América Latina vive armadilha dos EUA, segundo Huawei

Ren Zhengfei, CEO da fabricante chinesa, partiu para o ataque contra os americanos na interminável guerra comercial entre os dois países.

Divulgação Huawei
Imagem: Divulgação Huawei

A guerra comercial entre China e Estados Unidos parece longe de ter um fim. Se antes Ren Zhengfei, CEO da Huawei, estava calado, o cenário mudou. O executivo conversou com três mil jornalistas na sede da companhia em Shenzen e mostrou uma postura defensiva.

As declarações sobre a América Latina foram, no mínimo, de impacto para a imprensa que esteve presente. Para o empresário, o continente vive uma espécie de armadilha dos Estados Unidos.

“Os Estados Unidos tratam a América Latina como seu quintal. Nosso objetivo é ajudar o continente a sair dessa armadilha e manter a soberania de seus países”, comentou Zhengfei.

Para ele, o continente foi colocado em uma arapuca desde a doutrina Monroe. Foi nela que os americanos reconheceram a independência dos países latino-americanos contra os colonizadores espanhóis e pavimentaram sua hegemonia na região.

Atualmente, China e Estados Unidos travam uma verdadeira guerra comercial e a principal matéria-prima em disputa é o 5G. Representantes do governo americano já recomendaram que os países aliados não comprem equipamentos da Huawei.

Os EUA acreditam que a companhia é responsável por um grande esquema de espionagem mundo afora, nunca comprovado.

No entanto, a Huawei é a principal fornecedora de equipamentos para a adoção do 5G em vários países. A presença é em 170 nações, mas nem sempre com sucesso. Sobre a atual conjuntura da América Latina, Ren Zhengfei se mostrou desatento.

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Ele afirmou que inteligência artificial de sua companhia pode reduzir o número de funcionários de uma empresa e diminuir conflitos trabalhistas. Em um continente com alto índice de desemprego e sublevações sociais, a declaração pode ser problemática.

Para a Huawei, o Brasil é extremamente estratégico. O país representa o maior mercado da empresa nas Américas. Ren explica que o 5G chegará no momento em que falta impulso para o país ultrapassar os Estados Unidos.

A legislação é complicada e desafiante, mas não intimida a Huawei, que acredita no planejamento com antecedência para vencer esse tipo de barreira.

Jair Bolsonaro, presidente, afirmou para o CEO que não discriminaria quaisquer empresas do leilão e estava aberto aos investimentos da chinesa no 5G. A postura é até surpreendente, a julgar pela influência dos Estados Unidos e o diálogo amigável com os atuais governantes brasileiros.

Entretanto, o 5G é uma tecnologia mais cara que o 4G. A Huawei obteve sucesso com a implantação em países como a Coreia do Sul, Holanda e Suíça, pequenos e de alta renda. Para viabilizar na China, foi preciso reduzir a velocidade da transmissão de dados.

O país tem uma expansão territorial mais próxima a do Brasil, portanto, é bem provável que o mesmo tenha que ser feito por aqui.

Com informações de Valor Econômico

About Anderson Guimarães
Jornalista com cinco anos de experiência em produção de conteúdo digital. Passagens por eventos nacionais, mídias sociais e agências de publicidade. Apaixonado por tecnologia e cultura pop.
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