21/02/2024

Telecomunicações temem mais a regulação do que a cibersegurança

Setor de Telecomunicações tem diversos desafios, porém a regulação está no topo das "ameaças" para esse nicho.

Um estudo abrangente realizado pela empresa de auditoria BDO revela que o setor de Telecomunicações está enfrentando novos desafios. Comparando com o estudo anterior, conduzido em 2022, as empresas identificaram sete pontos críticos adicionais que demandam atenção especial. No entanto, há uma perspectiva positiva para o crescimento do setor, estimado em US$ 1,5 trilhão, representando um aumento de 2,8% em relação a 2022.

Telecomunicações

O estudo consultou 63 empresas globalmente, incluindo 29 da Europa, Oriente Médio e África, 22 das Américas (com 4 do Brasil) e 12 da Ásia/Pacífico. Utilizando os relatórios anuais das empresas como base, o estudo buscou garantir a confiabilidade dos dados através da coleta e análise de 46 fatores de risco na edição de 2022. No atual ano, foram identificados sete novos fatores de risco, totalizando 53.

Esses fatores de risco podem ser genericamente relevantes para toda a economia ou para uma parte significativa dela, impactando negócios em diversas indústrias. Além disso, há riscos específicos da indústria de telecomunicações que também foram destacados, ampliando a compreensão dos desafios enfrentados por esse setor em particular.

As empresas do setor enfrentam diversos desafios, sendo o maior risco identificado relacionado a mudanças em leis e regulamentos fiscais, apontado por 77,8% das empresas. Em segundo lugar, destacam-se preocupações com legislação governamental extensa e em constante crescimento (76,2%), seguidas por questões de cibersegurança (71,4%) e mudanças climáticas.

No âmbito macroeconômico, os dois principais riscos mencionados são a volatilidade cambial e a instabilidade política, ambos com uma taxa de 57,1%. Logo em seguida, as taxas de juros também são destacadas, com 52,4%.

Além desses riscos tradicionais, foram identificados sete novos fatores de preocupação. Estes incluem desafios relacionados à conformidade com confidencialidade e privacidade de dados, paralisações não planejadas que podem causar interrupções nos negócios, ameaças à segurança física e infraestrutura, interrupções devido a condições instáveis na cadeia de suprimentos, complicações decorrentes de fusões, aquisições e integrações, mudanças nas expectativas dos clientes devido à transformação digital, e preocupações com a sucessão de liderança e as normas éticas.

Estes fatores emergentes adicionam uma camada adicional de complexidade aos desafios enfrentados pelas empresas do setor, exigindo uma abordagem estratégica para mitigar esses riscos.

Dario Lima, sócio da BDO especialista no setor, afirma que transformações na regulação, maior concorrência, instabilidade política e volatilidade cambial são alguns dos motivos que se mostram como maiores riscos para as telecoms nas Américas.

“Importante destacar as particularidades da região, uma vez que três dos cinco fatores de maior risco identificados para as Américas não aparecem no Top 5 global: judicialização, concorrência e instabilidade política”, complementou.

O documento também apresenta as medidas adotadas pelas empresas para reduzir os riscos. As organizações concentram seus esforços preventivos principalmente nos desafios regulatórios, na segurança cibernética e nas ameaças relacionadas a alterações climáticas.

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