04/03/2024

China x EUA: mercado 5G pode ser afetado por nova atitude do governo chinês

Empresas chinesas terão que pedir autorização para exportar metais usados na fabricação de semicondutores e equipamentos de telecom.

Em respostaààs restrições das empresas chinesas que os EUA têm imposto no país, a China informou que vai implementar um sistema de controle de exportação de metais (gálio e germânio) que são usados na fabricação de semicondutores e equipamentos de telecomunicações, o que afeta também o mercado 5G.

O gálio é um metal usado na fabricação de semicondutores compostos e em chips que alimentam as estações de rádio base da rede 5G, além de carregadores de veículos elétricos e equipamentos para comunicações sem fio. Já o germânio é usado na fabricação de chips mais avançados, além de cabos de fibra óptica e painéis solares.

Sob o argumento de proteger a segurança e os interesses nacionais, o país chinês determinou que os exportadores terão que pedir permissão ao governo para vender os metais para clientes de outros países a partir de agosto. Se a ordem for desobedecida, as empresas ficam sujeitas a multas e penas criminais.

“Para proteger a segurança e os interesses nacionais, com a aprovação do Conselho de Estado, está decidido implementar controles de exportação sobre itens relacionados a gálio e germânio”, diz comunicado do Ministério do Comércio da China.

A decisão pode impactar negativamente o mercado norte-americano, pois de acordo com Serviço Geológico dos Estados Unidos, a China é o maior produtor de gálio e germânio do mundo. Ou seja, a redução das exportações pode provocar a elevação dos preços e impactar a produção, em especial, de equipamentos dos setores de telecomunicações, tecnologia, energia e automotivo.

Disputa tecnológica entre China e EUA

Desde o ano passado que os Estados Unidos têm aplicado restrições às empresas chinesas, como Huawei, que foi banida do mercado norte-americano, sob o argumento de segurança nacional. Inclusive, em 2022, o governo de Joe Biden impôs um pacote de restrições à exportação de insumos para fabricação de semicondutores e computação avançada para a China.

Além disso, os EUA também tem incentivado países com os quais mantém mais proximidade diplomática a restringirem o uso de equipamentos chineses. Por exemplo, em junho, usando o mesmo argumento de risco de segurança, a Comissão Europeia aprovou a exclusão da Huawei e da ZTE das redes 5G dos países-membros do bloco.

Além do novo sistema de exportação, a China também decidiu recentemente proibir a compra de chips da norte-americana Micron pelas empresas chinesas, alegando “significante risco de segurança”.

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