quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

"Espanta-me que ninguém faça nada para parar", diz presidente do BPI sobre fusão Oi-PT

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Fernando Ulrich, presidente do BPI, afirma não entender como ninguém interrompe a fusão entre PT e Oi, e culpa a brasileira pela destruição de valor da operadora portuguesa.

O presidente do BPI (Banco Português de Investimento), Fernando Ulrich, afirmou nesta quarta-feira (7), que a fusão entre a Portugal Telecom e a brasileira Oi é "uma tragédia para os acionistas da PT SGPS", que está provocando uma "monstruosa" destruição de valor.

"Espanta-me que ninguém faça nada para travar esta fusão, que é uma tragédia para os acionistas da PT", afirmou o presidente do BPI, em entrevista telefônica à agência de notícias Reuters.

O BPI não é acionista da PT SGPS mas, para Ulrich, "é de alguma forma indiretamente", pois é um dos acionistas do Fundo de Resolução, dono do Novo Banco, que detém 12,6% do capital da sociedade acionista da Oi.

Ulrich defendeu ainda que a destruição de valor das ações da PT SGPS já não se deve ao 'prejuízo' de 900 milhões de euros da Rioforte mas à correlação com a Oi. "É urgente atuar pois é a queda das ações da Oi que está a arrastar a queda das ações da PT SGPS. Isto é uma monstruosidade, é um casamento trágico e choca-me, enquanto cidadão, ver esta tragédia para os acionistas da PT SGPS".

As ações da PT SGPS voltaram hoje (7) a bater valores mínimos históricos e caíram mais de 20%, valendo cerca de 0,65 cêntimos de euro (ou 2,07 reais na cotação atual).

"É absolutamente extraordinário como é que os acionistas da PT SGPS não entendem que a fusão com a Oi está a destruir ainda mais o valor das ações da PT SGPS que o crédito da Rioforte."

"A fusão ainda não está a ser concretizada e, se ainda é possível fazer alguma coisa para travar a fusão, deve ser feita. A fusão é uma tragédia para os acionistas da PT SGPS." Até porque, explicou, os moldes em que a fusão foi aprovada, de criação de uma grande companhia de língua portuguesa, já não se vai concretizar, devido à venda da PT Portugal aos franceses da Altice, aprovada pela Oi, e que deve ser votada em assembleia-geral na próxima segunda-feira (12). Há risco, contudo, da grande reunião não se realizar.

Fusão passa por combinação de negócios

A fusão entre a PT e a Oi previa um aumento de capital na brasileira, onde a PT participaria com ativos: a PT Portugal e a Africatel, 'holding' que agrega os ativos na África, avaliados em 1,9 bilhões de euros. Os acionistas restantes da Oi entraram com dinheiro e, com a transferência de ativos, o que pertencia à PT ficou na Oi e a PT SGPS tornou-se acionista da brasileira.

A segunda fase da fusão previa que a PT SGPS fosse extinta e os seus acionistas ficassem com uma participação direta na nova Oi de 37,3%, que tem sido chamada de CorpCo, participando na grande operadora de língua portuguesa. Mas, com o 'déficit' de 900 milhões de euros, os termos tiveram de ser renegociados.

Após a renegociação, Henrique Granadeiro, presidente e 'chairman' da PT, renunciou a todos os cargos na operadora e o conselho de administração encomendou uma auditoria independente à PriceWaterHouseCoopers (PwC) para avaliar as relações financeiras com o GES.

Neste novo modelo, a PT SGPS já não será extinta e a fusão deixa de ser uma fusão e passa a ser uma combinação de negócios entre as duas empresas. A PT SGPS ficará com três ativos: a participação na Oi, que desce para 25,6%, a dívida da Rioforte e opções de ações da CorpCo para os próximos seis anos.

Ou seja, a PT SGPS pode comprar ações da PT, até ficar com os inicialmente previstos 37,3% do capital, conforme for recebendo a dívida da Rioforte. O capital da PT SGPS será reduzido para os acionistas receberem ações da Corpco. A combinação de negócios continua a decorrer e deverá estar concluída até ao final do primeiro trimestre.

O mercado, contudo, tem algumas dúvidas referentes a essa recuperação. O aumento de capital dificilmente pode ser revertido mas o que poderá ser feito é uma alteração ao contrato de troca de ações alterado depois do investimento bilionário na Rio Forte. Até porque o projeto de uma grande companhia de língua portuguesa caiu por terra quando a Oi começou a negociar a venda da PT Portugal.

Os franceses da Altice, que avaliam a empresa em 7,4 bilhões de euros, estão em negociações exclusivas e o negócio será votado em assembleia-geral na próxima segunda-feira, 12 de janeiro.

Há risco, contudo, da reunião não se realizar. Por um lado, só ontem (6) foi entregue à CMVM a auditoria realizada pela PriceWaterhouseCoopers sobre a relação entre a PT e o GES, que pode conter informação relevante para o sentido de voto dos acionistas e que ainda não foi divulgada.


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