A banda larga fixa no Brasil atingiu velocidade média de download de 221,53 Mbps, mais que o dobro da média global de 120,52 Mbps, segundo relatório divulgado nesta segunda-feira (4), pela Ookla, empresa responsável pela plataforma Speedtest. O desempenho coloca o país na 26ª posição do ranking mundial de velocidade de internet fixa, destacando avanços significativos na infraestrutura de telecomunicações nacional.
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O resultado é atribuído principalmente à expansão da fibra óptica no país. Ao fim de 2024, 18,7% da população brasileira já contava com assinatura de rede fibra, índice superior à média de 17,1% registrada entre os países da OCDE. A Ookla ressalta que, nas localidades onde o serviço está disponível, os provedores brasileiros entregam conexões genuinamente rápidas.
BRASIL À FRENTE DE GRANDES ECONOMIAS
Veja como o Brasil se compara a outros países no ranking global de velocidade de banda larga fixa em março de 2026:
| País | Velocidade média (Mbps) |
|---|---|
| Singapura (1º) | 425,26 |
| Brasil (26º) | 221,53 |
| Itália | 117,11 |
| México | 104,25 |
| Alemanha | 103,72 |
| Média global | 120,52 |
A posição do Brasil reforça que a combinação entre regulação favorável, expansão da fibra e atuação de provedores regionais tem produzido resultados concretos em conectividade, colocando o país acima de economias europeias de grande porte.
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PAPEL DOS PROVEDORES REGIONAIS
Um traço marcante do mercado brasileiro é a predominância de ISPs menores: quase 60% da banda larga fixa do país é operada por empresas regionais, um cenário considerado atípico no cenário global. Segundo a Ookla, esse ambiente foi construído por um arcabouço regulatório que facilitou a entrada de pequenos provedores e garantiu acesso à infraestrutura das grandes operadoras, criando um ecossistema competitivo e diversificado.
O desempenho entre esses provedores varia de forma expressiva. Veja como os principais ISPs regionais se posicionam em relação à média nacional:
Acima da média nacional:
- Blink Telecom: velocidades consistentemente superiores ao índice brasileiro, mesmo entre os 10% de usuários com pior qualidade de conexão
- Desktop: desempenho acima da linha de base nacional em praticamente todos os cenários analisados
- Vero Internet: registra velocidades medianas superiores à média do mercado
Abaixo da média nacional:
- Brisanet: velocidade mediana de download cerca de 25% inferior à linha de base, apesar de ser o maior ISP regional do país, com mais de 1,5 milhão de clientes
- Algar Telecom: diferença de 40% abaixo da média nacional, tanto nas faixas mais rápidas quanto nas mais lentas
- Ligga Telecom: desempenho abaixo do benchmark brasileiro nos diferentes grupos de velocidade analisados
OS MAIORES PROVEDORES DE BANDA LARGA DO BRASIL
O mercado brasileiro de banda larga fixa conta com cerca de 8 mil provedores ativos, segundo dados da Anatel de fevereiro de 2026. A maior parte é formada por pequenas operadoras regionais, mas os 15 maiores players concentram parcela relevante das conexões do país, reunindo operadoras nacionais, ISPs regionais e até o serviço de internet via satélite da Starlink.
| Posição | Empresa | Clientes | Market Share |
|---|---|---|---|
| 1º | Claro | 10.682.390 | 19,60% |
| 2º | Vivo | 8.144.048 | 14,90% |
| 3º | Oi | 3.578.605 | 6,60% |
| 4º | Brisanet | 1.563.013 | 2,90% |
| 5º | Giga+ | 1.386.830 | 2,50% |
| 6º | Brasil Tecpar | 1.364.222 | 2,50% |
| 7º | Vero Internet | 1.335.264 | 2,40% |
| 8º | Desktop | 1.208.182 | 2,20% |
| 9º | TIM | 878.073 | 1,60% |
| 10º | Unifique | 852.875 | 1,60% |
| 11º | Algar Telecom | 839.702 | 1,50% |
| 12º | Alares | 821.302 | 1,50% |
| 13º | Starlink | 661.999 | 1,20% |
| 14º | Kore Brasil | 442.725 | 0,80% |
| 15º | Ligga Telecom | 347.472 | 0,60% |
Fonte: Anatel, fevereiro de 2026
CONSOLIDAÇÃO DO MERCADO EM CURSO
Apesar dos resultados positivos, o setor enfrenta um momento de transformação. Pressões financeiras, concorrência acirrada e mudanças regulatórias em discussão pela Anatel sinalizam que a consolidação do mercado deve se acelerar nos próximos anos. Grandes grupos como Brasil Tecpar (cerca de 30 aquisições desde 2021) e Vero Internet (mais de 17 ISPs adquiridos) já lideram esse movimento de concentração.
O caso mais emblemático é o anúncio da Claro para adquirir participação majoritária de 73% na Desktop, em transação avaliada em aproximadamente 750 milhões de dólares. A operação, que ainda depende de aprovação dos órgãos reguladores brasileiros, incluindo o CADE, tem potencial de ampliar significativamente a presença da operadora no estado de São Paulo, absorvendo uma rede de 58 mil quilômetros de fibra e mais de 1,2 milhão de assinantes da Desktop.












