Imagem: Bloomberg/Reprodução

Crise da Oi se agrava e leva governo a exigir medidas para proteger empregos e serviços

Goodanderson Gomes
4 min de leitura
Imagem: Bloomberg/Reprodução

Não é replay: a instabilidade que ronda a Oi ganhou mesmo mais um capítulo. Dessa vez, o Ministério das Comunicações (MCom) decidiu intensificar o acompanhamento do processo de recuperação judicial da empresa, diante da deterioração financeira e da preocupação com os cerca de 20 mil trabalhadores ainda ligados direta ou indiretamente à companhia.

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Durante uma cerimônia oficial em Brasília, o ministro das Comunicações, Frederico Siqueira Filho, deixou claro que o governo não pretende assistir passivamente ao avanço da crise.

Segundo ele, é preciso preservar tanto os serviços prestados pela operadora quanto os direitos dos profissionais que seguem atuando em um ambiente cada vez mais incerto.

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Sindicatos elevam tom e cobram providências

O cenário mobilizou também representantes dos trabalhadores, que levaram suas preocupações ao ministério. 

Em pauta, pedidos diretos: pagamento de salários, garantia do 13º e, acima de tudo, uma sinalização de que os empregos não estão ameaçados no curto prazo.

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As conversas não se limitaram ao Executivo. Os sindicatos também se reuniram com o interventor judicial da Oi, Bruno Rezende, designado para conduzir esta nova fase da recuperação. 

Do encontro, surgiu um protocolo de diálogo contínuo, com foco na proteção dos direitos trabalhistas e na estabilidade das operações.

Ações da Oi caem e mercado sinaliza desconfiança

Fora das negociações institucionais, a realidade da Oi nos mercados financeiros é um retrato do momento delicado que atravessa. 

As ações da empresa, listadas na B3, vêm registrando queda acumulada de 96% no último ano e refletem uma perda de confiança dos investidores.

Essa desvalorização traz efeitos práticos: dificulta a captação de recursos e coloca em xeque a viabilidade de eventuais planos de reestruturação. Em outras palavras, o que se vê no pregão ecoa as dúvidas sobre o futuro da empresa.

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Como exemplo disso, a PIMCO, empresa que detinha quase um quinto das ações da Oi na B3, anunciou nesta terça-feira a venda de 100% das posições. Esse é mais um duro golpe na empresa.

Interesse público sustenta debate sobre papel estratégico

Apesar da crise, a Oi ainda mantém presença relevante no setor de telecomunicações, sobretudo em regiões onde sua atuação é praticamente exclusiva. 

Para o governo, essa capilaridade torna a operadora um ativo de interesse público e justifica a necessidade de preservar parte de sua infraestrutura.

Siqueira foi direto ao afirmar que a população não pode ser prejudicada por falhas administrativas. A fala, embora protocolar, reforça a intenção de evitar apagões nos serviços essenciais.

Sem garantias, incertezas persistem

Embora haja sinalização de diálogo e disposição política, não há definições concretas no horizonte imediato. 

Enquanto isso, o processo de recuperação judicial da Oi segue sob tutela da 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, e dependerá da articulação entre interventor, Justiça, sindicatos e governo.

A empresa, que já atravessou uma longa recuperação judicial há poucos anos, volta ao centro das atenções, desta vez, com menos margem para erro e mais pressão por respostas.

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