Desde o seu lançamento, os óculos inteligentes da Meta, criados em parceria com a fabricante Ray-Ban, têm provocado reações divididas no público e em especialistas.
De um lado, muitos veem o produto como uma inovação que faltava no mercado. De outro, grande parte dos especialistas entendem que esse equipamento pode representar um risco à privacidade se mal utilizado.
Um caso recente parece ter confirmado as previsões negativas, com uma mulher tendo a sua privacidade violada por um total desconhecido.
O que aconteceu?
O caso em questão, reportado pela BBC, envolve uma mulher, que não teve idade, nome ou localidade de residência informadas. Na matéria publicada pela emissora britânica, ela atende pelo pseudônimo de Alice.
Ela contou à reportagem que foi abordada por um homem na rua e começou a ser cortejada. A conversa evoluiu mas não passou de um papo informal.
Para a sua surpresa, pouco tempo depois um amigo a enviou um vídeo publicado nas redes sociais contendo imagens da conversa com o estranho. Na chamada do conteúdo, o homem, que também não teve seu nome divulgado, usava o conteúdo para “ensinar como conquistar mulheres”. O vídeo já contava com mais de 40 mil visualizações quando Alice o descobriu.
Indignada com aquilo, a mulher entrou em contato com o criador de conteúdo para exigir a remoção do vídeo da internet. Agindo de má-fé, o homem respondeu o e-mail enviado exigindo o pagamento de determinada quantia para excluir o conteúdo das redes.
Procurado pela BBC, o indivíduo afirmou que seu conteúdo está “em conformidade com as regras da plataforma [onde foi publicado]” e negou cobrar pela remoção do conteúdo.
Ainda segundo a emissora britânica, posteriormente o vídeo foi removido das redes sociais. Inclusive, o canal do YouTube do suposto criador de conteúdo está indisponível, bem como seus perfis no Facebook e no TikTok.
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O que a Meta está fazendo para mitigar riscos como esse?
Antes de qualquer coisa, vale destacar que, de acordo com a Meta, os óculos só gravam até três minutos de vídeo. Além disso, existe um led que indica a ocorrência da gravação. Contudo, de acordo com especialistas do Android Police, há maneiras de contornar isso e gravar em “modo invisível”.
De qualquer forma, no caso apurado pela BBC, fica claro o estrago que o mau uso dos óculos inteligentes da empresa de Mark Zuckerberg pode gerar. E esse não é um caso isolado.
Mesmo diante da gravidade do tema, a Meta não costuma se pronunciar sobre esses incidentes, como no caso reportado pela BBC. Não há indicativos de que medidas para mitigação de riscos estejam sendo tomadas.
Usuários, especialistas e até plataformas de conteúdo seguem atentas a qualquer novidade no que diz respeito a um ajuste de conduta que traga garantias privacidade e segurança no uso de óculos inteligentes e congêneres.












