 1,1 bilhão de dólares, tornando-se a maior operação corporativa do setor na última década.
| Aquisição | Participação | Valor |
|---|---|---|
| Movistar Colombia (Telefónica) | 67,5% | US$ 400 milhões |
| Tigo Colombia (EPM) | ~50% | US$ 525 milhões |
| Movistar Colombia (Governo) | 32,5% | US$ 228 milhões |
Com essas aquisições, a consolidação criará um novo gigante no mercado, controlando duas das principais operadoras do país.
Exigências regulatórias
A fusão entre Tigo e Movistar recebeu autorização condicionada da Superintendência de Indústria e Comércio (SIC) em novembro de 2025. Entre as exigências impostas pelo órgão regulador está a devolução obrigatória de parte do espectro radioeléctrico, já que a empresa unificada ultrapassaria os limites legais permitidos pela legislação colombiana.
Além disso, a SIC e o Ministério das Tecnologias da Informação e Comunicações estabeleceram condições rígidas para proteger usuários e operadoras menores. A nova empresa está proibida de realizar alterações unilaterais nos contratos com Operadores Móveis Virtuais (OMV), como Virgin e WOM, que dependem de suas redes para funcionar.
Carlos Blanco, presidente da Tigo, justificou a necessidade da fusão afirmando que é preciso “entregar mais dados aos clientes e baixar os preços para ser competitivos”, o que reduz as margens de lucro e exige investimentos contínuos. Fabián Hernández, presidente da Telefónica Movistar Colombia, destacou que as operadoras buscam “melhores formas de usar os recursos via integrações” para gerar eficiências e impulsionar inovações.
Preocupações com a concorrência
Apesar das garantias oferecidas pelo governo sobre a continuidade e qualidade dos serviços, a operação gerou resistências. A operadora WOM apresentou queixa formal à Presidência da República, alertando que a união de Tigo e Movistar poderia criar um duopólio que, junto com a Claro, controlaria mais de 90% do mercado móvel colombiano, reduzindo a concorrência.
O governo colombiano afirmou que a vigilância sobre a governança de dados e portabilidade numérica será constante. Até o fechamento de todos os trâmites legais e regulatórios, Movistar e Tigo continuarão operando de forma independente, sem mudanças imediatas nos planos ou na cobertura oferecida aos clientes.




