
Enquanto a cobertura de fibra óptica se espalha pelo país e a demanda por conexões de alta velocidade cresce, o setor ainda convive com um impasse: a consolidação do mercado, esperada há anos, não avança no ritmo projetado por analistas e executivos.
As grandes operadoras, Claro, Vivo e TIM, até movimentam o setor com expansões próprias, mas seguem enfrentando obstáculos relevantes na tentativa de absorver provedores regionais, que continuam liderando a base de clientes no segmento.
Quem domina o cenário de fibra óptica no Brasil?
De acordo com dados da Anatel, as empresas de menor porte representam hoje mais de 70% dos acessos à internet via fibra óptica no Brasil.
A participação das três grandes operadoras combinadas não chega a um terço. Isso significa que, apesar do capital e da infraestrutura superiores, as teles não conseguiram ainda transformar esse poder em domínio de mercado.
O modelo pulverizado dos pequenos provedores, muitos com atuação restrita a bairros, cidades ou regiões, dificulta qualquer tentativa de integração em larga escala.
São empresas com estruturas diversas, clientelas heterogêneas e valores de mercado pouco definidos, o que trava negociações mais ambiciosas.
O impasse das aquisições: quando o valor não fecha a conta
Fontes do setor indicam que o principal entrave está na precificação dos ativos. Muitos dos provedores regionais atribuem a si mesmos um valor estratégico elevado, baseando-se na fidelidade da clientela e na capilaridade local. Do outro lado da mesa, as grandes operadoras questionam se esses ativos realmente justificam os custos pedidos.
A dificuldade em estabelecer critérios objetivos de avaliação para essas empresas tem feito com que executivos deixem negociações em compasso de espera.
Em paralelo, o crescimento orgânico da banda larga fixa também desacelerou nos últimos trimestres, o que reduz a pressão para aquisições imediatas.
Estratégias em curso: cada gigante com seu plano
Entre as grandes operadoras, não há uma abordagem única. A Vivo mantém uma postura seletiva, buscando aquisições pontuais que agreguem valor técnico ou ampliem rotas estratégicas.
Já a Claro investe fortemente na própria rede, mirando eficiência operacional em vez de fusões. A TIM, por sua vez, tem sido mais cautelosa e afirma que ainda observa o cenário antes de qualquer movimento relevante.
Apesar da aparente estagnação, os bastidores seguem aquecidos. Há negociações em andamento, embora de forma discreta. A consolidação, se vier, será gradual, empresa por empresa, região por região.
O futuro da consolidação: uma equação ainda sem resposta
A expectativa do mercado é de que, em algum momento, a consolidação da fibra óptica aconteça. Mas para isso, será necessário mais do que intenção: será preciso resolver o dilema de quanto realmente vale um provedor regional e como integrá-lo de forma eficiente a uma estrutura nacional.
Enquanto isso, o Brasil segue com um dos mercados de fibra óptica mais fragmentados do mundo e, paradoxalmente, um dos mais dinâmicos.
Um equilíbrio que, por ora, parece funcionar. Mas que pode mudar a qualquer momento, dependendo de uma nova equação econômica ou regulatória.
* Com informações do InvestNews





