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Possível venda da TIM Brasil mobiliza bancos e põe V.tal entre candidatas

Cristino Melo
7 min de leitura

Bancos de investimento já começaram a se posicionar para uma eventual venda da TIM Brasil, mesmo sem que o ativo tenha sido colocado oficialmente no mercado. O movimento acompanha a chegada da estatal Poste Italiane ao comando da Telecom Italia, controladora da terceira maior operadora móvel do país, por meio de uma oferta de aquisição e permuta de ações. Por enquanto, o governo italiano não decidiu se vai se desfazer da subsidiária brasileira.

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A informação foi apurada pelo jornal Valor Econômico com interlocutores do setor. O apetite do mercado ganhou força depois que Matteo Del Fante, presidente-executivo da Poste Italiane, declarou em uma conferência econômica em Roma, na terça-feira passada (27), que a operação brasileira é lucrativa, mas não essencial aos planos do grupo. Ele, porém, negou que a empresa esteja à venda.

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O PESO DA TIM BRASIL PARA OS ITALIANOS

Abrir mão da TIM Brasil não seria uma decisão simples para os italianos. A operadora gera caixa e responde por quase metade do Ebitda do grupo, sigla que mede o resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização. A Telecom Italia possui cerca de 68% da companhia, fatia que vale aproximadamente R$ 31 bilhões quando considerado o valor de mercado de R$ 45,6 bilhões no fechamento de sexta-feira (30).

Esse número, no entanto, serve apenas como referência. Em uma negociação real, o preço dependeria das condições acertadas entre as partes e de um eventual prêmio pelo controle. Hoje, a Poste Italiane detém cerca de 86,95% da Telecom Italia, patamar alcançado com a oferta pública somada a compras de ações no mercado, segundo comunicado da TIM Brasil à CVM. Procurada, a operadora preferiu não se manifestar.

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TIM sede Milão / tim venda
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PRIORIDADE DA POSTE ESTÁ NA ITÁLIA

A estratégia que motivou a compra da Telecom Italia está voltada ao mercado doméstico. A Poste quer ampliar sua atuação em serviços digitais na Itália, aproveitando a carteira de clientes corporativos da tele. Foi nesse contexto que Del Fante afirmou que a TIM Brasil não é estratégica, acrescentando que pretende tratar a operação de forma “tática” nos próximos meses, sem explicar o que isso significaria.

Uma resposta mais clara deve vir com o plano de negócios do grupo combinado, previsto para o primeiro trimestre de 2027. Enquanto o documento não sai, analistas tentam decifrar a fala do executivo. Para Leonardo Olmos e Gustavo Farias, do UBS BB, a declaração “pode abranger uma série de desdobramentos para um ativo lucrativo e não essencial”, conforme relatório divulgado em 28 de outubro.

O QUE PODE ACONTECER COM A OPERADORA

Na avaliação de Olmos, a tendência imediata não é a venda. Em entrevista, ele relatou o que vem ouvindo de investidores brasileiros e estrangeiros: “No curto prazo, o mais provável […] é ela emitir [dívida para pagar] um dividendo extraordinário e aumentar a alavancagem”. Os cenários mapeados pelo analista e pelo relatório do banco podem ser organizados da seguinte forma:

  • Curto prazo: emissão de dívida para pagar um dividendo extraordinário, com uma estrutura de capital mais alavancada na TIM Brasil
  • Médio e longo prazo: venda da operadora ou venda combinada com uma fusão com empresa ou grupo de banda larga
  • Outras hipóteses do relatório: monetização parcial da participação ou combinação estratégica

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QUEM TERIA FÔLEGO PARA COMPRAR

Entre os nomes citados por fontes do setor, a V.tal aparece como uma das candidatas mais prováveis, ainda que não exista proposta ou negociação. Controlada por fundos geridos pelo BTG Pactual, a empresa tem rede de fibra que passa por mais de 22 milhões de residências, montada a partir da infraestrutura óptica da Oi. Ela também é dona da Nio, nome dado à antiga base de banda larga fixa da Oi, além de cabos submarinos e redes de transporte de dados.

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No papel, a combinação faz sentido. A V.tal ganharia uma operação móvel nacional para somar à fibra e poderia oferecer pacotes integrados. Os obstáculos, porém, incluem financiamento, acerto sobre preço, controle e governança, além do efeito sobre seu papel de fornecedora de infraestrutura para outras operadoras. Procurada, a V.tal disse que está sempre atenta a oportunidades, mas que não há conversas sobre o tema.

CONCORRÊNCIA LIMITA VIVO E CLARO

As líderes do mercado teriam dificuldade para entrar na disputa. Pelos dados de agosto compilados pela consultoria Teleco, a soma da TIM Brasil a qualquer uma delas resultaria em uma empresa com mais de 50% da telefonia celular, reduzindo de três para dois os grandes grupos nacionais. Esse quadro tende a favorecer interessados que preservem a TIM como concorrente independente. Veja a comparação:

EmpresaFatia na telefonia móvel (agosto)Principal barreira
TIM Brasil (alvo)22%Não se aplica
V.talSem operação móvelFinanciamento, avaliação e governança
Vivo37,8%Fatia combinada acima de 50%
Claro33%Fatia combinada acima de 50%

O Cade já mostrou cautela com o setor. Em 2022, ao analisar a divisão da operação móvel da Oi entre TIM, Vivo e Claro, o conselho só aprovou o negócio com voto de qualidade da presidência, depois de empate entre os conselheiros, e impôs a venda de parte das estações rádio-base e obrigações no atacado. Na época, o órgão já via concentração elevada com a saída de uma das quatro grandes. Antes disso, em 2019, a Claro havia comprado a Nextel.

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