
A cena ainda se repete em várias partes do Brasil: alunos dividindo o sinal de um único celular, em busca de conexão para assistir a videoaulas. E embora essa imagem esteja ficando para trás em muitos lugares, ainda há escolas fora do alcance da internet em pleno 2026.
Diante desse contexto desafiador, o programa Escolas Conectadas, lançado em 2023, tenta mudar esse cenário. E corre contra o tempo.
Ao longo de 2025, o esforço ganhou tração. O balanço mais recente mostra que mais de 94 mil escolas públicas já estão conectadas, o que equivale a 68,4% da rede de educação básica do país. A nova meta é ousada: alcançar todas as 138 mil unidades até o fim de 2026.
Soluções diversas para realidades distintas
Em áreas urbanas, a conexão geralmente chega por fibra óptica. Já em zonas rurais e comunidades mais isoladas, onde o cabeamento não é viável, a saída tem sido o uso de tecnologia via satélite.
A prioridade, segundo o Ministério das Comunicações, é universalizar essa conectividade, independentemente do tipo de acesso.
De acordo com a pasta, somente neste último ano, mais de 22 mil escolas passaram a ter acesso à internet. E o avanço, embora irregular, aparece em números. Estados como Paraná, Piauí e Goiás estão entre os que mais avançaram, todos com mais de 80% das escolas conectadas.
Verba, foco regional e metas apertadas
Boa parte da execução do programa depende do investimento público. Dos R$ 9 bilhões previstos, R$ 6,5 bilhões vêm do Novo PAC. Até agora, pouco mais de R$ 3 bilhões foram utilizados em ações de infraestrutura e implantação de rede.
O foco tem se voltado, especialmente, para as regiões com menor cobertura. No final de 2025, por exemplo, o governo lançou uma nova etapa do BNDES Fust Escolas Conectadas. Com ela, 1.258 escolas nas regiões Norte e Nordeste devem ser atendidas, por meio de um repasse de R$ 53,3 milhões. A estimativa é de que mais de 400 mil estudantes sejam beneficiados diretamente.
A chegada da internet é só o começo
Apesar do nome, o programa vai além da conexão. O objetivo declarado é criar estrutura para o uso pedagógico das tecnologias, o que envolve treinamento de professores, uso de plataformas digitais e produção de conteúdo acessível.
Em entrevista recente, o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, reforçou que o projeto não se resume a levar sinal. Segundo ele, “a conectividade é um meio, não o fim”, e deve ser usada como ferramenta para transformar a realidade escolar.
Um 2026 decisivo
Com o prazo apertado, a expectativa é que 2026 seja o ano de consolidação. A depender do ritmo mantido até aqui, a universalização é possível, mas exige esforço contínuo, especialmente nas regiões mais vulneráveis.
Por seu apelo importante, o programa Escolas Conectadas promete ser um marco na política educacional brasileira, se cumprir o que promete. Até lá, segue o desafio: levar não só a internet, mas também acesso real à era digital para milhares de estudantes que ainda estão à margem dela.
* Com informações do Ministério das Comunicações





