O CEO da SpaceX, Elon Musk, ordenou na semana passada a redução da velocidade de uma versão de nível militar da Starlink, serviço de internet via satélite do qual a Ucrânia depende, segundo reportagem publicada nesta terça-feira (20) pelo jornal americano The Wall Street Journal (WSJ). A informação foi atribuída a autoridades dos Estados Unidos e a fontes familiarizadas com o assunto.
As Forças Armadas ucranianas usam os satélites da SpaceX para comunicações no campo de batalha e em operações com drones, e a restrição prejudicou missões de ataque e de defesa aérea. Para o governo americano, a medida se apoia em um contrato comercial privado, que determina como os equipamentos podem ser usados e em quais velocidades podem operar.
Leia mais:
- Claro tem receita de R$ 13,8 bi e Ebitda sobe 6,6% no 3º tri
- Claro clube ganha nova versão com quatro categorias para todos os clientes
- Vivo prepara planos especiais para Starlink direto no celular
RUBIO DIZ QUE DECISÃO CABE À SPACEX
Horas depois da publicação, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou durante uma viagem à Índia que as decisões sobre o acesso da Ucrânia à Starlink cabem à SpaceX e a Musk, e não à Casa Branca. A declaração deu a entender que a redução de velocidade partiu do bilionário. “Não tenho conhecimento de que soubéssemos dessa decisão antecipadamente. Mas isso é irrelevante”, disse.
Rubio reforçou que o caso é “regido por um contrato comercial privado”. A mesma linha foi adotada pelo secretário de Defesa, Pete Hegseth, que negou ter restringido o acesso e tratou a interrupção como uma questão comercial. “Existem termos de serviço que, em última instância, precisam ser cumpridos, e é nesse contexto que a Starlink tem a opção de tomar essas decisões”, declarou.
VERSÕES CONTRADITÓRIAS SOBRE A ORDEM
De acordo com o WSJ, Musk e o presidente dos EUA, Donald Trump, conversaram sobre a Starlink por telefone pouco depois de a limitação se tornar pública, enquanto Trump fazia campanha na semana passada. O jornal afirma que os dois já haviam tratado do tema antes da decisão. A reportagem se soma a uma série de relatos que divergem sobre quem, afinal, mandou restringir o serviço. Veja o que cada lado afirmou:
- The Wall Street Journal: a ordem partiu de Musk, que discutiu o assunto com Trump antes e depois da limitação;
- Reuters: citando duas autoridades americanas e uma autoridade ocidental, a agência informou que a decisão veio, em última instância, da Casa Branca;
- Volodymyr Zelensky: o presidente ucraniano defendeu a versão da Reuters, negada pelo governo americano;
- Donald Trump: disse não acreditar que ele ou Musk fossem responsáveis pela perda de acesso da Ucrânia;
- Elon Musk: afirmou que limitações de velocidade ou de uso são definidas pelas Forças Armadas dos EUA ou pelo presidente americano.
Quer economizar e ficar por dentro das principais mudanças no mercado de telecom? Não perca nenhuma atualização do Minha Operadora: acompanhe nossas novidades pelo Facebook, confira bastidores e destaques no Instagram, assista às análises completas no YouTube e receba alertas rápidos no X (Twitter).
STARLINK OU STARSHIELD?
Parte da confusão envolve a diferença entre dois produtos da SpaceX. O Starshield é, essencialmente, uma versão militar da Starlink desenvolvida para o Pentágono. No sábado, Rubio sugeriu que a Ucrânia jamais teve acesso ao Starshield. Já Zelensky afirmou que tanto a Starlink quanto o Starshield sofreram interrupções no país. Isso deixa em aberto qual dos serviços foi de fato afetado pela redução.
Zelensky está em Oslo, na Noruega, em uma tentativa de reparar as relações com os Estados Unidos. Na terça, ele disse ter discutido com Rubio “a situação da Starlink/Starshield, que precisa ser restabelecida”. O presidente também se reuniu com o enviado especial de Trump, Steve Witkoff, e com Jared Kushner, genro do republicano, que participou por videoconferência, além de líderes noruegueses e finlandeses.
RELAÇÃO COM WASHINGTON SE DESGASTA
O episódio ocorre em um momento de forte atrito entre Kiev e Washington. Trump anunciou um acordo para comprar diesel russo e suspendeu novas sanções a Moscou, na tentativa de baixar o preço dos combustíveis antes das eleições de meio de mandato, em novembro. Ele também orientou a Ucrânia a interromper ataques a refinarias russas durante uma suposta trégua energética, ignorada pelos dois países.
Na segunda-feira (19), Trump chegou a incentivar os ucranianos a escolherem outro presidente. “Sugiro que arranjem um novo líder que consiga fechar um acordo (de paz). Por algum motivo, (Zelensky) nunca faz isso”, disse a repórteres na Casa Branca. Ao fim do encontro em Oslo, Zelensky reivindicou ter voz em qualquer negociação sobre o futuro do país, que segue dependente da conexão via satélite em meio a ataques russos contra operadoras e data centers ucranianos.












