04/03/2024

OpenAI oferece milhões de dólares para imprensa garantir legalidade do ChatGPT

Veículos de imprensa não estão muito confortáveis com a proposta que a OpenAI fez para garantir boa fama para o ChatGPT.

A OpenAI, criadora do ChatGPT, está oferecendo anualmente entre US$ 1 milhão (R$ 4,9 milhões) e US$ 5 milhões (R$ 24,6 milhões) a veículos de imprensa nos Estados Unidos. O propósito dessa proposta, conforme relatado pelo site especializado The Information, é utilizar textos e imagens noticiosas desses veículos para treinar o ChatGPT, garantindo, ao mesmo tempo, o respeito às regras de propriedade intelectual durante o desenvolvimento de modelos de inteligência artificial.

Dólares

No entanto, empresas de mídia norte-americanas consultadas pelo The Information expressaram insatisfação com a oferta, considerando-a aquém das expectativas. O artigo no site especializado destaca que a quantia oferecida é considerada baixa até mesmo para veículos de comunicação de menor porte.

Nos últimos meses, alguns dos principais players da indústria de mídia nos Estados Unidos têm mantido conversas confidenciais com a OpenAI, visando a alcançar um acordo para licenciar conteúdo, como revelou o New York Times. No entanto, o progresso dessas negociações é obstaculizado por dois principais desafios: o preço proposto e os termos associados ao uso e distribuição do conteúdo por parte da empresa de inteligência artificial.

O New York Times, especificamente, recusou as condições oferecidas durante as negociações e optou por entrar com uma ação judicial contra a OpenAI, criadora do ChatGPT, e sua principal parceira de negócios, a Microsoft. A base da ação é a alegação de violação de direitos autorais, com o jornal argumentando que milhões de textos estão sendo utilizados pelas empresas de inteligência artificial sem o devido pagamento pelos direitos autorais. A disputa legal foi iniciada no Tribunal Federal em Manhattan.

O veículo em questão não especifica um valor de indenização, mas busca responsabilidade pela “perda de bilhões de dólares” devido à alegada “cópia e uso ilegal das obras exclusivas do New York Times”. O jornal solicita ainda que empresas de tecnologia eliminem quaisquer modelos de chatbot e dados de treinamento que façam uso de material protegido por direitos autorais do New York Times.

A OpenAI só revelou em agosto o método para bloquear os bots da empresa, que exploram a internet para coletar textos e imagens utilizados no treinamento de modelos de inteligência artificial. Nesse momento, a IA mais recente da empresa, o GPT-4, já estava disponível no mercado.

Por outro lado, a OpenAI recentemente alcançou um acordo de licenciamento de conteúdo com a editora alemã Axel Springer Ink. A Axel Springer Ink é conhecida por ser a responsável pelas publicações de renome, tais como Politico, Business Insider, Bild e Die Welt. Os detalhes financeiros dessa negociação não foram tornados públicos na época do anúncio.

Conforme reportado por uma matéria do New York Times, a Apple manifestou interesse no licenciamento de informações provenientes de empresas de mídia para aprimorar seus modelos de inteligência artificial. Para garantir acesso a esse conteúdo, a gigante da tecnologia ofereceu montantes superiores a US$ 50 milhões.

A motivação por trás desse investimento da Apple reside no desenvolvimento de uma tecnologia própria, visando evitar desafios legais enfrentados por outras empresas como a OpenAI, Microsoft e Google. Estas últimas também estão ativamente envolvidas no desenvolvimento de inteligências artificiais generativas, exemplificado pelo ChatGPT.

O montante proposto pela OpenAI assemelha-se à quantia que o Facebook ofereceu para obter licenças de notícias ao lançar o Facebook News Tab em 2019, que foi de US$ 3 milhões na época, conforme relatado pela imprensa internacional.

No entanto, essa cifra está significativamente abaixo do recente acordo firmado entre o Google e veículos de imprensa canadenses. O acordo estabeleceu um pagamento anual de US$ 100 milhões pelo direito de vincular artigos noticiosos em resultados de busca. Esses termos foram estipulados após o parlamento do Canadá aprovar uma legislação que obriga grandes empresas de internet a remunerar pela reprodução e disseminação de notícias.

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