InícioTelefonia CelularInternet móvel ruim? Burocracia nacional pode ser uma das culpadas

Internet móvel ruim? Burocracia nacional pode ser uma das culpadas

Perspectiva foi compartilhada por Eduardo Ricotta, presidente da Ericsson.

Ilustração clientes frustrados
Imagem: Pixabay

Sua internet móvel não é das melhores? Não tem 4G na sua cidade? Por mais que a gente faça cobranças constantes para as operadoras, a burocracia brasileira pode ter uma grande parcela de culpa nisso.

A conclusão é de Eduardo Ricotta, presidente da Ericsson. O executivo explica que, para instalar uma antena em algumas cidades brasileiras, pode demorar até dois anos por conta da legislação vigente.


O executivo faz uma crítica também aos leilões de espectro, que são os canais de transmissão responsáveis pelo sistema de voz e internet das operadoras. Há um viés arrecadatório no processo e ele precisa ser alterado.

Na visão de Ricotta, o foco deve ser na infraestrutura já que ter as atenções voltadas para a arrecadação não resolve os problemas do Brasil, país onde o espectro é o mais caro do mundo.

São Paulo é citado como exemplo, já que existe uma enorme dificuldade na instalação de antenas na cidade. Empresas fazem a operação antes mesmo de conseguirem a licença com a Prefeitura.

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Como solução, Eduardo sugere que lei seja federal e não municipal. Assim haveria um entendimento e uma rápida implantação de antenas na cidade.

“As leis estão nas mãos dos municípios. Cada um tem uma interpretação da lei. Existem lugares onde é muito fácil colocar uma antena e fazer uma cobertura e há lugares onde é extremamente difícil. Muitas vezes reclamamos que não há cobertura, mas ninguém lembra que temos de esperar, às vezes, até dois anos dependendo da cidade”, comenta Ricotta.

O tão aguardado e especulado 5G pode ter uma adoção problemática se o conflito persistir. A tecnologia usa frequências mais altas e há uma cobertura menor para cada antena.

Entretanto, para instalar mais antenas, não é necessário ter mais espaço físico? Eduardo explica que não. Com a tecnologia, elas diminuem de tamanho. Hoje em dia, é possível fazer antenas que as pessoas sequer enxergam.

“Com a chegada do 5G o problema vai aumentar. No 5G, usamos frequências mais altas e, com isso, temos uma cobertura menor para cada antena. Vamos precisar de dez vezes mais antenas do que temos hoje. O problema será multiplicado por dez daqui a alguns anos. Precisamos ter uma regulamentação melhor das leis das antenas”, complementa Ricotta.

O cenário de telecomunicações no Brasil é positivo, afinal, há uma boa infraestrutura. Entretanto, as leis foram feitas há mais de 20 anos. É necessário adapta-las aos tempos atuais.

As operadoras, por exemplo, são obrigadas a fazerem manutenção de orelhões sem uso. Esse tipo de investimento poderia ser redirecionado para questões que realmente façam a diferença na vida do consumidor.

Eduardo Ricotta argumenta que as leis no Brasil são muito punitivas e pouco propositivas. Elas precisam se adequar ao novo cenário e não apenas punir.

A cadeia de impostos também é muito alta, na visão do executivo. Cidades pequenas e extremamente pobres pagam a mesma taxa de imposto do que uma cidade grande. Isso precisa ser solucionado.

Eduardo Ricotta concedeu uma entrevista para o UOL, fonte de informações dessa matéria.

Anderson Guimarães
Jornalista com seis anos de experiência em produção de conteúdo digital. Passagens por eventos nacionais, mídias sociais e agências de publicidade. Apaixonado por tecnologia e cultura pop. E-mail: [email protected]
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