Reprodução/Varadouro

Starlink lidera banda larga em municípios rurais no Brasil

Cristino Melo
6 min de leitura

A Starlink, empresa de internet via satélite do empresário Elon Musk, é a principal operadora de banda larga nos municípios mais rurais do Brasil. Segundo levantamento do Poder360 com dados da Anatel, a companhia soma 8.731 acessos de banda larga fixa em cidades onde mais de 75% da população vive fora da área urbana, o que corresponde a 12,8% do total de conexões nesses territórios.

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O levantamento considera como hiper-rurais os municípios em que a maior parte dos moradores reside fora do perímetro urbano. Nesses locais, operadoras tradicionais registram participações irrisórias: a Claro aparece na 37ª posição, com 472 acessos e 0,7% do mercado, enquanto a Vivo ocupa a 188ª colocação, com apenas 5 acessos e 0,01% de participação.

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A vantagem da Starlink nos municípios rurais está diretamente ligada à sua arquitetura tecnológica. A conexão via satélite dispensa a instalação de infraestrutura terrestre extensa, como cabos de fibra óptica, torres e redes de distribuição. Em regiões remotas do interior brasileiro, esse tipo de estrutura é escasso ou simplesmente inexistente, tornando inviável a oferta de serviços por operadoras convencionais.

Veja como funciona a conexão da Starlink do satélite até o cliente:

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  1. A SpaceX lança satélites em órbita baixa, posicionados mais próximos da Terra do que os equipamentos tradicionais
  2. O cliente instala uma antena no imóvel, enviada diretamente pela empresa ao endereço do assinante, sem necessidade de infraestrutura externa
  3. A antena capta o sinal dos satélites em órbita e estabelece a conexão
  4. Os satélites retransmitem o sinal para estações terrestres da Starlink
  5. As estações terrestres integram a conexão à rede global de internet

O desempenho da empresa também cresce conforme aumenta o grau de ruralidade dos municípios. Quanto mais rural a cidade, maior a fatia de mercado da Starlink na banda larga local, como mostra a tabela abaixo:

Faixa de ruralidadeParticipação da Starlink
Menos de 1% rural0,4%
1% a 10% rural2,7%
10% a 25% rural6,9%
25% a 50% rural10,3%
50% a 75% rural10,0%
Mais de 75% rural12,8%

CRESCIMENTO ACELERADO NO BRASIL

Desde a chegada ao país, em fevereiro de 2022, a Starlink acumulou um ritmo de expansão sem paralelo no setor. A empresa registrou crescimento médio mensal de 59% no número de acessos, saltando de zero para 704.761 conexões até março de 2026. No mesmo período, as operadoras tradicionais não chegaram a crescer mais do que 1% ao mês.

Esse desempenho fez da Starlink a 14ª maior operadora de banda larga fixa do Brasil. A Claro lidera com 10,7 milhões de assinantes e a Vivo aparece em segundo com 8,2 milhões, mas ambas crescem a uma fração da velocidade da empresa de satélites. Não por acaso, o Brasil se tornou o segundo maior mercado da Starlink no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.

PREÇO AINDA É BARREIRA

Apesar do avanço nas áreas rurais, o custo de adesão representa um obstáculo significativo. O kit de antena mais acessível, o modelo mini, custa em média R$ 2.000, podendo ser encontrado por R$ 499 em localidades selecionadas. A mensalidade acrescenta outros R$ 189 à conta. Operadoras tradicionais, por sua vez, costumam oferecer planos residenciais por cerca de R$ 100 por mês, frequentemente sem custo de adesão.

Starlink antena
Divulgação/Starlink

A diferença de preço ajuda a explicar o surgimento das chamadas “fazendas de Starlink” em regiões remotas. Nesses casos, um intermediário reúne várias antenas num mesmo local, agrega a capacidade de conexão e revende o sinal para moradores da vizinhança. A expansão da Starlink para conexão direta no celular pode, no futuro, reduzir essa dependência de equipamentos físicos.

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PRÁTICA IRREGULAR PREOCUPA ANATEL

A Anatel alerta que o modelo das “fazendas de Starlink” é irregular quando operado sem autorização. Pela regulamentação vigente, o SCM (Serviço de Comunicação Multimídia) é a outorga necessária para ofertar capacidade de transmissão de dados a assinantes. Operar esse serviço sem autorização configura exploração clandestina de telecomunicações, sujeita às penalidades previstas em lei.

Há também uma divergência nos números da operadora. Em janeiro de 2026, a empresa anunciou ter atingido 1 milhão de clientes no Brasil. Nos registros da Anatel de março do mesmo ano, o total era de 704.761 acessos. A agência informou que a inconsistência pode decorrer do envio de informações incorretas pela própria Starlink, cujos planos projetam 25 milhões de usuários globais até o fim de 2026.

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