
A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou, nesta quinta-feira (08), a formação de um consórcio entre a TIM e a CGN Brasil Energia para a autoprodução de energia eólica no Piauí, visando reduzir custos operacionais e ampliar a sustentabilidade da operadora. A decisão permite que a telecom integre a estrutura da usina Aura Queimada Nova 02, garantindo o suprimento para manter sua rede digital através de uma fonte limpa e renovável.
O projeto envolve a associação da operadora com a Lagoa do Barro X Energias Renováveis, subsidiária da CGN Brasil. A unidade geradora está situada em Lagoa do Barro, no Piauí, com uma potência instalada de 50,6 MW. Com esse movimento, a companhia deixa de ser apenas uma consumidora tradicional para atuar na produção direta do insumo que sustenta suas torres de telefonia, reforçando sua estratégia de verticalização em um mercado que exige alta disponibilidade de rede.
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Verticalização e eficiência econômica
A adoção da autoprodução representa um marco na gestão de infraestrutura para grandes empresas do setor de telecomunicações brasileiro. Ao integrar a cadeia de geração, a operadora busca mitigar os riscos financeiros associados às oscilações constantes do mercado livre de eletricidade.
- Isenção de encargos setoriais como a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) e o PROINFA;
- Proteção estratégica contra a volatilidade de preços no mercado de curto prazo;
- Alinhamento direto entre o consumo intensivo de rede e as metas globais de ESG;
- Redução estrutural do custo final do megawatt-hora para torres e data centers.
Ao se tornar sócia de um ativo de geração, a companhia assegura uma vantagem competitiva relevante no controle de seus gastos com eletricidade. A economia gerada por esse arranjo societário pode reduzir de forma significativa o custo final do megawatt-hora (MWh) consumido. Para uma operadora que possui uma rede vasta de infraestrutura 5G, data centers e torres com alta demanda energética, essa previsibilidade financeira permite um planejamento de expansão muito mais robusto.
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Análise de mercado e parecer do Cade
Na análise técnica do Cade, concluiu-se que a operação não apresenta riscos à livre concorrência ou concentração no setor elétrico nacional. O parecer ressaltou que a potência da usina e o volume de consumo da operadora representam fatias marginais da demanda brasileira. Como o consumo da empresa é inferior a 1% da demanda nacional, o consórcio foi considerado pró-competitivo, estimulando a eficiência econômica e investimentos em infraestrutura sem prejudicar outros competidores.
O órgão regulador também destacou a inexistência de sobreposição horizontal entre as atividades das empresas envolvidas no acordo de cooperação. Enquanto a TIM foca em tecnologia de comunicação e conectividade móvel, a CGN Brasil Energia atua estritamente na geração de energia renovável. Esse distanciamento setorial afasta preocupações sobre o fechamento de mercado, confirmando que projetos de autoprodução tendem a ser eficientes quando bem delimitados e sem impactos sistêmicos.
Histórico de parcerias e contexto estratégico
Este é o segundo movimento estratégico recente entre as duas companhias no setor energético brasileiro. Em 2025, o Cade já havia autorizado um consórcio semelhante envolvendo ativos de geração fotovoltaica da CGN que ainda estavam em fase de construção. Essa recorrência evidencia uma estratégia clara de ambas as partes: a operadora amplia sua carteira de ativos energéticos dedicados enquanto a CGN fortalece seu posicionamento como fornecedora de soluções para grandes clientes corporativos.
A escolha do Piauí como sede do projeto não é casual, já que o estado integra um dos principais polos de expansão eólica no Brasil hoje. O complexo de Lagoa do Barro é beneficiado por elevados fatores de capacidade e uma conexão eficiente com o sistema de transmissão. Essa localização estratégica garante que a operadora tenha acesso a um fluxo estável de eletricidade limpa, transformando a região em um hub essencial para consumidores interessados em projetos de autoprodução.
Próximos passos e regulação setorial
Apesar do aval antitruste, a efetiva implementação do consórcio ainda depende da análise técnica da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A agência precisará avaliar a transferência das outorgas vinculadas à unidade geradora e verificar a conformidade regulatória necessária para o enquadramento formal da operadora. Como o projeto não envolve a compra de ativos físicos adicionais ou mudanças no controle societário direto, a expectativa é que a tramitação ocorra sem grandes entraves.





