Reprodução/Google Maps

TIM segue na bolsa após Correios da Itália não atingir 90% das ações

Cristino Melo
7 min de leitura

A Poste Italiane, os Correios da Itália, elevou para 85,822% sua participação na TIM, após reabrir a oferta pública de aquisição de ações da companhia. O resultado, divulgado na última sexta-feira (25), ficou abaixo do patamar de 90% que permitiria à estatal fechar o capital da operadora por meio de um squeeze-out, mecanismo que obriga os minoritários a vender suas ações. Com isso, a TIM continua listada na Borsa Italiana.

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Mesmo sem alcançar o limite, a Poste passa a deter o controle majoritário da TIM, o que coloca a operadora nas mãos do serviço postal italiano e, indiretamente, do Estado. A confirmação dos números provisórios e o pagamento pelas ações entregues estão previstos para esta sexta-feira. A estratégia por trás da compra é aproveitar as sinergias entre as duas empresas.

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COMO A OFERTA FOI CONDUZIDA

A participação atual combina as ações que a Poste já possuía com os papéis adquiridos no período original da oferta e em uma janela adicional de cinco dias aberta na sequência. Na primeira etapa, a estatal havia chegado a 66,6% do capital e assumido o controle da TIM, o que mostra que a reabertura teve adesão expressiva dos acionistas. Até agora, a Poste não comentou o resultado além de divulgar os números, e um anúncio formal com a confirmação deve sair a qualquer momento.

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OS CAMINHOS PARA FECHAR O CAPITAL

Apesar de não ter atingido os 90%, a Poste ainda tem opções caso queira seguir com a saída da TIM da bolsa. Segundo o jornal Il Sole 24 Ore, a companhia pode comprar ações da operadora diretamente no mercado ou promover uma fusão da TIM com outra subsidiária do grupo, como a PosteMobile. Em qualquer um dos cenários, seria necessário fazer uma oferta em dinheiro aos acionistas que não aderiram à oferta pública.

As duas alternativas levariam a TIM a se tornar uma empresa de capital fechado, mas ainda não há sinal de qual será o próximo passo da estatal. Para analistas da Intermonte ouvidos pelo jornal italiano, “a participação alcançada na TIM dá à Poste uma posição de controle substancial e permite iniciar as atividades de integração entre as duas empresas”. Eles ressaltam que o objetivo segue sendo a integração completa, para extrair o máximo das sinergias.

INTEGRAÇÃO COMEÇA DE IMEDIATO

O banco de investimentos Equita também avalia que os trabalhos de integração e de captura de sinergias começam de imediato. O processo deve servir de base para a apresentação de um novo plano estratégico no primeiro trimestre do próximo ano. Ainda assim, deve levar mais tempo até que fique claro como será a estrutura combinada de TIM e Poste e se os dias da operadora na Borsa Italiana estão de fato contados.

AS SINERGIAS ENTRE TIM E POSTE

Há sinergias operacionais claras que as duas companhias podem explorar, já que atuam em mercados que se complementam e contam com estruturas comerciais parecidas. Além dos ganhos de receita com a oferta conjunta de serviços, o mercado também espera que a combinação resulte em redução de custos ao longo dos próximos anos. Entre as principais frentes de integração entre TIM e Poste estão:

  • Telefonia móvel: a fusão entre TIM e PosteMobile já foi cogitada, tanto para viabilizar o fechamento de capital quanto para enfrentar a forte competição no mercado móvel italiano.
  • Banda larga: a Poste também mantém uma operação de banda larga por fibra óptica.
  • Energia: no mesmo período do ano passado, a TIM estreou na venda de eletricidade e gás para consumidores, aproveitando os ativos de energia da Poste.
  • Varejo: as duas empresas têm uma presença relevante em lojas e pontos de atendimento em toda a Itália.

O QUE MUDA PARA A TIM NO BRASIL

No Brasil, o movimento na Itália tem reflexo direto, já que a TIM S.p.A., antiga Telecom Italia, detém cerca de 68% da TIM Brasil. Com a compra, a Poste Italiane se tornou controladora indireta da operadora brasileira, mudança comunicada ao mercado em fato relevante no último dia 18 de setembro. A Anatel já aprovou a transferência do controle, após pedido de anuência prévia protocolado em abril.

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Na prática, nada muda de imediato para os clientes. A troca de controle não trouxe alterações em preços, planos, serviços ou investimentos, e a TIM Brasil mantém a gestão local da operação e suas obrigações regulatórias no país. A empresa ocupa hoje a terceira posição no mercado móvel, com 22,9% dos acessos, atrás de Vivo e Claro. Segundo o CEO Alberto Griselli, a estratégia da operadora segue a mesma neste momento.

Estatal italiana passa a controlar a TIM Brasil indiretamente

O executivo avalia que integrar um grupo financeiramente mais sólido dá mais flexibilidade para alocar capital e reduzir dívidas. “Do nosso lado, podemos dizer que vamos pertencer a um grupo patrimonialmente mais forte”, afirmou. Enquanto isso, a companhia segue com sua agenda e vai pagar R$ 515 milhões aos acionistas. Griselli também disse que a Poste considera a unidade brasileira um ativo importante para sua estratégia.

No mercado, há especulação de que uma fusão da TIM Brasil com a V.tal, empresa de infraestrutura de fibra controlada pelo BTG, faria sentido estratégico, já que o modelo de negócio puramente móvel tende a se esgotar. Analistas, porém, ponderam que o novo controlador pode precisar de um período de maturação antes de tomar decisões de maior porte, o que deixa o futuro da operação brasileira ainda sem definição.

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